RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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SARTOLO. (Padre Bernardo) EL DOCTOR EXIMIO, Y VENERABLE PADRE FRANCISCO SUAREZ DE LA COMPAÑIA DE JESUS

en la fiel Imagen de sus heroicas virtudes, Por el Padre BERNARDO SARTOLO De la misma Compañia, Cathedratico de Theologia en su Colegio de Salamanca, y Calificador del Santo Oficio, Edicion Segunda. COIMBRA: En el Real Colegio de las Artes de la Compañia de Jesus, Año M. DCC. XXXI. [1731]. Con licencia de los Superiores.

In 4.º de 21x15 cm. Com [xxiv], 503, [i br.] págs. Encadernação da época, inteira de pele, com rótulo vermelho, nervos e ferros a ouro. Ilustrado com uma gravura com retrato do biografado, aos 70 anos, da autoria de Bernardo dos Santos, datada de 1730.

Folha de rosto a preto e vermelho, com pequeno florão decorativo ao centro. Impressão em caracteres pequenos e muito nítidos, ornamentado com belos cabeções com o trigrama sagrado, característico da Companhia de Jesus ao centro, enquadrado por ramagens, cornucópias e frutos, com iniciais decoradas e belos florões de remate.

Exemplar muito valorizado pela assinatura de posse de Rita Amada de Jesus, (Beatificada por Bento XVI, em 28 de Maio de 2006 e com o processo de canonização a decorrer). A assinatura foi feita em Louriçal do Campo, localidade onde se situou, entre 1900 e 1910, o Noviciado e a Casa Mãe da congregação que fundou.

As páginas preliminares contêm uma extensa dedicatória ao Padre Tirso Gonzalez de Santalla, Doutor, Catedrático de Prima jubilado na Universidade de Salamanca e proposito Geral da Companhia de Jesus. Licença da Companhia de Jesus, Bilbau, 26 de Setembro, de 1692; Aprovação de D. Ignácio de Arrelus y Vidaurre, em 26 de Setembro de 1693; Licença do Arcebispo de Toledo, em 28 de Setembro, de 1693 Aprovação do Padre Juan de Palazol, S. J. em 7 de Março, de 1693; Carta ao autor do Catedrático da Universidade de Granada, Eustáquio de Perea y Porras, 28 de Abril, de 1693. Protestação do autor sobre o respeito pelos decretos de Urbano VIII, de 1625, relativos às biografias de pessoas não canonizadas; e licenças portuguesas da segunda edição, de 20 de Junho, de 1730 a 15 de Fevereiro, de 1731.

Edição conimbricense, rara, de uma obra originalmente publicada em Salamanca, em 1693. É a obra mais célebre de Bernado Sartolo, em que fica patente o seu estilo cuidado e a sua argumentação de grande lucidez. Composta por um total de 87 capítulos distribuídos por quatro livros. No fim, da página 497 à 503, tem um índice dos capítulos. O autor narra pormenorizadamente a biografia de Francisco Suarez, padre da Companhia de Jesus, que foi um grande teólogo, jurista e filósofo político, percursor da modernidade pela reformulação da teoria do poder que expõe nas suas obras.

Na sua perspectiva, o poder do rei era transmitido imediatamente pelo povo, que o recebia de Deus, mas na condição de servir o bem comum. Era por isso um poder revogável, se não fosse utilizado para o fim que legitimara a sua transmissão. Ao povo organizado em comunidade política, (não um conjunto de indivíduos, como defendido posteriormente por Rousseau) assistia, pois, o direito de deposição do rei quando este não cumpria os termos do contrato de sujeição estabelecido no acto da sua atribuição. Em síntese, ao povo organizado em comunidade política assistia o direito de revolta contra a tirania.

O seu pensamento foi uma das bases da Revolução de Dezembro de 1640, em que Portugal escolheu um rei Português e depôs o rei espanhol Filipe III, por este não estar a usar o poder para os fins a que estava obrigado.

Assim, a sua obra, apesar da grande divulgação que conheceu em todo o mundo, foi ignorada em Portugal devido à perseguição do Marquês de Pombal aos jesuítas e em especial a Suarez, que punha em causa a teoria da Monarquia de Direito Divino defendida pelo Marquês, em que o rei recebia o poder directamente de Deus e por isso não tinha de prestar contas a ninguém e nunca poderia ser deposto ou julgado. Ou seja, as posições do Marquês foram um retrocesso em relação à modernidade do pensamento de Suarez, que está na base dos princípios democráticos e do moderno direito internacional.

