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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. MANUAL DA MISSA,Com varias Orações, e offerecido a todo o fiel Christão, para se encommendar cada hum a Deos Nosso Senhor, e accrescentado com o Officio de S. José, e Oração á Senhora da Rocha. LISBOA: Na Impressão de João Nunes Esteves, 1824. Vende-se na loja de João Nunes Esteves, rua do Ouro, N. 144. Impressão sobre papel de qualidade com caracteres redondos e alguns itálicos. Edição raríssima de um manual devocional de bolso impresso por João Nunes Esteves, ausente da BNP, PORBASE e dos principais catálogos nacionais. Os manuais devocionais de bolso, sujeitos a um uso intenso, eram frequentemente descartados quando deteriorados, justificando a sua escasses nos dias de hoje. A importância desta obra, que testemunha a história devocional dos cultos emergentes a São José e à Senhora da Rocha e a sua conexão à facção miguelista na conturbada década de 1820, combinada com uma encadernação armoriada luxuosa e anotações manuscritas de uma figura da alta sociedade do período do Estado Novo, confere a este exemplar um valor excepcional para coleccionismo bibliófilo e investigação histórica. Páginas preliminares não numeradas com índice remissivo. O manual organiza-se segundo a estrutura devocional quotidiana: «Devoção para pela manhã» (oração à Santíssima Trindade, Sagrada Família, Saudação a Nossa Senhora com Magnificat, orações ao Anjo da Guarda), secção central para assistir à Missa, orações para antes e depois da Confissão e Sagrada Comunhão, «Modo de visitar a Igreja para se lucrar qualquer Jubileu», actos das cinco virtudes principais. Inclui devoções específicas: Ofício da Puríssima Conceição da Virgem Maria, Novena das Almas, Modo de rezar a Coroa de N. Senhora das Dores, Ladainha, orações a santos (Santa Bárbara contra raios e tempestades, Santo Emígdio, S. Simeão Estelita, S. António, S. Jerónimo, Santo Anastácio Mártir, S. Sebastião, São Francisco de Borja, Santo Amaro, palavras santíssimas contra malefícios diabólicos). Páginas finais com «Officio do Glorioso Patriarcha S. José» (fls. 151-172) e «Jaculatoria a N. Senhora da Conceição da Rocha» (fl. 173), concluindo com índice em três páginas não numeradas. A devoção josefina, promovida intensamente pelos carmelitas desde o século XV e impulsionada por Santa Teresa de Ávila, culminaria na declaração de São José como Patrono da Igreja Universal por Pio IX em 1870. A inclusão do Ofício de S. José nesta edição, décadas antes da declaração de Pio, coloca-a na vanguarda do movimento devocional que culminaria meio século depois. A Oração à Senhora da Rocha refere-se à Nossa Senhora da Conceição da Rocha, descoberta milagrosamente a 31 de Maio de 1822 — apenas dois anos antes desta publicação — numa gruta junto ao Casal da Rocha, vale do rio Jamor, perto de Carnaxide. A imagem foi levada para a Sé de Lisboa por ordem de D. João VI e tornou-se símbolo de esperança durante a crise económica e social. O Infante D. Miguel (depois Rei Miguel I) devotou-se a esta Senhora da Rocha após sobreviver a acidente de carruagem, tornando-a popular entre os miguelistas. A romaria anual em Maio tornou-se uma das mais antigas da Grande Lisboa. A inclusão desta oração tão contemporânea (1822-1824) demonstra que Esteves respondia rapidamente a entusiasmos devocionais e possivelmente procurava o patronato da facção miguelista. A «alapa» (bofetada ritual) foi codificada no século XIII por Guilherme Durando, Bispo de Mende, na sua obra «Rationale Divinorum Officiorum». Derivada da colée medieval (golpe nas ordenações de cavaleiros), simbolizava exorcismo espiritual, para que o crismando nunca esquecesse o sacramento, e prontidão para combate espiritual. O bispo aplicava leve bofetada após a crismação, dizendo «Pax tecum». Esta prática vigorou universalmente desde o século XIII até 1971, quando a reforma litúrgica pós-Concílio Vaticano II a substituiu por simples sinal de paz. Uma criança confirmada em 1962 receberia definitivamente a bofetada, tornando o comentário humorístico de Ada («Zás 1 grande bofetada, mas nenhuma canelada, yes?») um dos raros testemunhos pessoais desta tradição abolida. José Guilherme Rato de Melo e Castro (Covilhã, 1914 – Lisboa, 1972) foi advogado, Governador Civil de Setúbal (1944-1947), deputado da Assembleia Nacional por seis legislaturas (1949-1972), Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1957-1963) e Presidente da Comissão Executiva da União Nacional (1968-1972). Destacou-se como o mais «liberal» dirigente do partido único do Estado Novo, defendendo publicamente em 1966, perante Salazar, a necessidade da substituição do ditador. Como Provedor da Misericórdia, criou o Totobola (1961) e desenvolveu o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Foi responsável pela eleição da «Ala Liberal» nas listas de 1969, grupo que defendia reformas democráticas dentro do regime autoritário. D. Manuel Trindade Salgueiro (Ílhavo, 1898 – Lisboa, 1965) foi bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, doutorado em Teologia pela Universidade de Estrasburgo (1924). Nomeado bispo auxiliar por Pio XII em 1940 com sede titular em Helenópolis, foi elevado a Arcebispo titular de Metilene em 1949. Conhecido como «Bispo do Mar», abençoava frotas de bacalhoeiros e presidiu à inauguração do navio-hospital Gil Eannes (1955). Representava a aliança entre Igreja, aristocracia e Estado Novo, administrando sacramentos a famílias da elite em igrejas prestigiadas como São Roque. Os bispos detinham automaticamente estatuto de Grandeza, o mais alto escalão da nobreza portuguesa. Mendes, Zorro. Patriarcado de Lisboa, Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Rocha. [online] REIS, Joana (2014). Melo e Castro: O Provedor que Dizia sim à Democracia. Lisboa: Casa das Letras. ISBN 978-972-46-2379-6. Referência: 2511SB008
Local: SACO SB264-09 Caixa de sugestões A sua opinião é importante para nós. Se encontrou um preço incorrecto, um erro ou um problema técnico nesta página, por favor avise-nos.
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