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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. EÇA DE QUEIRÓS. (José Maria de) O CRIME DO PADRE AMARO.Edição definitiva. Typographia Castro Irmão. Lisboa. 1876. De 22x14,5 cm. Com [vi], 362 págs. Brochado. Exemplar com falta da lombada, rasgos e falhas de papel nas capas, assim como algumas folhas soltas. Apresenta picos e manchas de humidade. Primeira edição em livro rara. Obra muito importante para o estudo da evolução do estilo e dos temas da obra de Eça de Queiroz, para o estudo do panorama da ficção portuguesa na segunda metade do século XIX, nomeadamente o início do Naturalismo, assim como para o estudo da formação das ideias e da visão anticlerical que se tornariam estruturantes do movimento republicano em Portugal. A primeira publicação foi realizada em 1875 em fascículos para a 'Revista Ocidental'. Em 1880, foi publicada uma 3.ª versão e 2.ª edição em livro e em 1889 uma 4.ª edição, contando com a primeira em fascículos e que seria a última em vida do autor A obra revela, em qualquer uma das suas versões, mas em especial nesta, alguns das linhas de força fundamentais que marcam a obra de Eça de Queiroz: uma profunda influência da literatura francesa, que, no entanto, não impediu a criação de um estilo próprio e facilmente identificável, mas principalmente um forte anticlericalismo, que se poderá mais propriamente designar por ódio à religião, que marcou grande parte da sua obra. Eça pertence indelévelmente à chamada Geração de Setenta, em que Ramalho Ortigão e Oliveira Martins, desde o evento quase iniciático das conferências do Casino em 1870, tinham o programa de ataque à Igreja Católica e defendiam a teoria da culpa da Igreja, no atraso do país e em quase tudo, sendo eles almas puras e de visão infalível, mesmo quando tinham tido uma passagem desastrosa pelo governo do país, como foi o caso de Oliveira Martins. Neste romance, Eça de Queiroz, de acordo com a ideologia da sua geração é, como afirma Carlos Reis, «um narrador atento e ideologicamente motivado», que através de constantes intervenções, que o mesmo estudioso designa de «intrusiva omnisciência», (Reis, 2022:18) condiciona o leitor a desenvolver o desprezo pela religião e pelas instituições religiosas. A acção do romance decorre em Leiria, num meio caracterizado, «por uma devoção deformada e falsificada» e «por uma sentimentalidade mórbida», como resume Carlos Reis (2022:22). Um jovem padre, Amaro, sem vocação e que tomou ordens por influência de pessoas de quem dependia económicamente, perante os péssimos exemplos de todos os outros padres, seduz uma jovem, Amélia, de quem tem um filho, que morre sempre em todas as versões do romance, sendo que na primeira e nesta segunda é assassinado pelo pai e na terceira versão assassinado com o seu consentimento. O romance termina com Amaro, anos depois, a encontrar-se em Lisboa com outro Padre, sem demonstar quaisquer remorsos e com uma atitude cínica e brejeira. Estas primeiras versões do romance receberam muitas críticas, do ponto de vista estritamente literário, (muitas mais do ponto de vista ideológico e religioso) sendo a mais importante e fundamentada a do grande escritor brasileiro Machado de Assis, que em pequena parte foi acolhida por Eça, que matizou um pouco o caracter anticlerical do romance, mas muito pouco, com a inclusão da personagem do Abade Ferrão, entre outras alterações. Ref: BIZARRO, Rosa Porfírio - La Faute de Zola et Le Crime d'Eça FRANÇA, José-Augusto - Os crimes do padre Amaro e do primo Basílio. In O Romantismo em Portugal, Lisboa, Livros Horizonte, 1993, pp. 485-494. MOURA, Helena Cidade - Três versões de O Crime do Padre Amaro. Algumas variantes. Ocidente, LXI, 284, Dez. 1961, pp. 271-283. NUNES, Maria Luísa - As técnicas e a função do desenho de personagem nas três versões de O Crime do Padre Amaro. Porto, Lello & Irmão REIS, Carlos - Introdução. In: O crime do padre Amaro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000 (Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós). REIS, Carlos - Introdução. In: O crime do padre Amaro. Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2022. ROSA, Alberto Machado da - O problema do Crime do Padre Amaro; A crítica das três versões do Crime do Padre Amaro; Análise do Crime do Padre Amaro, versões de 1875 e 1876; O Crime do Padre Amaro de 1880. In: Eça, discípulo de Machado?, 2ª ed., Lisboa, Ed. Presença, 1979, pp. 23-31, 63-66, 77-105, 203-226, respectivamente. SENA, Jorge de - Os três Amaros. In Estudos de Literatura Portuguesa. Lisboa: Edições70, 1985 Referência: 2507PG001
Local: SACO PG147-5 Caixa de sugestões A sua opinião é importante para nós. Se encontrou um preço incorrecto, um erro ou um problema técnico nesta página, por favor avise-nos.
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