Pelos mesmos motivos, exemplares da sua obra, Defensio Fidei, Coimbra, 1613, foram queimados em público na cidade de Londres, em 1 de Dezembro de 1613, foi condenada pelo Parlamento de Paris (era um tribunal) e também queimada na mesma cidade em 26 de Junho de 1614.

FRANCISCO SUÁREZ, S.J. (Granada, 1548 - Lisboa, 1617), jesuíta, teólogo, jurista e filósofo espanhol, conhecido como Doutor Exímio, professor em Coimbra entre 1597 e 1615, está sepultado na Igreja de S. Roque, em Lisboa. Foi admitido na Companhia de Jesus em 16 de Junho de 1564, ensinou nos colégios da Companhia de Valladolid (1574-1575); Segóvia e Ávila (1575-1576); Roma (1580-1585); Alcalá de Henares (1585-1593) e na Universidade de Salamanca (1593-1597).

A sua obra é um dos cumes da tradição tomista jesuíta e um dos maiores representantes da chamada segunda escolástica que teve um grande desenvolvimento em Portugal. É autor de grande número de obras, entre as quais se destacam as seguintes: De Verbo Incarnato, Alacalá de Henares, 1590; Disputationes Metaphysicae, Salamanca, 1597; Varia Opuscula Theologica, Madrid, 1599; De Virtute et Statu Religionis, Coimbra, 1608-1609; Tratactus De legibus, Coimbra, 1612; Defensio Fidei Catholicae, Coimbra, 1613; De Fide, Coimbra, 1615; De Gratia, Coimbra, 1619; e De Opere Sex Dierum, Lyon, 1621.

BEATA RITA AMADA DE JESUS (Casalmendinho, Ribafeita, 1848 - Ribafeita, 1913) Fundadora do Instituto das Irmãs de Jesus Maria José. Beatificada pelo Papa Bento XVI, em 28 de Maio de 2006, a sua festa litúrgica ocorre a 24 de Setembro. Segundo Maria de Lurdes Rosa pertenceu a um importante grupo constituído pelas figuras femininas fundadoras e reorganizadoras de uma Igreja clandestina e perseguida ou em recomposição e também participantes, a seu modo, de um protagonismo feminino generalizado noutros sectores da sociedade.

Desde jovem sentiu uma forte vocação para uma vida religiosa e para a ajuda e educação de raparigas jovens. Aos 29 anos entrou num convento das Irmãs de Misericórdia, autorizada em Portugal por ser estrangeira (de origem Irlandesa). Em 1880 deixa a congregação e fundou um colégio para meninas abandonadas em Ribafeita. Posteriormente instalou o Noviciado para a Formação das Irmãs, no ano de 1892, em Tourais, transferido em 1900 para Louriçal do Campo (segunda propriedade adquirida pela Fundadora) onde se instalou também a Casa Mãe. A aprovação do Instituto pela Santa Sé deu-se a 10 de Maio de 1902, por decisão do Papa Leão XIII; fundou novas casas (Paramos 1905, Castelo Branco, 1907 e 1908).

A Proclamação da República em Portugal à 5 de outubro de 1910 promoveu a perseguição e extinção das Congregações Religiosas. Madre Rita Amada de Jesus não foi poupada e viu as suas obras serem fechadas e as suas Irmãs dispersas. A 31 de outubro de 1912 logrou enviar um grupo de 6 Irmãs para o Brasil, ao qual se seguirem outros 7 grupos, totalizando 51 Irmãs. A Providência Divina salvou o Carisma e a Obra de Rita Amada de Jesus, com esta transferência da congregação para o Brasil, até ser possível regressar a Portugal. Esta história de inquebrantável fé, de autêntico compromisso cristão e de permanente busca da Santa Vontade de Deus continua até aos dias de hoje, em que a congregação está presente em Portugal, (comunidades em Coimbra, Guarda, Lisboa, Porto, Viseu e um Centro Social em Ovar) Brasil, Bolívia, Peru, Paraguai, México, Moçambique, Angola e Cabo Verde.

