RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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DRAKE, Francis. - ISSELT, Michael. BREVIS & FIDA NARRATIO, ET CONTINVATIO RERVM OMNIVM A DRAKO

ET Norreysio (post felicem ex Occidentalibus insulis, reditum) in sua expeditione Portvcalensi singulis diebos gestarum. FRANCOFVRTI. Apud Paulo Brachfeldium. M D XC. [1590].

In 4º (de 22x17 cm) com [2], 29 [i br.] págs.

Encadernação do final séc. XIX  ou início do séc. XX inteira de marroquim verde com ferros rolados a ouro nas esquadrias das pastas e na lombada.

Bela impressão quinhentista ilustrada com os dois brasões da rainha Isabel I de Inglaterra e uma gravura com um retrato de corpo inteiro provavelmente de Francis Drake, é também adornada com duas belas vinhetas decorativas, uma no início da introdução que foi escrita por Michael Isselt e a outra no início do texto da relação. E ainda duas capitulares e duas vinhetas de remate ornamentadas.

Exemplar com margens muito generosas e por aparar.

Raríssimo folheto quinhentista impresso em Francoforte na Alemanha.

Segunda edição latina, tendo como principal característica ser ilustrada com os brasões da rainha Isabel I de Inglaterra e uma gravura com um retrato de corpo inteiro provavelmente de Francis Drake. A primeira edição desta obra foi publicada em inglês no ano de 1589 e impressa por Thomas Woodcok  em Londres. Este impressor também publicou uma edição em latim impressa em Londres no mesmo ano de 1589. Existe ainda uma edição em alemão, publicada em Munique e impressa por Adam Berg no ano [1590].

A introdução da obra foi escrita pelo holandês Michel Isselt e faz a apologia da causa da rainha Isabel I de Inglaterra no seu direito aos territórios continentais e a defesa do direito de D. António Prior do Crato a ser rei de Portugal, contra a ocupação espanhola de 1580 (vide pág. 9).

Segue-se a relação que descreve, em forma de diário, o ataque, invasão e saque efectuados pela frota holandesa, composta por 60 navios e comandada por Francis Drake e John Norris, à frota remanescente da Invencível Armada e às cidades da costa de Portugal e suas ilhas atlânticas, entre 15 de Março e 3 de Julho de 1589,  com o objectivo de pilhar riquezas no Sul de Portugal e conquistar os Açores, tendo como principal finalidade conquistar a cidade de Lisboa e assim depor Filipe II de Espanha do trono de Portugal. Outras localidades portuguesas, como Peniche, Torres Vedras e Cascais, são mencionadas na obra aquando da passagem e ataque das tropas inglesas

Estes ataques foram efectuados em retaliação à tentativa de invasão de Inglaterra pela Invencível Armada e também sob o pretexto de depor Filipe I do trono de Espanha. Note-se que a o envio desta armada a Inglaterra por Filipe II foi causada pelo ataque dos corsários de Francis Drake a territórios espanhóis na Europa e na América Central.

Durante estes acontecimentos, a formidável biblioteca do bispo de Silves, D. Jerónimo Osório, foi uma das maiores riquezas capturadas por Drake que se orgulhava de a possuir. Ainda hoje em dia, circulam no mercado alguns exemplares desta biblioteca com o ex-libris de Francis Drake.

Sir Francis Drake (1540-1596) capitão e vice-almirante inglês. Aos 23 anos fez a sua primeira viagem às Américas navegando com uma frota de navios, propriedade de seu primo John Hawkins. Em 1568 Drake foi preso pelos espanhóis no porto mexicano de San Juan de Ulúa e escapou junto com Hawkins. Após a esta derrota fez duas viagens às Índias Ocidentais, em 1570 e 1571. Em 1572 embarcou na sua primeira grande empresa independente.

Planeou um ataque ao Istmo do Panamá, conhecido pelos espanhóis como Terra Firme. Drake usou os planos que Sir Richard Grenville recebera na Carta de Corso dada pela rainha Isabel I, em 1574, e que se encontrava protestada por Filipe de Espanha. Com o sucesso do ataque ao istmo de Panamá, em 1577, a rainha de Inglaterra enviou Drake numa expedição ao encontro dos espanhóis ao longo da costa americana do Oceano Pacífico. Drake navegou até ao paralelo 38º Norte, fundeando na costa da Califórnia em 17 de Junho de 1579. Depois deixou a costa do Pacífico através do Oceano Índico e do Cabo da Boa Esperança e escalou na Serra Leoa em 22 de Julho de 1580, antes de chegar a Inglaterra.

A rainha Isabel I concedeu a Drake o título de cavaleiro, a bordo do Golden Hind em Deptford, a 4 de Abril de 1581, depois de ter chegado carregado de um imensurável saque. A guerra já havia sido declarada por Filipe II após o Tratado de Nonsuch, de modo que a rainha ordenou a Sir Francis Drake que liderasse uma expedição para atacar as colónias espanholas, numa espécie de ataque preventivo.

