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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. MENDES PINTO. (Fernão) PEREGRINAÇÃO DE FERNÃO MENDES PINTO,POR ELLE ESCRITTA, QUE CONSTA DE MUITAS, E MUITO ESTRANHAS COUSAS, que vio, & ouvio no Reyno da China, no de Tartaria, no do Pegú, no de Martavão, & em outros muytos Reynos, & Senhorios das partes Orientaes E TAMBEM DA’ CONTA MUYTOS CASOS PARTICULARES, que acontecéraõ assim a elle, como a outras muytas pessoas & no fim della trata brevemente de alguas noticias, & morte do Santo Padre Mestre Francisco Xavier, única luz, & resplendor daquellas partes do Oriente, & nellas Reytor universal da Companhia de Jesus, OFFERECIDA AO EXCELENTISSIMO SENHOR DOM PEDRO DE CASTELLO BRANCO CORREA E CUNHA, CONDE DE POMBEYRO, E SENHOR DA MESMA VILLA, & da de Bellas… E AGORA DE NOVO CORRECTA, E ACCRESCENTADA COM A conquista do Reyno do Pegú feyta pelos Portuguezes, sendo Visorrey da Índia Ayres de Saldanha no anno de 1600. LISBOA: Na Officina de JOSEPH LOPES FERREYRA, & impressa à sua custa. Anno de M. DCCXI. (1711) In fólio de 28,5x20 cm. Com (iv)-400 pags. Encadernação da época inteira de pele com nervos, ferros a ouro e rotulo vermelho na lombada. Folha de rosto impressa a duas cores, o texto impresso a duas colunas. Exemplar com um pico de traça com 2 cm. de comprimento afectando em altura 4 linhas entre as paginas 153 e 184 e com um rasgão no último fólio com perda de papel e texto. Inocêncio II, 285 “FERNÃO MENDES PINTO, famosissimo viajante portuguez nos paizes da Asia, pelos quaes peregrinou com varia fortuna durante vinte e um annos sendo (como elle diz) treze vezes captivo e dezesete vendido. ‑ N. na villa de Montemór o velho, na provincia da Beira, ao que parece no anno de 1509, de familia obscura e pobre, pois que elle mesmo na sua obra fala uma vez da miseria e estreitesa da pobre casa de seu pae. Veiu para Lisboa, e depois de alguns incidentes serviu de moço da camara em Setubal ao mestre de S. Tiago D. Jorge, duque de Coimbra, filho natural d'elrei D. João II (ao qual Barbosa no tomo II pag. 39, e os que irreflectidamente o têem seguido, dão com erro manifesto o titulo de duque de Aveiro, que não teve, e só sim seu filho D. João de Lencastre, por mercê de D. João II em 1547.) ‑ Descontente da sua sorte, determinou passar á India, embarcando a 11 de Marco de 1537. Depois da vida aventurosa e extraordinaria tal qual elle a descreve no seu precioso livro, preparava‑se a voltar para a Europa em Janeiro de 1554, quando em Goa tomou a subita resolução de alistar‑se entre os filhos de Sancto Ignacio de Loyola, fazendo voto de viver e morrer na Companhia de Jesus, e doando‑lhe toda a sua fazenda. Permaneceu effectivamente com os jesuitas por algum tempo, e fez com o P. Belchior Nunes a viagem do Japão, na qualidade de embaixador do vice‑rei D. Affonso de Noronha ao rei de Bungo. A sua entrada na Companhia como noviço, a cujo respeito as Peregrinações taes como hoje as temos, não dizem uma só palavra, consta com a maior evidencia de documentos incontestaveis, e a relata com todas as circumstancias o P. Francisco de Sousa no Oriente conquistado, tomo I, pag. 106 a 110, e pag. 425. Não perseverando porém n'aquelle devoto proposito, por motivos que se ignoram, largou a roupeta antes de professar, e regressou para o reino, chegando a Lisboa a 22 de Septembro de 1558, pobre, mas com grandes esperanças de obter alguma remuneração dos seus serviços. Desenganado de que nada conseguia, depois de consumir em inuteis diligencias quatro annos e meio, os quaes (diz elle) lhe foram não sabe se mais pesados de soffrer que quantos trabalhos passara no discurso do tempo atraz, retirou‑se para a villa d'Almada, onde casou e teve filhos. Posto que Barbosa diga apenas vaga e incorrectamente que elle falecêra entre os annos de 1580 e 1581 (como seria isto possivel?) todavia o P. Francisco de Sousa no Anno Historico, fundando‑se não sei em que documentos, chega a assignar‑lhe a data certa do obito, collocando‑a no dia 8 de Julho de 1583. Jose Agostinho de Macedo em uma nota do seu poema O Novo Argonauta, a pag. 41 da edição de 1825. «Fernão Mendes Pinto (diz elle) que podemos considerar como o primeiro viajante da Europa pelo que pertence á Asia, é em tudo um homem benemerito da patria, e digno de memoria e estima universal. A historia de suas peregrinações é um thesouro de erudição pelo que diz respeito à Asia, até áquelle tempo incognita, é a China, de quem temos poucas relações exactas, ainda mesmo contando a descripção do P. Du Halde, e a historia de Martini. Sua linguagem é purissima, e correcta, e talvez seja um dos primeiros classicos portuguezes. Foi o primeiro descobridor do Japão, etc., etc. Do sr. Castilho transcreverei aqui textualmente as palavras de tão eloquente trecho. «A Peregrinação de F. M. Pinto é um dos livros de mais popular e aprasivel lição que jamais se escreveram em idioma algum. Percorre todos os estylos, abraça todas as