BERNARDO SARTOLO (Tudela, 1654 - 1700) Jesuíta da província de Castela, ensinou teologia nos colégios de Valladolid e Salamanca e distinguiu-se como orador. Da sua extensa obra foram publicados os seguintes trabalhos: Tractatus III, De Scientia Dei, Villagarcía de Campos, 1766; Epítome de la vida del venerable P. Luis de la Puente, resumen de la bibliografía redactada por Francisco Cachupín, Madrid, 1690, nas obras do Padre de Luis de la Puente, Pamplona, 1767; Vida admirable y muerte prodigiosa de Nicolás de Ayllón, Barcelona, 1680; Sermón de S. Francisco de Paula, tenido en la catedral de Palencia, Valladolid, 1697; Oración penegírica del día festivo de S. Gregorio el Magno, Segovia, 1681.

 In quarto. 21x15 cm. [xxiv], 503, [i bl.] pp. Contemporary full leather binding, with red label, raised bands and gilt tools on spine. Illustrated with an engraving of a portrait of the biographer, aged 70, by Bernardo dos Santos, dated 1730.

Title page in black and red, with a small decorative fleuron in the centre. Printed in small, very clear characters, decorated with beautiful headpieces with the sacred trigram, characteristic of the Society of Jesus in the centre, framed by branches, cornucopias and fruit, with decorated initials and beautiful finishing fleurons.

Copy highly valued by the handwritten ownership title of Rita Amada de Jesus, (beatified by Benedict XVI on 28 May 2006 and with the process of canonisation underway). The signature was made in Louriçal do Campo, where the Novitiate and Mother House of the congregation she founded were located between 1900 and 1910.

The preliminary pages contain an extensive dedication to Father Tirso Gonzalez de Santalla, Doctor, retired Professor of Prima at the University of Salamanca and Superior General of the Society of Jesus. Licence from the Society of Jesus, Bilbao, 26th September 1692; Approval from Bishop Ignacio de Arrelus y Vidaurre, 26th September 1693; Licence from the Archbishop of Toledo, 28th September 1693; Approval from Father Juan de Palazol, S. J., 7th March 1693; Letter to the author from the Professor of the University of Granada, Eustaquio de Perea y Porras, 28th April 1693. Protestation by the author about respect for the decrees of Urban VIII of 1625 concerning the biographies of non-canonised persons; and Portuguese licences for the second edition from 20 June 1730 to 15 February 1731.

A rare edition from Coimbra of a work originally published in Salamanca in 1693. It is Bernado Sartolo"s most famous work, which shows his careful style and lucid argumentation. It comprises a total of 87 chapters spread over four books. At the end, from page 497 to 503, there is an index of the chapters. The author gives a detailed account of the biography of Francisco Suarez, a priest of the Society of Jesus, who was a great theologian, jurist and political philosopher, a forerunner of modernity for his reformulation of the theory of power set out in his works.

In his view, the king"s power was transmitted immediately by the people, who received it from God, but on condition that it served the common good. It was therefore a power that could be revoked if it was not used for the purpose that legitimised its transmission. The people organised as a political community (not a group of individuals, as Rousseau later argued) therefore had the right to depose the king when he failed to comply with the terms of the contract of subjection established when he was appointed. In short, the people organised as a political community had the right to revolt against tyranny.

His thinking was one of the foundations of the Revolution of December 1640, in which Portugal chose a Portuguese king and deposed the Spanish king, Philip III, because he was not using power for the purposes he was obliged to.

Thus, his work, despite its widespread dissemination around the world, was ignored in Portugal due to the Marquis of Pombal"s persecution of the Jesuits and especially Suarez, who questioned the theory of the Monarchy of Divine Right defended by the Marquis, in which the king received power directly from God and therefore had no accountability to anyone and could never be deposed or judged. In other words, the Marquis" positions were a step backwards in relation to the modernity of Suarez"s thinking, which underpins democratic principles and modern international law.

For the same reasons, copies of his work, Defensio Fidei, Coimbra, 1613, were burned in public in the city of London on 1 December 1613, were condemned by the Parliament of Paris (it was a court) and also burned in the same city on 26 June 1614.

