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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. FREIRE DE ANDRADE. (Jacinto) VIDA DE DOM JOAÕ DE CASTRÕ, QUARTO VISO-REY DA INDIA. [1769]QUARTO VISO-REY DA ÍNDIA. POR JACINTO FREYRE DE ANDRADA. NOVA EDIÇAÕ, ACRESCENTADA DA VIDA DO AUTOR. PARIS. vende-se em Lisboa em casa de Dubeuex, Mercador de Livros. M. DCC. LXIX. (1769) De 16,5x10 cm. Com xx-483 pags. Encadernação da época inteira de pele com nervos e rotulo vermelho na lombada. Ilustrado com os retratos de D. João de Castro, Coge Çofar e uma planta desdobrável de Diu durante o cerco com o retrato de D. João de Mascarenhas. Esta edição não consta em Inocêncio III 239.”JACINTO PREIRE DE ANDRADE, Presbytero secular, Bacharel em Canones pela Universidade de Coimbra, e Abbade de Sancta Maria das Chans no bispado de Viseu, que era então um dos mais opulentos beneficios d"este reino, como diz Barbosa. Rejeitou o bispado de Viseu, para o qual pretendia nomeal-o el-rei D. João IV, allegando « que não queria gosar de uma dignidade em leite, pois não podia ser em carne». Alludia á repulsa do papa em confirmar os bispos apresentados por aquelle monarcha depois da sua elevação ao throno portuguez. Foi natural da cidade de Beja, onde n. em 1597, e m. em Lisboa a 13 de Maio de 1657. Para a sua biographia, além da Bibl. Lus. no tomo II, vej. a que escreveu Fr. Domingos Teixeira, que serve de introducção ao tomo II da Vida de Gomes Freire de Andrade, e também algumas especies interessantes na noticia que d"elle da o bispo de Viseu Lobo, nas suas Obras, tomo I, pag. 302. Póde egualmente lêr-se o Ensaio biogr. crit. de J. M. da Costa e Silva no torno VI, de pag. 49 a 105 e em fim a Memoria escripta pelo sr. P. José de Oliveira Berardo, inserta no tomo I, parte 2.ª das da Acad. R. das Sciencias (Nova serie, classe 2.ª) onde se acham outras especies curiosissimas, e novamente descobertas. E. 20) (C) Vida de Dom João de Castro, quarto viso-rei da India. Offerecida ao ill.mo e rev.mo sr. D Francisco de Castro, do Conselho geral do Sancto Officio, e de Sua Alteza, etc. Lisboa, na Offic. Craesbeeckiana 1651. fol. de VIII 444 pag., afóra o indice, que tem 48 pag. não numeradas. É ornada de um elegante frontispicio gravado, além do rosto impresso. Segunda edição, ibi, por João da Costa 1671. fol. Terceira edição, ibi, pelos herdeiros de Miguel Deslandes 1703. fol. de VIII-490 pag. Quarta vez, ibi, na Offic. da Musica 1722. 8.º Quinta impressão, ibi, por Antonio Isidoro da Fonseca 1736. 4.º de VIII 476 pag. (sahiu n"esta acrescentada uma carta original de S. Francisco Xavier, em que dá noticia ao P. Ignacio Martins da morte do viso-rei e bem assim a resposta dada por João Pinto Ribeiro á carta que lhe enviára Simão Torrezão Coelho, remettendo-lhe o Elogio de D. João de Castro.) Depois d"estas cinco edições, mencionadas por Barbosa, continuou a ser muitas vezes reimpressa, por exemplo: Lisboa, por Domingos Rodrigues 1747. 4.° de IV 371 pag. París, na Offic. de Francisco Ambrosio Didot 1759. 12.º Ibi (acrescentada da vida do auctor) na Offic. de Stoupe 1779. 8.º de XX 484 pag. Lisboa, na Offic. de Antonio Gomes 1786. 8.º Ibi, na Offic. de Simão Thaddeo Ferreira, 1798. 8.º Ibi, na Imp. Regia 1804. 8.º Madrid, 1804. 8.º París, na Offic. de J. Smith 1818. 12.º Lisboa, na Typ. Rollandiana 1786, 1815, 1822, 1834, e 1839. 8.º Pernambuco, 1844. 8.