RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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MANUSCRITO - ELVAS - INSTRUMENTO DE DOTE E CASAMENTO - 1614.

Instrumento de dote e casamento pelo qual Margarida Loba, viúva de António Pegado de Valadares, doa a António Lobo, seu irmão, e Margarida Pegada, sua enteada, por casamento deles, uma herdade de pão correspondente a 1/3 da herdade da Silveira, sita no termo de Elvas, a qual rende anualmente 2 moios e meio e 27 alqueires de trigo, 4 galinhas, 2 queijos e 566 réis em dinheiro. Elvas. 13 de Novembro de 1614.

4 fólios em papel [numerados 11 a 14]. De 29 x 21 cm.

Manuscrito de 120 linhas, ocupando a frente e o verso dos 2 primeiros fólios e o início do 3º fólio. O último fólio em branco [fólio 14] serve de sobrescrito com o título de documento, infelizmente parcialmente obliterado por falha no papel.

Escrito em português com caligrafia cursiva de tabelião da corte terminando em sinal de assinatura cruciforme (formando este sinal uma rosa-dos-ventos).

Palavras chave: Herdade da Silveira, Elvas. Herdade do Monte Branco, Vila de Juromenha. Olivença.

Transcrição:

[fol. 11]

Em nome de deos amen saybão quoantos este estromento || de dote e casamento virem que no anno do nassimento de || nosso senhor Jesus Xpo de mil e seisçemtos e qua||torze annos aos trese dias do mes de nouembro || do dito anno nesta cid[a]de delluas nas cas[a]s || de morada de antonio lobo de uascomçellos || fidallguo de gueração em presença de mim taba||lião e das testemunhas ao diamte nomeadas es||tamdo ay Presentes o dito antonio llobo mo||rador nesta dita cidade e bem assim estamdo pre||sente Marguarida loba dona veuua de antonio || pegado valladares que deos aya Moradora na || villa de oliuenca ora estamte nesta dita cida||de e loguo pella dita Marguarida loba || foy dito que pellas muitas obriguações alem do || paremte seo que tem com o dito antonio lobo || seu jrmão e pello muito amor que tem a maria pe||gada sua emteada filha do dito antonio pe||gado seu Marido Pella auer criada desde Me||nina e por ser ffilha do dito antonyo Pegado seu || marido a quem ella tinha gramdes obrigua||ções por auer Resebido delle muitas e muy boas || obras dignas de muito gramde Remunerasam as || quais comffesa auer R[e]sebido tambem do || dito antonio llobo seu jrmão pellas quais || causas e Rasões dise ella dita Marguarida || lloba que sellebrandose e fazemdose o ma||trimonio na forma que mamda a sancta [fol. 11 v.] Madre igreja e comforme ao sagrado comsilio || tredemtino emtre os ditos antonio lobo e a || dita Maria Pegada ella dita marguarida || loba lhe da e dota por uia de dote e casa||mento e doasam Remuneratoria quall em || direito mais luguar aja hũ quinham de her||dade de Pão que ella tem e posue no termo || desta cidade que se chama da silluejra que he || o terso da dita herdade da silluejra o quall || quinham esta mistico e por partir com quinham || de dona anna de castello branquo Mora||dora nesta dita cidade que parte de hũa parte Com || herdade da travamqua que he de yoanna de || lemos e dos fra[a]des de sam dominguos desta cidade e da outra parte com herdade da cappella e com herdade do cabeso do || asinheiro que he de dona yoanna coutinha e com || outras comffromtasões com que parte e de direito deue partir o quall quinham Remde em cada || hũ anno hũ mojo e uimte seis allqueires || de triguo e de pitansas quatro gallinhas || e dous quejios e quinhentos e sessenta e seis || Reis e meio em dinheiro do quall quinham || de herdade f[a]semdose e sellebrandose || o dito casamento como dito he dise que || tiraua e Renunsiaua lloguo de sj toda || a posse e senhorio direito e ausom Real e cor||porall e autuall e tudo cede e trespasa [fol. 12] no dito antonio lobo ao quall ha lloguo || pormetida de posse pasiffica Reall cor||porall e autual do dito quinham de her||dade com todas suas entradas e sajdas || direitos e Pertensas sememtios e llograsões || e promete de nunca em tempo allgum || ella nem outrem por ella em seu nome nem || herdejros jrem nem virem comtra este dote || em parte nem em todo amtes em todo e por || todo a cumprir e mamter como se nelle || comtem pera firmesa do qual dise eella || dita marguarida loba que se obrjgaua || por sj e todos seus bẽes Moues e de Raiz || auidos e por auer a sempre Cumprir e manter || todo o comtheudo neste estromento de dote || e que semdo caso que em allgũ tempo aya || allgũa pessoas ou pessoas que queirão jr ou || vir comtra este dote em parte ou em todo com || allgũa duujda ou embarguos a fim de || ser tirado o dito quinham de herdade ao dito || antonio llobo ou seus herdejros que em || espesiall dise que obriguaua e epotecaua || ao comprimento deste dote duas courellas || de teRa que tem no termo da uilla de juru||menha que partem com herdade do mon||te branquo e da outra partem com cou||tada da dita villa de jurumenha e com || outras comffromtasões e asim mais || ho quinham de herdade ou o que tiuer na mesma [fol. 12 v.] herdade do monte branquo comtanto que || a espesiall epoteca nam deRogue a gueral || obriguação de todos seus bẽis nem pello || comtraito

