RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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VAZ DOURADO. (Fernão) ATLAS DE FERNÃO VAZ DOURADO. [1948]

Reprodução fidelíssima do exemplar da Torre do Tombo, datado de Goa, 1571. Biblioteca Histórica de Portugal e Brasil. Publicado por iniciativa e sob a direcção do Visconde de Lagoa, a expensas da Livraria Civilização – Editora. Porto. [1948].

De 44,5x38 cm. Com 21 bifólios (equivalente a 42 folhas) impressos apenas pela frente, ligados à lombada por charneiras que permitem a total abertura dos mesmos. Encadernação da época inteira de pele com rótulo, nervos e ferros a ouro na lombada; pastas com ferros a seco em moldura vegetalista. Guardas decorativas com padrão elaborado.

Fac-símile litográfico de grande qualidade, a cores e ouro, reproduzindo fielmente o manuscrito original. Contém frontispício alegórico desenhado por Alfredo Cândido (datado de 1946), anterrosto com título e dados editoriais, 19 cartas náuticas em folha dupla abrangendo todo o mundo conhecido — do estreito de Magalhães à China e Japão — e três folhas duplas finais com tabelas de declinação solar e calendários para o cálculo da latitude. As cartas apresentam linhas de rumo irradiando de rosas-dos-ventos, abundante toponímia costeira, bandeiras e brasões dos reinos representados, e iluminuras de influência maneirista com molduras arquitectónicas e elementos vegetais.

Impresso sobre papel «imitação cabra» (Goatskin Parchment), de gramagem elevada e textura que recorda o pergaminho, fabricado especialmente para esta edição pela Companhia do Papel do Prado. Gravuras executadas por Armeis & Moreno e impressão pela Sociedade Astória, no Porto.

Exemplar inclui uma folha solta com a fotocópia da «Colecção de gravuras Portuguesas (Reproduções)» com estampa n.º 4 — vista panorâmica de Lisboa vista do Tejo, legendada «Lisabona», com identificação numerada de 27 edifícios e monumentos em italiano e alemão, a partir de gravura de Georg Balthasar Probst.

Edição rara e monumental, subsidiada pelo Instituto para a Alta Cultura, constituindo a primeira reprodução a cores e em grande formato do atlas de 1571 de Fernão Vaz Dourado.

O atlas original de 1571 é composto por 20 folhas de pergaminho manuscritas, das quais duas — o frontispício e a carta do Mediterrâneo Oriental — foram furtadas em 1851 do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, onde se conserva sob a cota Colecção Cartográfica, n.º 165. Para a presente edição, o Visconde de Lagoa encomendou a Alfredo Cândido a reconstituição do frontispício perdido, baseada em descrições e noutros trabalhos conhecidos de Dourado; a carta do Mediterrâneo foi substituída pela correspondente do atlas de 1576 (conservado na Biblioteca Nacional de Portugal), inserida sem aviso explícito no corpo da obra. A primeira gravura ostenta a data de 1946, indicando que o trabalho artístico e a gravura das chapas foram concluídos dois anos antes da publicação formal, datada de Março de 1948 no colofão. O anterrosto não apresenta data impressa.

A cartografia de Vaz Dourado representa o apogeu da chamada «Escola de Goa», caracterizada pela conjugação de rigor náutico — com escalas de latitude e actualização constante da toponímia — e pela magnificência decorativa herdada da iluminação manuscrita renascentista. O atlas cobre sistematicamente as costas conhecidas do globo, desde a Europa Setentrional ao Brasil, da África Oriental ao Japão. A 12.ª carta, representando com grande pormenor a costa do Brasil, é particularmente célebre e conferiu à obra um interesse acrescido no mercado luso-brasileiro. As cartas da Ásia Oriental documentam o conhecimento português do Japão e da China, incluindo a região de Macau, num período em que o entreposto se consolidava como peça-chave do comércio no Extremo Oriente. Os calendários e tabelas de declinação solar que encerram o volume, constituem testemunhos da ciência náutica prática da época, com instruções para a determinação da latitude pela altura meridiana do sol.

A publicação insere-se na «Biblioteca Histórica de Portugal e Brasil», colecção dirigida pelo Visconde de Lagoa com o propósito de editar fontes primárias da expansão portuguesa. O atlas foi o título de maior prestígio da «Série Ultramarina», cuja produção contou com o apoio institucional da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar. O contexto do pós-guerra, marcado pelo início do questionamento internacional dos impérios coloniais europeus, confere à edição uma dimensão política: a obra servia simultaneamente fins académicos e de afirmação da continuidade histórica da presença portuguesa no ultramar. A qualidade técnica desta reprodução viria a servir de referência para os trabalhos de Armando Cortesão e Avelino Teixeira da Mota na preparação dos «Portugaliae Monumenta Cartographica» (1960).

Fernão Vaz Dourado (Goa, ca. 1520 – Índia Portuguesa, ca. 1580) foi cartógrafo, navegador e soldado português, filho de pai português e mãe indiana. Participou no segundo cerco de Diu (1546), onde foi ferido em combate, obtendo o estatuto de «fronteiro». Conservam-se dele seis atlas produzidos entre 1568 e 1580, dispersos pela Biblioteca Nacional de Espanha (Madrid), a Huntington Library (EUA), o Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa), a British Library (Londres) e a Bayerische Staatsbibliothek (Munique), num total de cerca de 98 cartas e folhas com elementos cosmográficos. Foi o primeiro cartógrafo a desenhar cartas em grande escala de Ceilão e do Japão.

João António de Mascarenhas Júdice, 4.º Visconde de Lagoa (Lagoa, 1898 – Lisboa, 1957), engenheiro de formação, distinguiu-se como historiador da expansão portuguesa. A partir de 1946, integrou os quadros da Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar como investigador-historiador. Dirigiu a «Biblioteca Histórica de Portugal e Brasil» e publicou, entre outras obras, «Grandes e Humildes na Epopeia Portuguesa do Oriente» (3 vols., 1942-1947) e o «Glossário Toponímico da Antiga Historiografia Portuguesa Ultramarina» (4 vols., 1950-1954), ambas incompletas à data da sua morte.

Ref.:

Catálogo BNP, Cota: C.A. 252 A. 
Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa (EVE/FCSH-UNL), entrada «4.º Visconde de Lagoa (1898-1957)».
Dicionário de Cientistas e Técnicos (CIUHCT), entrada «Dourado, Fernão Vaz».


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Referência: 2602SB005
Local: SACO SB276-1


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