RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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RODRIGUES. (Domingos) ARTE DE COZINHA. [ED. 1758]

DIVIDIDA EM TRES PARTES, A primeira trata do modo de cosinhar varios pratos de todo o genero de carnes, e conserva, tortas, e empadas. A segunda de peixes, marisco, frutas, hervas, óvos, lacticinios, doces, e conserva, tocantes ao mesmo genero. A terceira da fòrma e de banquete para qualquer tempo do anno, e do modo com que se hospedaõ os Embaixadores, e como se guarnece huma mesa redonda à Franceza. E nesta ultima impressaõ acccrescentada [sic] OFFERECIDA AO SR. ANTONIO MONTEIRO DE CAMPOS. AUTOR DOMINGOS RODRIGUES, Mestre da cozinha de Sua Magestade. LISBOA: Na Offic. de Manoel Antonio, e á sua custa impresso M. DCC. LVIII. [1758] Com as licenças necessarias.

De 15x10 cm. Com [vi], 300 págs. Encadernação da época inteira de pele, com rótulo, nervos e ferros a ouro na lombada.

Ilustrado em extratexto com quatro diagramas xilográficos desdobráveis, inseridos entre as páginas 244 e 245, que exemplificam o rigor geométrico e a simetria do service à la française de influência versalhesa, no qual todos os pratos de um determinado serviço eram dispostos simultaneamente sobre a mesa, criando uma arquitetura efémera de luxo e abundância. As gravuras detalham mesas organizadas em círculos concêntricos: no centro, posicionam-se os pratos de maior aparato — como o "Prato grande de sopa de adens à Franceza" guarnecido com pombos ou monumentais "Pirâmides de pêssegos" e doces secos — rodeados por uma sucessão hierárquica de travessas e entremeios que incluem "leitões assados", "perdizes lardeadas" e "manjar branco".

Impressão em caracteres redondos e alguns itálicos sobre papel de qualidade. Texto ornamentado com pequena vinheta xilogravada no rosto, cabeção alegórico com dois anjos na dedicatória e, ao início da obra, cabeção e inicial decorativa com motivos vegetalistas.

Exemplar com pequenas falhas de pele na lombada e leves riscos nas pastas. Anotações a lápis e a tinta nas folhas de guardas, destacando-se uma receita culinária de «Fatias da xina», nome alternativo para as tradicionais Fatias de Tomar, nas guardas posteriores. Etiqueta de cota no pé da lombada.

Edição setecentista muito rara do primeiro tratado de culinária impresso em Portugal. Publicada três anos após o Terramoto de 1755, esta edição de 1758 representa o apogeu da estrutura "clássica" da obra. A Arte de Cozinha conheceu cerca de dezanove edições desde a primeira edição em 1680 até meados do século XIX, que foram sucessivamente atualizadas consoante os desenvolvimentos sociais ao longo dos séculos. Consolidou-se como receituário da «verdadeira» cozinha portuguesa, sendo hoje um valioso testemunho da sua história.

Primeiras páginas não numeradas com dedicatória a António Monteiro de Campos (Assistente no limite de Azeitão, Juiz de Fora de Coina e Almotacé) e licenças do Santo Ofício, Ordinário e Paço datadas de Outubro de 1758. Índice alfabético a partir da página 249.

Originalmente publicada num formato bipartido, focado na distinção entre pratos de carne e peixe, a obra foi expandida pelo próprio Domingos Rodrigues na edição de 1693, com a inclusão de uma terceira parte dedicada à etiqueta e ao serviço de embaixadores e à disposição da «mesa redonda à estrangeira», ou, como nesta edição se lê «à Françesa»: uma alteração de designação que indicia a crescente hegemonia cultural de França na corte portuguesa em meados do século XVIII, evidenciando o desejo de emular o prestigiado service à la française do tempo de Luís XIV, antecedendo em mais de duas décadas a influência reformadora de Lucas Rigaud (1780). As gravuras constituem um documento visual valioso que o evidencia: funcionavam como um manual prático para a nobreza da época, traduzindo o paladar barroco em disposições espaciais que simbolizavam o prestígio e o protocolo diplomático da Casa Real e das grandes casas aristocráticas.

A obra continuaria a evoluir postumamente: no século XIX, uma quarta parte de autoria anónima dedicada a pudins e massas seria acrescentada, reflectindo a influência britânica e a modernização dos hábitos alimentares da burguesia portuguesa.

