RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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VASCONCELOS. (Agostinho Manuel de) VIDA Y ACCIONES DEL REY DON IVAN EL SEGUNDO, DECIMOTERCIO DE PORTUGAL.

Al Serenissimo Principe de las Españas, y Nueuo-Mundo D. Baltasar Carlos. POR Don Agustin Manuel y Vasconcelos, Cavallero de la Orden de Christo. CON PRIVILEGIO, En Madrid. En la Imprenta de Maria de Quiñones. Año M. DC. XXXIX. [1639]. 

De 21,5x16 cm. Com [xiv], [ii br.], 348, [ii br.] págs. Encadernação recente inteira de pele, com ferros a seco a fazerem esquadrias nas pastas e ferros a ouro na lombada. Folhas de guarda novas, em papel de fantasia rosa. 

Impressão em caracteres redondos e itálicos sobre papel de boa qualidade, ornamentada com belas xilogravuras, incluindo cabeções elaborados ao início de cada livro com animais, figuras antropomórficas, gárgulas e motivos vegetalistas e arquitectónicos, iniciais decoradas com motivos de azulejo e florões de remate com ornatos vegetalistas. A partir da página 159, o papel apresenta-se mais acastanhado e menos encorpado.

Exemplar com rubrica de posse coeva no rosto. Ex-libris da biblioteca de J. Pinto Ferreira, com gravura de Paes Ferreira datada de 1991, na pasta anterior. Pequenas manchas de humidade à cabeça. Algumas folhas com restauros amadores. Folha das páginas 217-218 solta, com restauro e falha na mancha tipográfica que atinge o texto, condicionando a leitura em ambas as páginas.

As seguintes páginas têm a numeração trocada por falha tipográfica, sem afetar a integridade da obra: página 174 numerada 173; página 273-263; 299-296; 324-333; 325-334; 326-336.

Primeira edição rara e importante desta biografia de D. João II de Portugal, publicada nas vésperas da Restauração da Independência (1640) e dedicada ao príncipe herdeiro de Espanha, Baltasar Carlos. A obra constitui um documento político de grande relevância, situando-se no contexto das tensões crescentes entre Portugal e a Monarquia Hispânica durante o governo do Conde-Duque de Olivares. A referência de Inocêncio a uma edição de 1629 constitui um erro bibliográfico; a presente edição de 1639 é a única edição antiga conhecida. Foi traduzida para o francês em 1641.

As páginas preliminares contêm dedicatória do autor ao príncipe Baltasar Carlos; aprovações do Ordinário pelo Doutor Agustinho Barbosa e do Conselho pelo Mestre Gil González de Ávila, cronista de Castela; Suma del Privilegio; Suma de la Tassa; Erratas; Fee del Corrector general datada de 20 de Março de 1639, assinada pelo Licenciado Murcia de la Llana; e uma introdução ao leitor de Hernando de Soria Galvarro, chantre da Santa Igreja de Córdova. Cada um dos seis livros que compõem a obra abre com um pequeno argumento ou resumo do conteúdo.

O ano de 1639 foi um ano de crise para a Monarquia Hispânica. A Batalha das Dunas (Batalha do Canal), onde a armada luso-espanhola foi destroçada pelos holandeses, ocorreu nesse ano. O ambiente em Madrid era de tensão, com a União de Armas do Conde-Duque de Olivares a pressionar os reinos periféricos, nomeadamente Portugal. Publicar uma biografia de um rei português «forte» e centralizador nesse ano específico pode ser lido como um acto de propaganda subtil a favor da autoridade régia, mas também de afirmação da dignidade portuguesa dentro do sistema imperial.

A Vida y acciones del Rey Don Juan el Segundo não é uma obra original stricto sensu, mas também não é uma simples tradução. Situa-se num território híbrido característico da cultura barroca — a imitação criativa — tendo como base a crónica de Garcia de Resende, originalmente publicada em 1545. Vasconcelos transformou o texto sob a óptica do Tacitismo e da Razão de Estado, correntes dominantes no pensamento político da década de 1630. A estrutura narrativa segue os catorze anos do reinado de D. João II, cobrindo desde a sua educação e a jornada a África com D. Afonso V até às descobertas marítimas, às tensões com a alta nobreza — culminando na execução do Duque de Bragança e no assassínio do Duque de Viseu pelas próprias mãos do rei — e à morte do monarca em 1495. A escolha de D. João II como protagonista não foi casual: o «Príncipe Perfeito» foi o monarca que domesticou a alta nobreza portuguesa, servindo de modelo para a política de mão firme que Filipe IV e Olivares procuravam aplicar.

Segundo o investigador António de Oliveira, da Universidade de Coimbra, a publicação enfrentou uma tentativa de embargo por parte da Casa de Aveiro (os Lencastre), cujos antepassados figuravam entre os nobres castigados por D. João II. O facto de a obra ter sido impressa apesar desta oposição revela o apoio político de que Vasconcelos gozava junto do governo de Madrid. A impressão foi confiada a Maria de Quiñones, uma das impressoras mais prestigiadas de Madrid no século XVII, cuja oficina havia herdado os tipos e a reputação de Pedro de Madrigal e Juan de la Cuesta — o impressor da primeira edição de Don Quixote (1605).

O destino trágico do autor confere à obra uma dimensão singular. Apenas dois anos após esta publicação, com a Restauração da Independência em Dezembro de 1640, Vasconcelos envolveu-se na conspiração de 1641, uma tentativa de golpe liderada pelo Arcebispo de Braga e pelo Marquês de Vila Real visando assassinar D. João IV e restaurar a soberania de Filipe IV. A conspiração foi descoberta e Vasconcelos foi preso, julgado e degolado na Praça do Rossio a 29 de Agosto de 1641. A posse de um exemplar desta edição de 1639 constitui, assim, o testamento político de um homem que seria executado como traidor da pátria portuguesa, mas que se via a si próprio como defensor da ordem imperial e da verdade histórica.

D. Agostinho Manuel de Vasconcelos (Évora, 1584 – Lisboa, 1641) foi cavaleiro da Ordem de Cristo, historiador e figura destacada da nobreza portuguesa integrada na Monarquia Hispânica. As suas obras, todas escritas em castelhano, procuravam apresentar a história de Portugal com a dignidade que ele considerava merecer perante o público europeu, corrigindo narrativas estrangeiras que julgava falaciosas. Além da presente obra, publicou Vida de Don Duarte de Meneses (Madrid, 1627) e Succession del señor Rey Don Felipe segundo (Madrid, 1639). Após apoiar inicialmente a Casa de Bragança, veio a conspirar contra D. João IV, sendo executado publicamente no Rossio.

Maria de Quiñones (fl. 1611–1666) foi impressora em Madrid, herdeira da oficina de Pedro de Madrigal. A sua oficina, situada na Calle de Atocha, era uma das mais prestigiadas da capital, tendo publicado obras de Lope de Vega, Tirso de Molina e Calderón de la Barca. O facto de apresentar o seu nome no frontispício e de recusar fórmulas como «Viúva de...» atesta a sua autoridade consolidada como editora.

Referências:
Catálogo BNP, RES. 6632 P.
Catálogo Colectivo del Patrimonio Bibliográfico - CCPB000309754-4
Oliveira, António de. 'D. Francisco Manuel de Melo, historiador'. Península: Revista de Estudos Ibéricos, n.º 6, 2009.
Dicionário Histórico de Portugal, Volume VII, págs. 315-316. [em linha arqnet]
Palau (1990), VII, p.119.
Barbosa Machado I, 68-69.
Inocêncio, I, 18.


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Referência: 2512SB006
Local: SACO SB271-12


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