RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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MANUSCRITO SÉC. XIX – REGULAMENTO DA VIDA VIRTUOZA - SETENARIO DA SANTISSIMA VIRGEM MARIA.

S/L. [Lisboa?]. S/d [circa 1853].

De 20x13 cm. Com 304, 96, [6], [10 br] pags.

Encadernação de final do século XX com lombada e cantos em pele, executada pelo encadernador Carmelita do Carmo, em Lisboa.

Exemplar com ex-libris oleográfico da biblioteca do Duque de Palmela.

Manucrito com textos religiosos com duas obras anónimas contendo os dois textos completos e com paginação independente, redigidos a uma só mão, com uma caligrafia firme e muito legível. Respectivamente nas páginas 304 e 96, seguindo-se 6 páginas inumeradas, contendo um índice conjunto das duas obras.

Importantes (e únicas?) fontes para o estudo da sociedade portuguesa do Século XIX, nomedamente as formas de vivência da religião e os actos piedosos e de culto que eram praticados na época. Poderá ter servido para a vivência diária da fé religiosa nas residências dos Duques de Palmela. 

O Regulamento da Vida Virtuosa será um manuscrito da segunda metade do Século XIX, pois nele são referidos os Jesuítas no passado e os Padres de Rilhafoles no presente. Isto faria supor uma data final anterior a 1834, mas a designação de Padres de Rilhafoles, que era uma denominação popular da ordem com base no seu primeiro convento em Lisboa, aplicava-se a todos os membros da congregação mesmo que fossem dos Conventos de Guimarães ou de Évora e estes Padres continuaram a actuar de forma clandestina apesar da extinção das ordens religiosas em 1834. Assim a datação do manuscrito fica mais imprecisa sendo provavelmente mais certo atribuir a sua produção a alguma ano da década de 50 do Século XIX.

O primeiro texto (Regulamento da Vida Virtuosa) contém normas para o aprofundamento da vida religiosa dos leigos, em 21 pontos, um «exame de consciência que ensinavam os Jesuítas», uma «Profissão da Fé conforme o Concílio de Trento», grande número de actos e orações, a maioria deles relativos à devoção ao Coração de Jesus e ao Santíssimo Sacramento. Trata-se de um texto religiosos que junta num todo harmonioso, para enriquecer a vida espiritual dos leigos, devoções e orações de origem diversa e copiadas de várias fontes. O corpo mais numeroso é constituído pela devoção ao Coração de Jesus, que teve origem nas visões místicas de Santa Margarida Maria Alacoque, em 1676, que foram divulgadas em primeira mão pelo Padre Jesuíta São Cláudio la Colombiére (1641-1682), inclui exame de consciência como faziam os Jesuítas e Orações e actos da manhã e da noite como fazem nas casas da Congregação de S. Vicente de Paulo (Lazaristas).

É um texto bastante pormenorizado e rico de espiritualidade, que propõe uma vivência da fé exigente como se vê pela recomendação de assistir à missa todos os dias, ou pela Carta de Escravidão, páginas 159 a 167, que é um acto de consagração ao Santíssimo Sacramento com orações em verso e um estilo muito metafórico.

São desconhecidos outros manuscritos ou obras impressas iguais a esta, mas as orações ao Coração de Jesus estavam muito divulgadas em Portugal desde 1732. A Rainha D. Maria I deu um grande impulso a esta forma de espiritualidade, que atingiu uma enorme expansão durante todo o Século XIX e se manteve muito influente até aos nossos dias. Em honra do Santíssimo Sacramento foram erigidas em Portugal numerosas irmandades e é em sua honra que se realizam as procissões do Corpo de Deus no dia do feriado móvel desde sempre consagrado a esta festa em Portugal. Como diz o Código de Direito Canónico «a Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa».

O segundo texto (Setenário) contém as instruções para a celebração duma sequência de 7 dias de exercícios espirituais, orações e meditações em louvor da Virgem Maria. Este modo de louvar a virgem Maria refere-se á tradição das Sete Dores que Maria sofreu pela paixão e morte de seu filho. Também não conseguimos encontrar outros manuscritos ou impressos desta obra, que tem por vezes passos em estilo barroco. Existe um texto similar (vide Inocêncio X, 374) do Padre João Vieira Neves Castro da Cruz (Setenario doloroso ou meditações das dores de Maria Santíssima, 1869, com 48 páginas); o qual ainda não foi possível confrontar com o presente manuscrito no seu conteúdo.

O Convento de Rilhafoles foi erguido entre 1720 e 1740, sendo a casa-mãe da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo. Trata-se de uma das raras construções religiosas a resistir ilesa ao terramoto de 1755. Destinada a residentes de retiros e a alunos do seminário, foi a partir daqui que partiram os missionários portugueses para Goa, Macau, China e Brasil. A Congregação da Missão foi extinta com as restantes Ordens Religiosas em 1834.

 

Referência: 1611PG022
Local: 8-3-G-41


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