A expedição deixou Plymouth em Setembro de 1585 com Drake ao comando de 21 navios e de 1.800 soldados. Atacou Vigo, em Espanha, que ocupou por duas semanas. Em seguida, saqueou Santiago nas ilhas de Cabo Verde, após o que a frota navegou pelo Atlântico, saqueou o porto de Santo Domingo e capturou a cidade de Cartagena-das-Índias, na actual Colômbia. Em 6 de Junho de 1586, durante a viagem de retorno, invadiu o forte espanhol de San Augustín na Flórida.

Irritado por estes actos o rei Filipe de Espanha ordenou a invasão da Inglaterra com a Invencível Armada Espanhola. Drake era o vice-almirante no comando da frota inglesa (sob Lord Howard de Effingham) quando enfrentou a Armada Espanhola que tentava invadir Inglaterra em 1588. Em outro ataque preventivo, Drake levou a frota para Cádis e também para La Coruña, e ocupou estes dois principais portos de Espanha. Depois patrulhou as costas ibéricas entre Lisboa e o Cabo de São Vicente, interceptando e destruindo navios e as linhas de abastecimento espanholas.

Drake escreveu ao Almirante Henry Seymour depois de tomar parte da Armada Espanhola, em 31 de julho de 1588. A expedição de Drake e Norris (à qual se refere a presente obra) ocorre em 1589. Um ano depois de os ingleses derrotarem a Invencível Armada, Drake e Sir John Norris receberam três tarefas: 1º) procurar e destruir os navios remanescentes da Grande e Invencível Armada; 2º) apoiarem os rebeldes em Lisboa, Portugal, contra o rei Filipe II (então rei de Espanha e de Portugal); e 3º) tomar os Açores se possível.

Drake e Norris destruíram alguns navios no porto de La Coruña, em Espanha, mas perderam mais de 12.000 homens e 20 navios, o que atrasou Drake, forçando-o a renunciar a atacar o resto dos navios sobreviventes, que se dirigiram para Lisboa. A carreira marítima de Drake continuou e em Janeiro de 1596, com 55 anos, morreu de disenteria, quando se encontrava ancorado ao largo da costa de Portobello, no Panamá.

 SHORT ACCOUNT OF DRAKE'S EXPEDITION TO PORTUGAL.

In 4º (2x17 cm) with [2], 29 [i br.] pp.

Binding: late 19th/early 20th century, full green Morocco calf, with gilt frame tools on boards and raised bands and gilt tools on spine.

A beautiful 16th century print, illustrated with the two coats of arms of Queen Elisabeth the First and a full body woodcut of probably Francis Drake. It also presents two beautifully decorative devices, one at the beginning of the introduction by Michael Isselt, and the other at the beginning of the text; also two ornamented capital letters and 2 end vignettes.

Copy with wide margins, uncut.

Extremely rare item (in «The Quarterly Review», London, 1833), printed in Frankfurt Germany.

This report is a day-to-day account of the 1589 expedition to Portugal by Sir Frances Drake, Vice Admiral, navigator and privateer (1540-1596) and John Norris or Norreysio (1547?-1597), commander of the troops, in order to defeat the Spanish Fleet and capture, plunder and loot the port and city of Lisbon. Other Portuguese cities are mentioned as being stormed by the British army: Peniche, Torres Vedras, and Cascais.

Sir Francis Drake (1540 -1596) was an English captain and admiral. At age 23, Drake made his first voyage to the Americas, sailing with the fleet of ships of his cousin John Hawkins. In 1568 Drake was trapped by the Spaniards in the Mexican port of San Juan de Ulúa and escaped along with Hawkins. Following the defeat he made two voyages to the West Indies, in 1570 and 1571.

In 1572 he embarked on his first major independent enterprise. He planned an attack on the Isthmus of Panama, known to the Spanish as Tierra Firme. Drake used the plans that Sir Richard Grenville had received the patent for in 1574 from Elizabeth, which was rescinded a year later after protests from Philip of Spain. With the success of the Panama isthmus raid, in 1577 Elizabeth I of England sent Drake to start an expedition against the Spanish along the Pacific coast of the Americas. Drake sailed as far north as the 38th parallel, landing on the coast of California on 17 June 1579. Drake left the Pacific coast and rounded the Cape of Good Hope, and reached Sierra Leone by 22 July 1580.

Queen Elizabeth awarded Drake a knighthood aboard Golden Hind in Deptford on 4 April 1581. War had already been declared by Phillip II after the Treaty of Nonsuch, so the Queen, through Francis Walsingham, ordered Sir Francis Drake to lead an expedition to attack the Spanish colonies in a kind of pre-emptive strike. An expedition left Plymouth in September 1585 with Drake in command of twenty one ships with 1,800 soldiers. He first attacked Vigo in Spain and held the place for two weeks. He then plundered Santiago in the Cape Verde islands after which the fleet then sailed across the Atlantic, sacked the port of Santo Domingo and captured the city of Cartagena de Indias in present-day Colombia. On 6 June 1586, during the return of the voyage, he raided the Spanish fort of San Augustín, in Florida.

