![]() ![]() | ![]() |
|||||||
|
|
RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
|
|
Clique nas imagens para aumentar. RUUSSCHER. (Melchior de) NATUERLYKE HISTORIE VAN DE COUCHENILLE | HISTOIRE NATURELLE DE LA COCHENILLE,Beweezen met Authentique Documenten | Justifiée par des Documens Authentiques. T’AMSTERDAM, By HERMANUS UYTWERF, Boekverkooper, 1729. In 8.º de 20x12,5 cm. Com [xii], 175, [ii] págs. Encadernação inteira de pele com rótulo vermelho e ferros a ouro na lombada. Cortes das folhas mosqueados a vermelho. Guardas decorativas em papel de fantasia. Ilustrado com uma gravura calcográfica extratexto, intercalada entre as páginas 46 e 47, representando cinco vistas do insecto, a tamanho natural e sob diferentes ampliações e ângulos ao microscópio, com detalhe de uma pata e garra. Desenhadas por Jan Wandelaar na presença do professor de anatomia G. Röell e de L. ten Kate Hermansz. As páginas 46 e 47 do texto contêm uma versão preliminar desses desenhos. As páginas 46 e 47 do texto contêm uma versão preliminar com desenhos do autor xilogravados. Nas páginas 172 e 173 apresenta os signetes impressos do notário. Folha de rosto impressa a vermelho, com pequeno ornato tipográfico de motivos vegetalistas, repetido como florão de remate ao final da obra. Edição bilingue neerlandês-francês, com tradução em páginas confrontantes — neerlandês à esquerda, francês à direita. Texto composto em caracteres redondos. Exemplar com falta quase total da pele da lombada, expondo os nervos, e pequenas falhas nas pastas. Carimbo oleográfico «Maj J-P Cardozo» na folha de rosto. Manchas de humidade nas margens de algumas folhas e pequenos rasgos na guarda anterior. Apresenta picos de traça, atingindo levemente o texto nas páginas 61-90 sem condicionar a leitura. Edição única, rara e muito importante desta monografia científica sobre a cochinilha (Dactylopius coccus), o insecto parasita dos cactos nopais (Opuntia) cuja exploração no México produzia o disputado pigmento carmim — depois da prata, a exportação mais valiosa do Império Espanhol proveniente das Américas. A obra foi resenhada no próprio ano da sua publicação nas Philosophical Transactions da Royal Society de Londres (vol. 36, 1729-1730), por W. Rutty, secretário da sociedade, o que atesta a atenção imediata que mereceu nos círculos científicos europeus. A obra é dedicada a Jan Six II (1668–1750), senhor de Hillegom e de Vromade, burguemestre e conselheiro da cidade de Amesterdão — filho do célebre Jan Six I, imortalizado no retrato de Rembrandt (1654) — numa escolha que sublinha a importância da cochinilha para os circuitos comerciais neerlandeses. Amesterdão era, no início do século XVIII, o principal centro europeu de redistribuição de produtos coloniais, e o carmim de cochinilha — o pigmento vermelho obtido por esmagamento e secagem dos insectos fêmea — alimentava as indústrias têxtil e artística do continente. O conteúdo da obra organiza-se em torno de uma disputa central: se a cochinilha era um insecto ou o fruto de uma planta. A aparência física da cochinilha seca — pequenos grãos cinzentos e rugosos, designados em espanhol por grana — levara a que, durante quase dois séculos, a maioria dos botânicos e negociantes europeus a tomasse por uma semente ou baga. Embora naturalistas como José de Acosta e Antonio de Herrera tivessem sugerido a origem animal, a falta de provas visuais e o segredo que rodeava a produção mexicana mantinham a dúvida viva. Ruusscher, que vivera vários anos em Espanha e contactara directamente com navegadores regressados da Nova Espanha, defendia tratar-se de um animal. Para dirimir a questão, fez uma aposta com um amigo e propôs reunir dois tipos de prova a submeter a quatro árbitros (pág. 41): testemunhos juramentados de produtores e funcionários na região de Oaxaca, e observação directa ao microscópio. Para obter a prova documental, Ruusscher pediu ao seu correspondente em Puerto de Santa María, Don Pedro Cristóbal de Reynoso y Mendoza, que o seu filho Don Martín recolhesse atestações em Antequera de Oaxaca, principal centro de comércio e cultivo da cochinilha na Nova Espanha. As peças documentais, lavradas em Outubro de 1725, constam a partir da página 49 e compreendem oito informações juramentadas de cultivadores e funcionários locais — incluindo o testemunho de um cacique indígena que dominava o ciclo completo de produção —, três certificados de autoridades e quatro declarações notariais. Os depoimentos descrevem o ciclo de cultivo e os três métodos de obtenção do pigmento — cozedura, secagem em fornos (temascales) e torrefacção em chapas de metal (comales) — cada um produzindo tonalidades distintas, informação com valor directo para os tintureiros europeus. Para a prova microscópica, Ruusscher invoca