RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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RELAÇAM NOTAVEL DE HUM COMETA, QUE NOVAMENTE APPARECEO EM AFRICA SOBRE A PRAÇA DE TANGERE.

Noticia que de algumas cartas vindas á Cidade de Londres se communicou a esta de Lisboa. LISBOA: Na Offic. de DOMINGOS RODRIGUES Anno MDCCLVI [1756]. Com as licenças necessarias.

De 19x13 cm. Com 8 págs. Brochado. 

Opúsculo raro, publicado anónimo. Inocêncio não menciona. Importante para o estudo do Iluminismo em Portugal em meados do século XVIII.

As abordagens astrológicas ao significado dos cometas são o objeto de denúncia deste panfleto anónimo. Aqui, o autor sublinha que ver os cometas como maus augúrios não era apenas a crença do vulgo, mas que homens sapientes haviam proposto a mesma ideia. O propósito do autor era tornar claro aos que permaneciam receosos, que os cometas não significavam um bem ou um mal. Em defesa da interpretação dos cometas como fenómenos exclusivamente naturais, apela a algumas memórias editadas na Real Academia de Ciências de Paris, bem como aos trabalhos de Descartes, Leibniz e Newton.

A interpretação dos cometas como sinais de adivinhação sofreu um declínio significativo durante o século XVII. No século posterior, e especialmente nos denominados centros europeus do conhecimento, esse tipo de interpretação foi banida da literatura científica e raramente aparecia em panfletos destinados a uma audiência de cariz popular. Em oposição, a literatura sobre cometas que recorria a uma origem sobrenatural e interpretação divina era ainda relevante em Portugal no século XVIII.

No período posterior ao terramoto de 1755 em Lisboa, especialmente entre 1756 e 1758, houve uma enorme produção literária dedicada à origem e ao significado desse acontecimento. Paralelamente, editaram-se em Portugal um número significativo de textos sobre cometas nos quais a sua origem e significado eram também questionados. O debate desencadeado quanto ao papel da providência divina versus fenómenos naturais, contribuiu de forma significativa para a importância crescente do iluminismo na sociedade portuguesa.

Este panfleto faz parte deste conjunto de obras, que vieram a lume como artigos de grande circulação vendidos a preços relativamente acessíveis. Os ataques veementes à astrologia na literatura sobre cometas de meados do século XVIII mostram que, apesar de o Índex de 1561 já condenar a astrologia e outras artes divinatórias, estas ainda tinham muito peso na sociedade portuguesa, não se restringindo a uma crença exclusiva das classas mais baixas. 

O período entre 1755 e 1760 é visto como uma fase crucial no declínio da adivinhação em Portugal e também como uma fase muito ativa na popularização da filosofia natural de autores modernos, de que é exemplo Isaac Newton.

J. Ricardo da Silva foi um desenhador, escultor e entalhador naval de meados do século XX. Conceituado desenhador heraldista foi autor dos brasões municipais de várias vilas, freguesias, grémios e casas do povo de todo o país. Ilustrou várias das principais obras desta temática como o Armorial Lusitano, Nobreza de Portugal e Brasil, etc.

Ref.: FONTES DA COSTA. (Palmira) e Hélio Pinto. Disputas sobre a origem e o significado dos cometas: o que revelam do Iluminismo português? ArtCultura, Uberlândia, v. 19, n. 35, p. 131-139, jul.-dez. 2017.


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Referência: 0901JC004

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