Encouraged by these acts Philip II ordered a planned invasion of England with the Spanish Armada. Drake was vice admiral in command of the English fleet (under Lord Howard of Effingham) when it overcame the Spanish Armada that was attempting to invade England in 1588. In another pre-emptive strike, Drake led the fleet into Cadiz and also Corunna, two of Spain's main ports, and occupied the harbours. Drake patrolled the Iberian coasts between Lisbon and Cape St. Vincent, intercepting and destroying ships on the Spanish supply lines.

He wrote to Admiral Henry Seymour after coming upon part of the Spanish Armada, whilst aboard Revenge on 31 July 1588. In 1589, the year after defeating the Armada,

Drake and Sir John Norreys were given three tasks (and this is the scope of the present work). They were ordered to first seek out and destroy the remaining ships, second they were to support the rebels in Lisbon, Portugal, against King Philip II (then king of Spain and Portugal), and third they were to take the Azores if possible. Drake and Norreys destroyed a few ships in the harbour of La Coruña in Spain but lost more than 12,000 lives and 20 ships. This delayed Drake, and he was forced to forgo hunting the rest of the surviving ships and head on to Lisbon.

[Drake's seafaring career continued into his mid-fifties. In 1595. In January 1596, he died of dysentery when he was about 55, while anchored off the coast of Portobello, Panama. Drake-Norris Expedition.

Ref.:

Palau Tomo IV, pág. 528 (76144).

Sabin, 20835: «See Bibliotheca Grenvilliana. Jadis copy sold for £ 5.»

Brunet Tomo II, pág. 831 apenas refere as edições de Londres de 1589 em latim e a de Nuremberga de 1590, sendo que esta última reúne a viagem às Índias Ocidentais e o relato do ataque na Lusitânia.

Na BNP existe um exemplar da edição de Munique em alemão e um exemplar da edição de Francoforte 1590.

Reference of the National Library of Portugal: «BNP RES. 372 P: “Descr. Física: 29 f.; 4o (19 cm). Ref. Ext.: BM [STC GER] 253 NUC NB 0785527; Bavarian State Library (Bayerische Staatsbibliothek, München VD 16) (HPB).

Lista das edições da The Huth library. A catalogue of the printed books, manuscripts , autograph letters, and engravings by Huth, Henry, 1815-1878; Ellis, Frederick Startridge, 1830-1901; Hazlitt, William Carew, 1834-1913:

DRAKE, Sir F. A Trve Coppie of a Discourse written by a Gentleman, employed in the late Voyage of Spaine and Portingale: Set to his particular friend, and by him published for the better satisfaction of all such, as having been seduced by particular report, have entered into concepts tending to the discredit of the enterprise, and Actors of the same. At London Printed by Thomas Woodcock dwelling in Panics CImrchyard, at the signe of the blacke Beare. I 5 89. 4to. Black letter. A, 2 leaves; B — li in fours. This tract has been reprinted entire by Mr. Collier, and it will be found reviewed in his ' Bibl. Cat.,' i., 257-9. [referida por Palau 76147] Não consta em Brunet.

Ephemeris expeditionis Norreysii et Draki in Lusitaniani, Loitdifii, impensis ThomcB IVoodcocke. 1589. 410. G. M. 444 DRAKE. Title, 1 leaf, and pp. 1-34- Whether this or the English version was the earlier printed it is difficult to determine. Probably both appeared at the same time. [referida por Brunet, 20949. Não consta em Palau]

DRAKE, Sir F. Brevis & fida Narratio et continuatio rerum omnium Drako et Norreysio (post felicem ex Occidentalibus Insulis, reditum) in sua expeditione Portugallensi singulis diebus gestarum. Francofurti Apud Pauliim Brachfeldiinn. 1590. 4to. A — D in fours, including the title. [referida por Palau 76144. Referida por Sabin 20835. Não consta em Brunet] 

Relation was der Capitan Drackh vnnd Colonel Noriz welche Anno 1 589. an stat der Kiinigin in Engelland, den Don Antonio in das Konigrcich Portugal einsetzen, vnd die Spannier darauss vertreiben sollen, mit irer mechtigen Armada von der zeit an, als sie abgefahrn, biss sie wider haim kommen, aussgericht. Auss dem Spannischen in Hochteutsche Spraach transferirt. Gednickt zu Miinchen bey Adam Berg. p. J.] 4to. Sixteen leaves. [referida por Duarte de Sousa, 28 e Palau 76149].



Referência: 1404JC026
Local: M-11-B-17


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