Nicolaas Hartsoeker (Gouda, 1656 – Utrecht, 1725), que em 1694 publicara no Essai de Dioptrique as primeiras observações microscópicas da cochinilha, obtidas com lentes esféricas de alta potência fabricadas a partir de gotas de vidro fundido — a mesma técnica que lhe permitira observar os espermatozóides humanos em 1677. Hartsoeker é citado nas primeiras linhas do texto e na página 45. O farmacêutico Nicolas Lémery, autor do Dictionnaire universel des drogues, é igualmente invocado. Para coroar a demonstração, Ruusscher mandou desenhar a cochinilha ao microscópio por Jan Wandelaar, na presença de dois testemunhos qualificados, produzindo a gravura calcográfica que constitui a peça central da obra. A última folha contém listas de erratas em três línguas — neerlandês, francês e espanhol — reflectindo a natureza trilingue dos materiais compilados: a redacção bilingue neerlandês-francês de Ruusscher incorpora as transcrições dos depoimentos originais em castelhano. Melchior de Ruusscher (fl. 1729) foi negociante neerlandês radicado durante vários anos em Espanha, onde contactou com navegadores e comerciantes ligados às Índias Ocidentais. A presente obra, a única que se lhe conhece, nasceu de uma disputa pessoal sobre a natureza da cochinilha e constitui um caso singular na história da ciência: a mobilização de documentação jurídica colonial e de observação microscópica para dirimir uma questão de história natural com implicações comerciais directas. Jan Wandelaar (1690–1759) foi um conceituado desenhador e gravador holandês, reconhecido pela sua extraordinária precisão na ilustração científica do século XVIII. Natural de Amesterdão, foi discípulo de Jacob Folkema e de Guilliam van der Gouwen, desenvolvendo um estilo que aliava o rigor técnico a uma sensibilidade artística única. A sua carreira ficou marcada por colaborações fundamentais com grandes nomes da ciência, como Melchior de Ruysscher, para quem ilustrou a história natural da cochinilha, e Carl Linnaeus. No entanto, o seu legado mais famoso reside na parceria com o anatomista Bernhard Siegfried Albinus, para quem criou as icónicas gravuras do esqueleto e da musculatura humana, frequentemente acompanhadas por cenários elaborados que incluíam animais exóticos, elevando a ilustração médica ao estatuto de obra de arte.
Illustrated with an intaglio engraving, inserted between pages 46 and 47, depicting five views of the insect, life-size and at different magnifications and angles under the microscope, with a detail of a leg and claw. Drawn by Jan Wandelaar in the presence of Professor of Anatomy G. Röell and L. ten Kate Hermansz. Pages 46 and 47 of the text contain a preliminary version of these drawings. Pages 46 and 47 of the text contain a preliminary version featuring woodcut illustrations by the author. Pages 172 and 173 feature the notary’s printed seals. Title page printed in red, with a small typographic ornament featuring plant motifs, repeated as a decorative finishing fleuron at the end of the work. A bilingual Dutch-French edition, with the translation presented in facing pages — Dutch on the left, French on the right. The text is set in round typeface. Copy nmissing almost all the leather in the spine, exposing the binding ribs for the raised bands, and with minor leather flaws in the covers. An ownership oleographic stamp reading ‘Maj J-P Cardozo’ on the title page. Water stains on the margins of some pages and small tears on the front endpaper. Shows signs of moth damage, slightly affecting the text on pages 61–90 without impeding reading. A unique, rare and highly significant edition of this scientific monograph on the cochineal (Dactylopius coccus), the parasitic insect of the prickly pear cacti (Opuntia), whose exploitation in Mexico produced the highly sought-after carmine pigment — after silver, the most valuable export from the Americas to the Spanish Empire. The work was reviewed in the very year of its publication in the Philosophical Transactions of the Royal Society of London (vol. 36, 1729–1730) by W. Rutty, secretary of the society, which attests to the immediate attention it received in European scientific circles. The work is dedicated to Jan Six II (1668–1750), Lord of Hillegom and Vromade, mayor and councillor of the city of Amsterdam — son of the famous Jan Six I, immortalised in Rembrandt’s portrait (1654) — a choice that highlights the importance of cochineal to Dutch trade networks. In the early 18th century, Amsterdam was the main European hub for the distribution of colonial goods, and cochineal carmine — the red pigment obtained by crushing and drying the female insects — fuelled the continent’s textile and artistic industries. The book is structured around a central debate: whether cochineal was an insect