RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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JESUS. (Frei Tomé de) TRABALHOS DE JESV. SEGVNDA PARTE.

QVE PASSOV DESDE O ORTO de Gethsemani, atè sua morte, q[ue] saõ os trabalhos de sua sacratíssima payxaõ. Continuaõ se nesta segunda parte os capítulos, & exercícios dos trabalhos do señor pella orde da primeira começando no trabalho 26. até os 50. Composta por Frei Thomè de IESV Portugues da Prouincia de Portugal da orde dos Eremitas de S. Agostinho, & captivo em Berberia. Aos 50.annos de seu degredo da Patria Celestial. Impresso co liceça da S. Inquisição: Em Lisboa. Por Vicente Aluarez. Anno 1609.

In 8º (de 14x10 cm) com [viii], 407 pags.

Encadernação da época em pergaminho flexível, com restauro da pasta anterior.

Ilustrado com vinheta na folha de rosto; capitulares decorativas no início da protestação e do início do texto; e uma bela marca de impressor no colofón em forma de sinete da inquisição com motivos agostinianos.

1.ª edição. Trata-se da segunda parte de uma obra clássica da literatura portuguesa, a primeira parte foi publicada separadamente por Pedro Craesbeeck em 1602, considerando-se por isso um especimen bibliografico indepêndente.

Inocêncio VII, 359: 'FR. THOMÉ DE JESUS, Eremita Augustiniano, cujo instituto professou no convento da Graça de Lisboa, a 27 de Março de 1544. Foi o primeiro fundador da reforma dos chamados Agostinhos descalços, mais vulgarmente conhecidos pela denominação de Grillos; reforma que todavia só se realisou depois da sua morte. - N. em Lisboa, pelos annos de l529, filho de Fernão Alvares de Andrade, thesoureiro mór de el-rei D. João III; e teve por irmãos, alem de outros, o theologo Diogo de Paiva de Andrade, e Francisco de Andrade, chronista-mór (dos quaes se fez menção n'este Diccionario nos artigos competentes), e D. Violante de Andrade, que foi condessa de Linhares pelo seu casamento com o segundo conde do mesmo titulo. Chamado por el-rei D. Sebastião para o acompanhar na infeliz jornada de Africa, ahi ficou ferido e captivo na batalha de Alcacer, sendo conduzido para Maquinez, onde foi cruelmente atormentado, e jazeu por muito tempo em uma escura masmorra, até que por diligencias e instancias do embaixador de Portagal o mandaram transferir para Marrocos. N'esta cidade manifestou os mais heroícos sentimentos de charidade christã, regeitando a pousada que se lhe offerecia, para ir lançar-se no carcere onde estavam os captivos de inferior condição, a fim de os servir e confortar em suas tribulações, querendo antes padecer com elles do que acceitar o resgate que seus parentes por vezes lhe offereceram. N'este exercicio se lhe aggravaram os padecimentos causados pelo duro tractamento que supportára em Maquinez, e depois de penosa enfermidade succumbiu emfim aos 17 de Abril de 1582, quando contava 53 annos de edade, e quasi quatro de captiveiro. Para a sua biographia vej. a Vida que d'elle escreveu o arcebispo D. Fr. Aleixo de Menezes, impressa em algumas edições dos Trabalhos de Jesus; - E tambem os Retratos e Elogios de Varões e Donas etc. Ahi se declara a razão por que o seu retrato, hoje existente na Bibl. Nacional de Lisboa, apparece com o habito de Agostinho reformado. Ha ainda um interessante artigo a seu respeito no Panorama, n.° 49 da 1.ª serie, a pag. 108; e outro nos Estudos biograph. de Barbosa Canaes, pag. 197, etc. Em uma curta noticia, que no Murmurio, periodico de Braga, n.º 15, columna 1.ª, precede a transcripção do principio de uma carta inedita d'este veneravel padre (que é para sentir se não completasse), lê-se com manifesta equivocação que elle falecêra em Lisboa, quando a verdade é que morreu em Marrocos, como dito fica. As obras em portuguez que nos ficaram de Fr. Thomé de Jesus, compostas no seu captiveiro, são as seguintes: 360 235) (C) Trabalhos de Jesus. Parte I. Lisboa, por Pedro Craesbeeck 1602. 8.º de XV--554 folhas, assim numeradas: porém vê-se pelo decurso do livro uma contínua irregularidade, havendo varias duplicações de numeros, e faltas de outros. -A publicação posthuma verificou-se por diligencia de Fr. Manuel da Conceição, que sobre ser religioso da mesma ordem, era tambem sobrinho do auctor. (Vej. no Diccionario, tomo V, pag. 399). - A Parte II só se imprimiu passados septe annos, Lisboa, por Vicente Alvares 1609. 8.º de VIII--407 folhas, tambem numeradas só na frente, como as da primeira parte. - Esta edição da Segunda parte vem erradamente indicada por Barbosa na Bibl. como feita por Pedro Craesbeeck; erro que (é para admirar!) se emendou no pseudo -Catalogo da Academia, restituindo-se a dita parte ao seu verdadeiro impressor Vicente Alvares. Sahiram os Trabalhos em segunda edição, contendo ambas as partes: Lisboa, por Domingos Carneiro 1666. 4.º 2 tomos - e em terceira, ibi, na Offic. Augustiniana 1733. 4.º 2 tomos, com LVI--708 pag., e 599 pag. - N'esta edição accrescentou-se a Vida do servo de Deus, por D. Fr. Aleixo de Menezes.


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Referência: 1303JC016

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