situações, tem lagrimas para todos os olhos, surrisos para todos os labios, terror para todos os espiritos, pasto para todas as imaginações, consolação para todas as dores, allivio para todas as tribulações. Protheo habilissimo sabe sempre vestir a forma que na conjunctura se requer. ‑ Apraz‑vos a epopéa, o poema completo, quarteado de episodios palpitantes, mas concentrando constantemente nunca diminuido interesse no principal heroe?... A descripção de remotas, desconhecidas regiões, de outros usos, de outras religiões, de outra natureza?... O estudo da sciencia do governo, no estudo de maximas puras e sãs, lançadas a esmo sem affectação, nem pretenção?... O conhecimento de terras ainda gentias, e onde com grande proveito da moral universal, da civilisação, e dos interesses materiaes, tem vindo aos seculos vindouros muito terreno baldio que explorar?... A variedade, a concisão, o pittoresco de um estylo singelo, insinuante, que não teve modelo, nem depois imitador? Tudo isso achareis profusamente na Peregrinação de F. M. Pinto, e só uma consideração vos encherá de espanto, a saber: como homem tal, e tão grande, teve a natureza, desajudada de todo o auxilio de instrucção, forca para o crear! ‑ O maior elogio que ao nosso auctor pode dirigir‑se é dizer, que houve bons espiritos, que duvidaram totalmente da authenticidade das suas viagens, e até alguns da propria existencia do viajante! Houve quem tivesse a sua Peregrinação por manifestamente romance, tecido das diversas noticias que se tinham das diversas cousas da China, com o fim de, por este meio allegorico, narrar os excessos com que os portuguezes por aquellas partes contrabalançavam as sementes da civilisação, que alli lançaram dirigir contra excessos taes severas e opportunas reprehensões, e finalmente elevar aos ouvidos dos grandes algumas advertencias politicas, que aquella amena fórma tornasse mais faceis de tragar: tambem se pensou que o individuo Fernão Mendes mais não fosse do que isso a que hoje chamam um mytho, como Theseu, Hercules, Antenor, Anacharsis etc. ‑ Esperâmos no decurso d'esta memoria, além de outros pontos até hoje escuros, ou duvidosos por falta de averiguação, pôrmos a claro o pouco fundamento d'estas vozes...» Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto. Em Lisboa. Por Pedro Craesbeeck. Anno 1614. A custa de Belchior de Faria Cavaleyro da casa del Rey nosso Senhor, & seu Livreyro. Com privilegio Real. Está taixado este livro a 600 reis em papel. ‑ Fol. de II? folhas, numeradas pela frente, sem contar as do indice final. Posto que a impressão só se fizesse, ou ao menos se completasse no anno de 1614, é todavia certo que a obra se achava licenceada, e prompta a entrar no prelo desde 1603, por que assim o declaram as respectivas licenças. Pelo testemunho expresso do conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes consta que o chronista mór Francisco de Andrade (falecido no proprio anno de 1614) preparára e dirigira esta edição, servindo‑se das memorias que Mendes Pinto deixara. Mas o sr. Castilho segue opinião contraria, e conclue que a Francisco d'Andrade póde caber, quando muito a gloria «de ter sabido na intitulação dos capitulos, imitar o estylo de Pinto, de um modo summamente honroso mas que em todo o caso, a obra d'este tal qual elle a deixára, longe de haver sido melhorada, por quem quer que fosse, parece ter sido em parte roubada, em parte hostil e atrozmente truncada, e alterada.» E tracta de fundamentar com razões de grande pezo estes assertos, na discussão que enceta sobre este ponto a pag. 51 do tomo e parte acima citados. D'esta primeira edição existem hoje na Bibl. Nacional não menos de tres exemplares: um pertencente ao antigo fundo do estabelecimento, e os dous provindos das livrarias n'elle incorporadas de Cypriano Ribeiro Freire, e D. Francisco de Mello Manuel. Os poucos exemplares que d'ella apparecem rarissimas vezes á venda, tem corrido pelos preços de 2:400 até 3:600 réis. Sahiu em segunda edição, com leves mudanças no tilulo, Lisboa, na Offic. de Antonio Craesbeeck de Mello 1678. fol. ‑ Edição incomparavelmente de merito menor que a primeira, pois não só lhe tiraram a dedicatoria, mas alteraram a orthographia, e o texto, cortando palavras, mudando phrases, e desfigurando consideravelmente a obra. Assim mesmo viciada esta edição ficou servindo de texto para as duas que em seguida se fizeram, nas quaes com tudo cada editor foi ainda mudando o que lhe pareceu, tanto na orthographia, como nas palavras. A terceira edição sahiu em Lisboa, na Offic. de José Lopes Ferreira 1711. fol. Foi dedicada ao conde de Pombeiro, e appareceu com a immerecida qualificação de agora de novo correcta! A ella se addicionou pela primeira vez a Relação ou breve discurso da Conquista do Pegú, que até então andava impresso sobre si, na lingua castelhana em que seu auctor o escrevêra. (V. Manuel de Abreu Mousinho.)
Referência: 1001CS001
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