or the fruit of a plant. The physical appearance of dried cochineal—small, grey, wrinkled grains, known in Spanish as grana—had led most European botanists and merchants to mistake it for a seed or berry for almost two centuries. Although naturalists such as José de Acosta and Antonio de Herrera had suggested an animal origin, the lack of visual evidence and the secrecy surrounding Mexican production kept the doubt alive. Ruusscher, who had lived for several years in Spain and had been in direct contact with sailors returning from New Spain, maintained that it was an animal. To settle the matter, he made a bet with a friend and proposed gathering two types of evidence to be submitted to four arbitrators (p. 41): sworn testimonies from producers and officials in the Oaxaca region, and direct observation under a microscope. To obtain documentary evidence, Ruusscher asked his correspondent in Puerto de Santa María, Don Pedro Cristóbal de Reynoso y Mendoza, to have his son Don Martín gather statements in Antequera de Oaxaca, the main centre for trade and cochineal cultivation in New Spain. The documentary records, drawn up in October 1725, appear from page 49 onwards and comprise eight sworn statements from local growers and officials — including the testimony of an indigenous chieftain who was familiar with the entire production cycle —, three certificates from authorities and four notarised declarations. The testimonies describe the cultivation cycle and the three methods of obtaining the pigment — boiling, drying in ovens (temascales) and roasting on metal plates (comales) — each producing distinct shades, information of direct value to European dyers. For the microscopic evidence, Ruusscher cites Nicolaas Hartsoeker (Gouda, 1656 – Utrecht, 1725), who in 1694 had published in the Essai de Dioptrique the first microscopic observations of the cochineal, obtained using high-powered spherical lenses made from drops of molten glass — the same technique that had enabled him to observe human spermatozoa in 1677. Hartsoeker is cited in the opening lines of the text and on page 45. The pharmacist Nicolas Lémery, author of the Dictionnaire universel des drogues, is also mentioned. To crown the demonstration, Ruusscher commissioned Jan Wandelaar to draw the cochineal under the microscope in the presence of two qualified witnesses, producing the chalcographic engraving that forms the centrepiece of the work. The final page contains lists of errata in three languages — Dutch, French and Spanish — reflecting the trilingual nature of the compiled materials: Ruusscher’s bilingual Dutch-French text includes transcriptions of the original testimonies in Castilian. Melchior de Ruusscher (fl. 1729) was a Dutch merchant who lived in Spain for several years, where he came into contact with navigators and traders linked to the West Indies. This work, the only one known to have been written by him, arose from a personal dispute over the nature of the cochineal and constitutes a unique case in the history of science: the use of colonial legal documents and microscopic observation to settle a question of natural history with direct commercial implications. Melchior de Ruusscher (active c. 1729) was a Dutch merchant who lived in Spain for several years, where he came into contact with navigators and traders linked to the West Indies. This work, the only one known to have been written by him, arose from a personal dispute over the nature of the cochineal and constitutes a unique case in the history of science: the use of colonial legal documents and microscopic observation to settle a question of natural history with direct commercial implications. Jan Wandelaar (1690–1759) was a renowned Dutch draughtsman and engraver, celebrated for his extraordinary precision in 18th-century scientific illustration. Born in Amsterdam, he was a pupil of Jacob Folkema and Guilliam van der Gouwen, developing a style that combined technical rigour with a unique artistic sensibility. His career was marked by key collaborations with leading figures in science, such as Melchior de Ruysscher, for whom he illustrated the natural history of the cochineal, and Carl Linnaeus. However, his most famous legacy lies in his partnership with the anatomist Bernhard Siegfried Albinus, for whom he created the iconic engravings of the human skeleton and musculature, often accompanied by elaborate settings featuring exotic animals, elevating medical illustration to the status of a work of art. Referências/References: Referência: 2602SB008
Local: SACO SB275-20 Caixa de sugestões A sua opinião é importante para nós. Se encontrou um preço incorrecto, um erro ou um problema técnico nesta página, por favor avise-nos.
|
Pesquisa Simples
|
||
![]() |
|||
|