RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

Recuperar password

Livros disponiveis: 101448

English   
 
   

Clique nas imagens para aumentar.



PUSICH. (Antónia Gertrudes) OLINDA, OU A ABBADIA DE CUMNOR-PLACE.

POEMA ORIGINAL Em 5 Cantos Por Antonia Gertrudes Pusich. LISBOA, na Typ. de G. M. Martins. 1848.

In 8.º de 15,5x10,8 cm. Com 86, [ii] págs. Encadernação artística da época inteira de marrocain negro, com belas e elaboradas gravações a seco nas pastas, enquadrada por cercadura com ferros a ouro que formam uma esquadria e o título gravado a ouro na lombada. Cortes das folhas dourados.  

Exemplar com leves desgastes na encadernação em especial nas coifas, com falhas de pele, e nos cantos. Com ex libris.  

Livro muito importante pois reune várias características que muito o valorizam: é 1.ª edição bastante rara, é o primeiro livro publicado por um escritor nascido em Cabo Verde, e também o primeiro da autoria de uma mulher, a primeira que fundou e dirigiu jornais em Portugal. É também um dos raros exemplos de uma obra literária que se aproxima das características da literatura gótica, que teve poucos cultores em Portugal. 

A autora foi declarada patrona da Academia Cabo Verdiana de Letras, não só pelo facto de ter nascido em Cabo Verde, ter lá vivido durante grande parte da sua infância e juventude, mas também por ter sempre defendido os interesses de Cabo Verde e da sua população durante a sua carreira de jornalista em Portugal continental, até à sua morte.   

Pusich inspirou-se para escrever este poema na leitura da novela Kenilworth, de Walter Scott, que leu na tradução realizada por A. J. Ramalho e Sousa. Nele usou o verso decassílabo branco (sem rimas), com excepção do canto de Leicester, em 17 quadras decassílabas, no segundo canto e um salmo em quadras em septassílabos, com que termina o quarto canto. Em notas de rodapé (páginas 35 e 70) a autora informa que compoz a música para estes dois trechos poéticos e que a pertendia publicar à parte, mas tal não aconteceu (ver Caldas 2024:32).  

Cada um dos cantos tem em epígrafe citações dos poetas Vítor Hugo, Mickle, Bocage, J. Reboul, Metastasio.    

O poema trata um tema de grande importância para a autora e que infelizmente continua muito actual: a morte de Amy Robsart Condessa de Leicester, que apareceu morta em circunstâncias misteriosas, suscitando a hipótese de ter sido assassinada por seu marido, Roberto Dudley, Conde de Leicester, explicação que a autora defende (ver Caldas 2024:34).  As páginas 3 a 8 compreendem o prólogo datado de Lisboa, em 7 de Junho de 1848. O poema ocupa as páginas 9 a 86. As duas páginas finais sem numeração incluem as erratas e uma em branco.  

Antónia Gertrudes Pusich (São Nicolau, Cabo Verde, 1805 - Lisboa, 1883) escritora, poetisa, jornalista, música. Foi a primeira mulher a fundar e dirigir jornais em Portugal. Foi intransigente católica, apesar de ter pertencido a uma loja macónica, muito fiel à família real e ao mesmo tempo feminista, tendo defendido o direito das mulheres à instrução, para o que desenvolveu uma continuada cruzada, na imprensa. 

Filha de António Pusich (Ragusa, 1760 - Lisboa, 1833) militar croata que veio para Portugal, (naturalizou-se em 1791) e foi Intendente-geral da Marinha da capitania de Cabo Verde, desde 1801 a 1810 e Governador da Capitania de Cabo Verde de 1818 a 1821.   

Foi principalmente uma poetisa sendo a sua primeira obra impressa, de que se conhece o paradeiro, um soneto dedicado a António Feliciano de Castilho, publicado em Outubro de 1843 na revista “Correio das Damas'.

Autora de várias peças de teatro, de que só foi impresso o drama, Constança, em 1853, tendo ficado em manuscrito mais seis peças; escreveu muitas poesias que foram publicadas em jornais ou ficaram manuscritas, dois opúsculos de intervenção político-social e dois romances, um em prosa e outro em verso, que é a presente obra. 

Escreveu uma biografia do seu pai: Biographia de Antonio Pusich: contendo 18 documentos de relevantes serviços prestados a Portugal [...] Lisboa: Lallemant Frères Typ., 1872.  

Foi interprete e compositora de peças musicais, sendo desconhecido o paradeiro de muitas delas com excepção de uma Valsa, impressa, em Lisboa, por J. P. Ziegler & Companhia, no ano de 1850.    

Mas o campo onde mais se evidenciou foi o do jornalismo, tendo fundado, dirigido e sido redactora de três jornais: A Assembléa Litteraria: jornal de instrução, 1849 a 1851; A Beneficencia, 1852 a 1855 e A Cruzada, jornal religioso e literario, 1858, tendo além disso vasta colaboração de jornalista e de poetisa em muitas publicações periódicas da época.  

Ref: 

Maria de Lurdes Caldas - Apresentação. In: Olinda ou a Abbadia de Cumnor-Place. Praia: Livraria Pedro Cardoso, 2024. 

Maria de Lurdes Caldas - Antónia Pusich: uma mulher invulgar. Coimbra: Minotauro, 2022 

Nikica Talan - Antónia Pusich: vida e obra. Zagreb/Dubrovnik. Hazu, 2006

Nikica Talan - In memorian à esquecida Antónia Gertrudes Pusich. SRAZ L,, 145-192 (2005) 

Cristiano José de Sena Barcelos - Subsídios para a história de Cabo Verde e Guiné. 2. ed. Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro. Praia. 2003. 2.º Volume, Parte III, páginas 225 a 239. 

Américo Lopes de Oliveira - Dicionário de mulheres célebres. Lello & Irmão Editores. Porto. 1981, página 1078. 

Inocêncio I, 77.

 


Temáticas

Referência: 2601PG001
Local: SACO SB274-5


Caixa de sugestões
A sua opinião é importante para nós.
Se encontrou um preço incorrecto, um erro ou um problema técnico nesta página, por favor avise-nos.
Caixa de sugestões
 
Multibanco PayPal MasterCard Visa American Express

Serviços

AVALIAÇÕES E COMPRA

ORGANIZAÇÃO DE ARQUIVOS

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

free counters