Domingos Rodrigues (Vila Cova à Coelheira, 1637 – Lisboa, 1719) foi mestre de cozinha ao serviço da alta nobreza portuguesa durante o período barroco. Natural do bispado de Lamego, região interiorana marcada por uma cozinha robusta de subsistência, migrou para Lisboa num contexto de recomposição das grandes casas aristocráticas após a Restauração da Independência em 1640. Serviu nas cozinhas dos Condes de Vimioso, que acumulavam os títulos de Marquês de Valença e Marquês de Gouveia, onde teve acesso privilegiado a ingredientes vedados à vasta maioria da população: açúcar em abundância proveniente do Brasil e da Madeira, especiarias orientais e caça miúda e graúda. O título de «Mestre da cozinha de Sua Magestade», que ostenta na folha de rosto, é de interpretação incerta — a investigação histórica sugere que terá servido como cozinheiro extraordinário, contratado para a logística de grandes banquetes, casamentos reais ou recepções diplomáticas, mais do que como oficial permanente da Casa Real de D. Pedro II. Era, assim, um profissional do «evento», mestre de cerimónias gastronómicas, o que explica a tónica da sua obra nos banquetes e na etiqueta de servir. Faleceu em Lisboa a 20 de Dezembro de 1719, com 82 anos de idade.

 15x10 cm. With [vi], 300 pp. Contemporary full leather binding, with label, raised bands and gilt lettering on spine.

Illustrated in hors-texte with four fold-out woodcut diagrams, inserted between pages 244 and 245, which exemplify the geometric rigour and symmetry of the Versailles-influenced service à la française, in which all the dishes for a given service were arranged simultaneously on the table, creating an ephemeral architecture of luxury and abundance. The engravings detail tables arranged in concentric circles: in the centre are the most elaborate dishes — such as the "Large plate of French-style soup" garnished with pigeons or monumental "Pyramids of peaches" and dry sweets — surrounded by a hierarchical succession of platters and entremeaux including "roast suckling pigs", "larded partridges" and "white pudding".

Printed in round typeface and some italics on high-quality paper. Text decorated with a small woodcut vignette on the front cover, allegorical headpiece with two angels in the dedication and, at the beginning of the work, headpiece and finishing fleurons with plant motifs.

Copy with minor leather flaws on the spine and slight scratches on the covers. Notes in pencil and ink on the flyleaves, notably a recipe for 'Fatias da xina', an alternative name for the traditional “Fatias de Tomar”, on the rear flyleaves. Library shelfmark label at the bottom of the spine.

Very rare 18th-century edition of the first cookery book printed in Portugal. Published three years after the 1755 earthquake, this 1758 edition represents the height of the work"s "classical" structure. The Art of Cooking saw around nineteen editions from its first edition in 1680 until the mid-19th century, which were successively updated in line with social developments over the centuries. It established itself as a recipe book for "true" Portuguese cuisine and is now a valuable testimony to its history.

Unnumbered first pages with dedication to António Monteiro de Campos (Assistant at the border of Azeitão, Judge of Coina and Almotacé) and licences from the Holy Office, Ordinary and Palace dated October 1758. Alphabetical index starting on page 249.

Originally published in two parts, focusing on the distinction between meat and fish dishes, the work was expanded by Domingos Rodrigues himself in the 1693 edition, with the inclusion of a third part dedicated to etiquette and the service of ambassadors and the arrangement of the "foreign-style round table", or, as it reads in later editions of the 18th century, 'à la française': a change in designation that indicates the growing cultural hegemony of France in the Portuguese court, highlighting the desire to emulate the prestigious “service à la française” of the time of Louis XIV, preceding the reforming influence of Lucas Rigaud (1780) by more than two decades.

The work continued to evolve posthumously, appearing in the 19th century with this edition, a fourth part by an anonymous author dedicated to puddings and pasta, echoing the popularity of "English pudding" and "Italian pasta" which had become fashionable among the Portuguese bourgeoisie. With this editorial addition, the book became a hybrid text documenting the modernisation of the eating habits of the Portuguese bourgeoisie and British influence after the French Invasions, merging Baroque tradition with new European gastronomic trends.

Domingos Rodrigues (Vila Cova à Coelheira, 1637 – Lisbon, 1719) was a master chef in the service of the Portuguese aristocracy during the Baroque period. A native of the diocese of Lamego, an inland region known for its robust subsistence cuisine, he migrated to Lisbon during a period of restructuring of the great aristocratic houses after the Restoration of Independence in 1640. He served in the kitchens of the Counts of Vimioso, who held the titles of Marquis of Valença and Marquis of Gouveia, where he had privileged access to ingredients forbidden to the vast majority of the population: abundant sugar from Brazil and Madeira, oriental spices, and small and large game. The title of 'Master Chef to His Majesty,' which appears on the title page, is open to interpretation — historical research suggests that he served as a special chef, hired for the logistics of large banquets, royal weddings, or diplomatic receptions, rather than as a permanent official of the Royal Household of Dom Pedro II. He was, therefore, an "event" professional, a master of gastronomic ceremonies, which explains the focus of his work on banquets and serving etiquette. He died in Lisbon on 20 December 1719, at the age of 82.

Referências:
Catálogo BNP, F.R. 1382.
Livros portugueses de cozinha. 2.ª ed. Biblioteca Nacional de Portugal. Lisboa. 1998. p. 103, n.º 459.
Inocêncio, II, 197-198, n.º 323; IX, 149.


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Referência: 2601SB003
Local: SACO SB271-06


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