e em testemunho de uerdade || asim ho outorgou e mamdou ser feito este || estromento e dote e casamento por ella ou||torguado e aseitado ho quall o dito antonio || llobo e a dita Maria pegada aseitarão || este dote por estarem presentes e eu taballiam || como pessoa publlica estipullante e aseitamte || o aseitey e estipullej em nome de quem com || direito deuo e aseitar poso e decllarou ella || dita Margarida lloba que o dito quinhão || de herdade Reinde Mais em cada hũ anno alem || do que dito he sinquo allqueires de triguo de || matasão que uem a ser Mojo e meio e hũ || alqueires [sic] de triguo

e a tudo forão testemunhas pre||semtes ffellippe pirejra filho do Licenciado diogo || pirejra que deos aya que asinou pella dita || doadora Marguarida lloba a seu Roguo || e por testemunha por nam saber asinar || semdo mais testemunhas presentes antonio || barbosa criado do allcajde das saquas || e martim sardinha sapatejro e todos || Moradores nesta cidade delluas e eu ma||noel coruacho da gama taballiam que ho || escreuy // fillipe pirejra / de antonio + bar||boza / Martim sardinha / e eu ho sobredito manoell [fol. 13] coruacho da gama publlico taballião de || notas por el Rey nosso senhor nesta cida||de delluas e seu termo que este estromento de || dote em Meu lljvro de notas tomey e delle || ho treslladey e bem e fiellmente consertey || e por uerdade aquy meu publlico sinal || fiz que tall he =

[sinal]

Pagou nada

Versão actualizada:

[fol. 11]

Em nome de Deus, Ámen Saibam quantos este instrumento de dote e casamento virem que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1614 anos, aos 13 dias do mês de Novembro do dito ano, nesta cidade de Elvas, nas casas de morada de António Lobo de Vasconcelos, fidalgo de geração, em presença de mim, tabelião, e das testemunhas ao diante nomeadas, estando aí presentes o dito António Lobo, morador nesta dita cidade, e bem assim estando presente Margarida Loba, dona viúva de António Pegado Valadares, que Deus haja, moradora na vila de Olivença, ora estante nesta dita cidade;

E logo pela dita Margarida Loba foi dito que pelas muitas obrigações além do parente seu que tem com o dito António Lobo, seu irmão, e pelo muito amor que tem a Maria Pegada, sua enteada, filha do dito António Pegado, seu marido, pela haver criada desde menina e por ser filha do dito António Pegado, seu marido, a quem ela tinha grandes obrigações, por haver recebido dele muitas e mui boas obras dignas de muito grande remuneração, as quais confessa haver recebido também do dito António Lobo, seu irmão.