° etc. etc. D"entre estas numerosas edições merece menção distincta a que por ordem da Acad. R. das Sciencias sahiu com o titulo seguinte: Vida de D. João de Castro.... Impressa conforme a primeira edição de 1651. Ajuntam-se algumas breves notas, auctorisadas com documentos originaes e ineditos, por D. Francisco de S. Luis. Lisboa, Typ. da Acad. R. das Sciencias 1835. 4.º de VIII 514 pag., com um retrato de D. João de Castro. A Vida e indice respectivo terminam a pag. 354: seguem-se as Notas de pag. 355 a 396 e d"ahi até o fim os Documentos, cujo numero sobe a 65, quasi todos importantes para a elucidação dos pontos da historia a que se referem. A mesma edição sahiu reproduzida em París, em casa de Aimé André 1837. 12.º Esta vida escreveu seu auctor a instancias repetidas do bispo D. Francisco de Castro, neto do heróe. «Assim (diz o bispo de Viseu) o valioso titulo porque mereceu a estimação dos seus naturaes, e porque a sua memoria passou á posteridade, e talvez larga posteridade, foi arrancado á sua indifferença pelas importunações de um amigo. » Este livro, popularissimo em Portugal, é também conhecido dos estrangeiros, havendo d"elle duas traducções uma na lingua ingleza, por Petter Wichek, com o titulo: The Life of Dom John de Castro the fourth viceroy of India. London, 1664. fol.: e outra em latim pelo jesuita P. Francisco Maria del Rosso, impressa em Roma 1727. 4.º, da qual vi um exemplar na livraria do falecido conselheiro José da Silva Carvalho. Diverso, e ás vezes contradictorio é porém o conceito, que de Jacinto Freire como prosador em pontos de linguagem e estylo fazem os nossos philologos-criticos de maior nomeada. Alguns o elevaram talvez excessivamente, pretendendo collocal-o em grau mais superior do que na realidade lhe competiria outros, havendo-se para com elle severos em demasia, tentaram rebaixar o seu merito áquem do que por ventura exige a justiça que se lhe deve. Não me parece que será desagradavel expôr aqui textualmente algumas d"essas opiniões encontradas, que mostram a difficuldade de conciliar ás vezes em materias de gosto os juizos dos entendidos. Ouçâmos primeiramente D. José Barbosa, cujo voto parece de algum pezo, como de homem tido na conta de bom conhecedor dos mysterios da lingua portugueza, e que em seus escriptos deixou exemplos para imitação aos que desejarem cultival-a com acerto: «Na Vida de D. João de Castro se admira o elevado dos pensamentos e o fluido do estylo. N"ella se vê a verdadeira lingua portugueza, dizendo e explicando tudo sem o soccorro de vozes extranhas introduzidas ou por moda, ou por ignorancia do nosso idioma. Bem sei que não faltam genios tão austeramente criticos, que censuram alguns pensamentos que se acham n"aquella historia. Não me admiro, depois que li que houve barbaros, que apedrejaram o sol. A critica que se lhe faz não é filha de razão, senão de inveja, e não pezaria aos mesmos que o censuram serem réos de similhantes delictos.» Seja o segundo o P. Francisco José Freire, que nas suas mui conhecidas Reflexões sobre a lingua portugueza, falando de Jacinto Freire, diz: «Tem por sua purissima locução um logar distincto entre os classicos da nossa lingua. A sua Vida de D. João de Castro é um perfeito modêlo da força, gravidade, e energia da legitima lingua portugueza. Nota-se-lhe um ou outro defeito, como v. g. dizer A altura da elevação do polo, mas em geral guardou exactissimo respeito ás veneraveis cans e ancianidade da nossa genuina linguagem.» Deixemos falar agora o consciencioso professor Pedro José da Fonseca, ao tractar da Vida de D. João de Castro no Catalogo que antecede o Diccionario da lingua portugueza da Academia: « Esta obra na verdade concorreu muito