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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. ALMEIDA. (P. Theodoro de) RECREAÇÃO FILOSOFICA OU DIALOGO Sobre a Filosofia Natural, para instrucção de pessoas curiosas, que não frequentárão as aulas.PELO … Da Congregação do Oratório de S. Fillipe Neri, Socio da Real, e a de Biscaia. quinta impressão muito mais correcta, que as precedentes. LISBOA NA REAL OFFICINA TYPOGRAFICA. ANNO M.DCC.LXXXVI (1784). 10 volumes de 16x10 cm. Ilustrado com 28 estampas desdobráveis. Na realidade trata-se da segunda edição. Inocêncio VII, 301. “Presbytero da Congregação do Oratorio de Lisboa, Socio fundador da Academia Real das Sciencias de Lisboa, Membro da Sociedade Real de Londres, e da de Biscaia, etc. - N. em Lisboa a 7 de Janeiro de 1722, sendo filho de Ivo Francisco de Almeida (a quem alguns biographos chamaram equivocadamente José), e de Luisa Maria. Aos treze annos de edade entrou na congregação do Oratorio, onde estudou o curso de humanidades, a geometria, e a physica, tendo n’esta por mestre o P. João Baptista, o primeiro que n’esta côrte dictou a philosophia moderna ou experimental, até então de todo ignorada. Repartindo a sua applicação entre o estudo das sciencias proprias do estado ecclesiastico, e o das naturaes, fez n’estas notaveis progressos, de sorte que aos vinte e quatro annos de edade foi nomeado substituto da cadeira de philosophia na sua congregação e aos vinte e nove já era mestre effectivo, publicando por esse tempo o primeiro tomo da sua Recreação Philosophica. Não menos assiduo no ministerio evangelico, era ouvido com attenção e respeito no pulpito, e buscado de muitas pessoas que o tomavam por seu director espiritual, contando-se entre ellas algumas senhoras da mais alta nobreza. Desconfianças bem ou mal fundadas lhe attrahiram e á maior parte dos seus confrades na congregação o odio do primeiro ministro, depois Marquez de Pombal pouco faltou para que os filhos de S. Filippe Neri soffressem uma proscripção total, similhante á dos jesuitas, apezar da rivalidade que reinava entre as duas corporações! Em 20 de Junho de 1760 foram por ordem do ministro desterrados da côrte alguns fidalgos, e com elles os padres oratorianos Theodoro de Almeida, João Baptista, João Chevalier e Clemente Alexandrino. (vej a Hist. de Portugal traduzida por Moraes e Silva no tomo IV da edição de 1802, a pag. 53). Mais tarde, segundo se diz, em Septembro de 1768, o P. Theodoro estando de residencia na casa do Porto, teve de refugiar-se em França, e ahi se demorou perto de dez annos, empregando-se no ensino particular das sciencias physicas e mathematicas, primeiro em Bayona e depois em Auch. Ainda que com a morte d’el-rei D. José e quéda do ministro em Fevereiro de 1777, parece que devia cessar o seu desterro, e serem-lhe abertas as portas da patria, comtudo só voltou a ella em Março de 1778. Foi então residir para a casa de N. S. das Necessidades, e retomou os seus antigos exercicios do magisterio, do pulpito e do confessionario, tractando ao mesmo tempo de polir e aperfeiçoar as suas obras antigas, e de publicar de novo outras que compuzera, das quaes irá em seguida a resenha competente. Reedificada que foi a casa do Espirito Sancto, que o terremoto destruíra de todo em 1755, para ahi passou em Outubro de 1792, proseguindo nas mesmas occupações, até que sendo atacado de paralysia em 10 de Abril de 1804, passou para a eternidade a 18 do dito mez, tendo vivido oitenta e dous annos e alguns mezes. Foi, pelo testemunho dos seus contemporaneos, homem de costumes puros, e de comportamento exemplar: incansavel no estudo, pacificador de discordias, e charitativo em summo grau para com o seu proximo. - Para a biographia d’este sabio e laborioso escriptor, cujo nome honra a patria e a humanidade, vej. o seu Elogio historico por José Maria Dantas Pereira, na Hist. e Mem. da Acad. R. das Sciencias, tomo XI, parte 1.