Pelas quais causas e razões disse ela, dita Margarida Loba, que celebrando-se e fazendo-se o matrimónio na forma que manda a Santa [fol. 11 v.] Madre Igreja, conforme ao sagrado Concílio Tridentino, entre os ditos António Lobo e a dita Maria Pegada, ela, dita Margarida Loba, lhe dá e dota por via de dote e casamento, e doação remuneratória qual em direito mais lugar haja, um quinhão de herdade de pão que ela tem e possui no termo desta cidade que se chama da Silveira, que é o terço da dita herdade da Silveira, o qual quinhão está místico e por partir com quinhão de D. Ana de Castelo Branco, moradora nesta dita cidade, que parte de uma parte com herdade da Travanca, que é de Joana de Lemos e dos frades de S. Domingos desta cidade, e da outra parte com herdade da Capela e com herdade do Cabeço do Azinheiro, que é de D. Joana Coutinha, e com outras confrontações com que parte e de direito deve partir, o qual quinhão rende em cada um ano 1 moio e 26 alqueires de trigo, e de pitanças 4 galinhas e 2 queijos, e 566 réis e meio em dinheiro.

Do qual quinhão de herdade, fazendo-se e celebrando-se o dito casamento como dito é, disse que tirava e renunciava logo de si toda a posse e senhorio, direito e acção real e corporal, e actual, e tudo cede e trespassa [fol. 12] no dito António Lobo, ao qual há logo prometida de posse pacífica, real, corporal e actual do dito quinhão de herdade, com todas suas entradas e saítas, direitos e pertenças, sementios e lograções.

E promete de nunca em tempo algum ela nem outrem por ela em seu nome, nem herdeiros, irem nem virem contra este dote, em parte nem em todo, antes em todo e por todo a cumprir e manter como se nele contém, para firmeza do qual disse ela, dita Margarida Loba, que se obrigava por si e todos seus bens móveis e de raiz, havidos e por haver, a sempre cumprir e manter todo o conteúdo neste instrumento de dote, e que sendo caso que em algum tempo haja alguma pessoa ou pessoas que queiram ir ou vir contra este dote, em parte ou em todo, com alguma dúvida ou embargos, a fim de ser tirado o dito quinhão de herdade ao dito António Lobo ou seus herdeiros, que em especial disse que obrigava e hipotecava ao cumprimento deste dote 2 courelas de terra que tem no termo da vila de Juromenha, que partem com herdade do Monte Branco, e da outra partem com coutada da dita vila de Juromenha e com outras confrontações, e assim mais o quinhão de herdade ou o que tiver na mesma [fol. 12 v.] herdade do Monte Branco, contanto que a especial hipoteca não derrogue a geral obrigação de todos seus bens, nem pelo contrário.

E em testemunho de verdade assim o outorgou, e mandou ser feito este instrumento de dote e casamento por ela outorgado e aceitado, o qual o dito António Lobo e a dita Maria Pegada aceitaram este dote por estarem presentes, e eu tabelião, como pessoa pública, estipulante e aceitante, o aceitei e estipulei em nome de quem com direito devo e aceitar posso.

E declarou ela, dita Margarida Loba, que o dito quinhão de herdade rende mais em cada um ano, além do que dito é, 5 alqueires de trigo de matação, que vem a ser moio e meio, e 1 alqueire de trigo.

E a tudo foram testemunhas presentes Filipe Pereira, filho do licenciado Diogo Pereira, que Deus haja, que assinou pela dita doadora Margarida Loba a seu rogo e por testemunha, por não saber assinar, sendo mais testemunhas presentes António Barbosa, criado do alcaide das sacas, e Martim Sardinha, sapateiro, e todos moradores nesta cidade de Elvas, e eu Manuel Corvacho da Gama, tabelião, que o escrevi.

Filipe Pereira de António + Barbosa Martim Sardinha e eu, o sobredito Manuel [fol. 13] Corvacho da Gama, público tabelião de notas por el-Rei Nosso Senhor nesta cidade de Elvas e seu termo, que este instrumento de dote em meu livro de notas tomei e dele o trasladei, e bem e fielmente consertei, e por verdade aqui meu público sinal fiz que tal é.

[sinal]

Pagou nada

A transcrição diplomática do documento e a respectiva leitura actualizada, desdobrando-se a maior parte das abreviaturas, foram ambas gentilmente efectuadas pelo Sr. Dr. João Pedro Vieira.

Referência: 1311JC119
Local: Gravureiro Gav. 8


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