FRANCISCO SUÁREZ, S.J. (Granada, 1548 - Lisbon, 1617), Spanish Jesuit, theologian, jurist and philosopher, known as Doctor Exímio, professor in Coimbra between 1597 and 1615, is buried in the Church of St Roque in Lisbon. He was admitted to the Society of Jesus on 16 June 1564 and taught at the Society"s colleges in Valladolid (1574-1575); Segovia and Ávila (1575-1576); Rome (1580-1585); Alcalá de Henares (1585-1593) and the University of Salamanca (1593-1597).

His work is one of the pinnacles of the Jesuit Thomist tradition and one of the greatest representatives of the so-called second scholasticism, which developed greatly in Portugal. He is the author of a large number of works, including the following: De Verbo Incarnato, Alacalá de Henares, 1590; Disputationes Metaphysicae, Salamanca, 1597; Varia Opuscula Theologica, Madrid, 1599; De Virtute et Statu Religionis, Coimbra, 1608-1609; Tratactus De legibus, Coimbra, 1612; Defensio Fidei Catholicae, Coimbra, 1613; De Fide, Coimbra, 1615; De Gratia, Coimbra, 1619; e De Opere Sex Dierum, Lyon, 1621.

BEATHER RITA AMADA DE JESUS (Casalmendinho, Ribafeita, 1848 - Ribafeita, 1913) Foundress of the Institute of the Sisters of Jesus Mary Joseph. Beatified by Pope Benedict XVI on 28 May 2006, her liturgical feast falls on 24 September. According to Maria de Lurdes Rosa, she belonged to an important group made up of female founders and reorganisers of a clandestine and persecuted Church or one that was being re-established, and also participants, in their own way, in a widespread female protagonism in other sectors of society.

From a young age, she felt a strong vocation to religious life and to helping and educating young girls. At the age of 29 she entered a convent of the Sisters of Mercy, authorised in Portugal because she was a foreigner (of Irish origin). In 1880 she left the congregation and founded a school for abandoned girls in Ribafeita. She then set up the Novitiate for the formation of the Sisters in 1892 in Tourais, which was transferred in 1900 to Louriçal do Campo (the second property acquired by the Foundress) where the Mother House was also set up. The Institute was approved by the Holy See on 10 May 1902, by decision of Pope Leo XIII; new houses were founded (Paramos 1905, Castelo Branco, 1907 and 1908).

The Proclamation of the Republic in Portugal on 5 October 1910 led to the persecution and extinction of religious congregations. Mother Rita Amada de Jesus was not spared and saw her works closed and her Sisters dispersed. On 31 October 1912, she managed to send a group of six Sisters to Brazil, followed by another seven groups, totalling 51 Sisters. Divine Providence saved the charism and work of Rita Amada de Jesus with this transfer of the congregation to Brazil, until it was possible to return to Portugal. This story of unbreakable faith, authentic Christian commitment and constant search for God"s Holy Will continues to this day, when the congregation is present in Portugal (communities in Coimbra, Guarda, Lisbon, Porto, Viseu and a Social Centre in Ovar), Brazil, Bolivia, Peru, Paraguay, Mexico, Mozambique, Angola and Cape Verde.

BERNARDO SARTOLO (Tudela, 1654 - 1700) A Jesuit from the province of Castile, he taught theology at the colleges of Valladolid and Salamanca and distinguished himself as an orator. His extensive oeuvre included the following works: Tractatus III, De Scientia Dei, Villagarcía de Campos, 1766; Epítome de la vida del venerable P. Luis de la Puente, resumen de la bibliografía redactada por Francisco Cachupín, Madrid, 1690, in the works of Padre de Luis de la Puente, Pamplona, 1767; Vida admirable y muerte prodigiosa de Nicolás de Ayllón, Barcelona, 1680; Sermón de S. Francisco de Paula, tenido en la catedral de Palencia, Valladolid, 1697; Oración penegírica del día festivo de S. Gregorio el Magno, Segovia, 1681.

Referências/References:

Maria de Lurdes Rosa - Hagiografia e Santidade. In: Dicionário de História Religiosa de Portugal, II.º Vol. Círculo de Leitores, Lisboa, 2000, p. 347 e 357.

Gran Enciclopedia de Navarra. (Recurso “online”)

Palau (1990) VI, 469.

Ernesto Soares, Hist. da Gravura, 1796.

Palau, 302645.

Nepomuceno 1686.


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