ª, pag. XIII a XXIV, de que ha tambem exemplares em separado no formato de 4.º os artigos insertos na Biblioth. Familiar e recreativa tomo v, e no Panorama, vol. IX (1846), pag. 28 e 29 os Estudos biogr. de Barbosa Canaes, etc. Vej. tambem o Curso elementar de Litter. Nacional do sr. conego dr. J. C. Fernandes Pinheiro, impresso no anno corrente, de pag. 462 a 470, onde cumpre corregir a data do falecimento, que inexactamente se collocou em 1803, e o numero dos volumes de que consta a Recreação Philosophica, que se diz ser de cinco, quando em verdade são dez, etc. Na Bibl. Nacional de Lisboa existe do nosso distincto oratoriano um retrato de meio corpo, pintado a oleo. Quanto aos gravados, vej. o que digo no presente volume, pag. 133. Para esta (obra) adoptou elle um systema de orthographia regulado pela pronuncia, tal pouco mais ou menos como o recommendára Verney no seu Verdadeiro methodo d’estudar: porém note-se que não só deixou de seguil-o nas outras obras publicadas posteriormente, mas até nos ultimos tomos da sua propria Recreação, isto é, do VIII inclusivè em diante. Contra a obra em seu apparecimento sahiram impressas algumas criticas, em que os mantenedores da eschola peripatetica procuraram sustentar as suas doutrinas, accusando o adversario de erros theologicos, e soccorrendo-se egualmente para o seu fim das armas da dialetica e do sarcasmo. De todas a mais notavel creio ser a Palinodia manifesta (vej. no Diccionario, tomo VI, o n.° P, 2). Almeida respondeu largamente aos argumentos dos seus impugnadores, dedicando a esse intento a tarde nona, na segunda edição do tomo II, e nas que a este se seguiram. Eis aqui o que a proposito d’esta obra, e da sua composição diz um dos modernos biographos do P. Almeida: «Compoz os seis primeiros tomos da Recreação Philosophica levado do louvavel impulso de utilisar aos que não possuiam principios elementares, e preferiu a fórma de dialogos, nos quaes procurou ser claro, adoptando um methodo facil para as intelligencias vulgares. D’aqui nasceu que esta obra, deficiente já no seu tempo, foi pouco estimada dos entendidos na materia, censurando-se-lhe algumas opiniões singulares, como por exemplo, a substituição da theoria newtoniana da luz, Tacharam-a tambem, quanto á forma dialogistica, de pouco pezo nas objecções do philosopho peripatetico, que facilmente o pedagogo destruia, incutindo a opinião propria. Comtudo, é innegavel que este escripto com todos os seus defeitos, concorreu muito para excitar á leitura de obras mais graves, e para diffundir notavelmente o gosto pelo estudo das sciencias naturaes, então concentradas nas academias, e fóra do alcance dos curiosos. Foi um serviço do P. Almeida, que é hoje reconhecido, e por esta razão o apresentâmos como facto principal da sua biographia litteraria. Dos quatro volumes que completam as Recreações, nada diremos, se não que a apologia da religião, assumpto dos dous ultimos, foi dictada por boas intenções.» Apezar d’isto, e do mais que póde dizer-se, a Recreação Philosophica é ainda uma obra popular entre nós. Não ha muitos annos que se fez d’ella uma nova edição completa e os exemplares das antigas, que muitas vezes apparecem no mercado, acham promptos compradores principalmente os dos tomos VIII, IX e X, quando se encontram á venda separados pois servem aos curiosos para completar as collecções dos seis primeiros tomos.” Referência: 0911LM037
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