para o restabelecimento da pureza, aravidade e elegancia da boa linguagem antiga, que se achava corrompida nos escriptos dos auctores contemporaneos. Mas o seu estylo, claro, nobre, energico, e vigoroso, não se pode chamar hyperbolico pois os successos e caracteres, verdadeiros todos, e exprimidos com a decencia que lhes convém, nada representam contrafeito, ou exagerado e a imaginação que os vivifica e sempre moderada e judiciosa. Não deve porém negar-se que se aquelle, menos monotono, não fosse tão excessivo em antitheses, e sensivelmente artificioso, pouco tivera n"elle que desejar para a perfeição a mais severa censura. Sem embargo d"isso, este só livro conseguiu a seu auctor o que tantos com muitos nunca chegam a obter, isto é, geral apreço, e celebridade de nome.» Passemos a ver a medalha pelo reverso. Eis-aqui o que diz o Bispo de Viseu, no tomo II das suas Obras, pag. 163, ao formar uma especie de parallelo entre Jacinto Freire e Fr. Luis de Sousa: « Se os escriptos de Sousa são isemptos, como dizia o censor Fr. Agostinho, de affeites e artificios viciosos não podemos dizer outro tanto da Vida de D. João de Castro. Logo na primeira e segunda linha perde Jacinto Freire o condeito de moderado, emprega uma agudeza, e uma agudeza que não é muito facil de entender. No arcebispo (D. Fr. Bartholomeu dos Martyres) vêmos, tractâmos o prelado, e o homem em D. João de Castro não vêmos senão o soldado e se vêmos o homem é nas suas cartas, de que Freire nos offerece as cópias. Um estylo tão discreto, tão agudo, tão affectado não diz com heróe tão grave diria melhor, por exemplo, com Persiles e Sigismunda. Quer ser eloquente o auctor, e não é senão inchado. A larga oração de Coge Çofar nem tem verisimilhança, nem tem em varios rasgos senso commum e só poderá ser tolerada de portuguezes, de quem é a satyra apparente, e dissimulado elogio. Até o numero e cadencia das palavras em todo o livro são pouco entendidas, porque fogem do que é dado á prosa, e vão entrar no que pertence á poesia. A cada paragrapho, e quasi a cada oração, topamos com versos. Não nego que, com tantos e taes defeitos de substancia e fórma, tem tido estimação muito sustentada, o que é prova de merecimento: que se lê uma e muitas vezes com prazer, e se imprimem facilmente na memoria do leitor, e se conservam os seus fragmentos, o que também ergue muita valia mas a nobre generosidade do assumpto, algumas sentenças justas, certas expressões bem achadas, grande concisão, e esse mesmo ar e tom poetico, são as causas d"aquelles effeitos. As faltas de Freire de Andrade convém com as de Seneca, em serem agradaveis e o meu compatriota a par de Fr. Luis de Sousa, traz á memoria, guardadas as proporções, Lucio Floro confrontado com Tito Livio muito abaixo d"elle na verdade, sem ser de todo despresivel.» Terminaremos com o que diz ao mesmo proposito João Bernardo da Rocha, que vai muito além do Bispo de Viseu: «Jacinto Freire de Andrade, tido em conta de classico por a degeneração de nossos ultimos escriptores, é monotono em suas descripções, tenue ou exiguo no estylo, e muitas vezes inchado, sobremodo affectado, e mui dado ao uso de figuras perigosas, como é a antithese. O historiado D. João de Castro, segundo o que tenho lido d"elle, escrevia e falava melhor que o seu historiador e haja vista á carta escripta por aquelle á camara de Goa, e á sua fala a pedir alimentos na ultima doença, as quaes peças são a melhor riqueza na vida de D. João de Castro.»” Referência: 1002CS010
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