RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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NOBRE. (António) SÓ. [1.ª EDIÇÃO]

Léon Vanier, Éditeur. Paris. 1892.

De 24,2x16,5 cm. Com [viii], 157, [iii] págs. Brochado. Tem junto fotografia do poeta autografada. Prova em albumina (18x13,5 cm) dos estúdios Photografia Universal do Porto, protegida por passe-partout, com dedicatória de Olegário Mariano. Esta foto está reproduzida na sobrecapa da fotobiografia.    

As páginas preliminares contêm uma declaração do editor que informa que o seu único representante e depositário para Portugal é Francisco de França Amado, assim como o soneto, «Aquele que partiu no brigue Boa Nova», à memória dos pais do poeta. As folhas finais incluem a taboa (índice das poesias) e o colofon. A capa posterior apresenta um catálogo de livros de poetas francesses editados por Léon Vanier e impressos por Henri Jouve e a lombada o preço 3 francos e 50.  

Impressão muito nítida sobre papel de linho avergoado realizada pela Imprimerie Henri Jouve, em 2 de Abril de 1892.   

Exemplar por aparar com o papel em muito bom estado, tendo apenas danos na capa de brochura, com falta de papel nas capas e na lombada que conserva apenas o terço inferior.  

Rara primeira edição de uma das obras mais importantes da poesia portuguesa do século XIX, marcada pela originalidade e modernidade, que exerceu uma prolongada e profunda influência nos mais variados movimentos da poesia no século XX. É importante para a fixação do texto, pois o poeta, ao falecer com 33 anos, deixou a sua obra sem versões definitivas e uma estrutura final. 

No ano em que foi publicada, segundo Seabra Pereira, causou estupefacção, foi recebida com incompreensão, «e até escândalo, pelo provocante narcisismo e o voluntário infantilismo, o prosaísmo aparente de certos motivos e a coloquialidade de certas formas, ao lado de chocantes componentes imaginíficas (o funéreo, o macabro, o mórbido) e de liberdades estrófico-versificatórias ainda raras em obras nefelibatas». No entanto estes traços, como explica o referido crítico, são característicos da obra e coerentes com as suas motivações, a senda por onde António Nobre convergiu com a modernidade.   

Apesar do escândalo referido acima, o autor foi logo reconhecido como grande poeta, pelos maiores escritores da época, como: Oliveira Martins, Fialho de Almeida e Trindade Coelho, entre outros. Começou a ser considerado a mais lídima representação moderna do «Poeta português», personificação genuinamente nacional do bardo genial e desditado. Influneciou numerosos poetas neo-românticos, os poetas do Orpheu, como Sá Carneiro. Posteriormente, como afirma Seabra Pereira: «prevaleceu o sortilégio do mito pessoal e o poder cativante do discurso poético.».     

Urbano Tavares Rodrigues sublinha algumas das características do seu estilo: «o traço mais pessoal e revelador do seu vocabulário é [...] o diminuitivo [...] a imagística inédita, o culto da sinestesia, as liberdades rítmicas, a pesquisa musical. Tinha um ouvido finíssimo. Toda a sua poesia é rigorosamente feita para se ouvir, cheia de paralelismos, de repetições melódicas, de onomatopeias, em extremo maleável.».     

António Pereira Nobre (Porto, 1867 - Porto, 1900), grande e original poeta, morreu na flor dos anos e, em vida, publicou apenas um livro de versos intitulado: Só. Em 1888 matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e aí formou, com outros rapazes, uma verdadeira falange artística. Dando-se mal com os estudos jurídicos, sobretudo com os professores e duas vezes reprovado no 1.º ano de direito, resolveu abandonar Coimbra em 1890. Matriculou-se então na Faculdade de Direito, em Paris, nos anos de 1890-1895, na qual se formou. Veio a falecer tísico, em Carreiros, na Foz do Douro em 18 de Março de 1900.

Os seus sonetos, quase todos com datas, marcam o itinerário das viagens do poeta, que visitou os Açores, Madeira, e algumas cidades de Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Suíça e Alemanha. Quando esteve na Quinta do Seixo, em Vila Meã, pretendeu reunir os seus primeiros versos, para o que mandara tirar na Biblioteca Municipal do Porto cópias das suas composições poéticas dispersas por jornais e revistas.

Além do presente livro que o tornou célebre, é autor dos seguintes livros publicados depois da sua morte: Despedidas.  Porto, 1902; Primeiros versos. Porto, 1921; Correspondência, Lisboa, 1982; Alicerces, seguido de livro de apontamentos. Lisboa, 1983; Primeiros versos e cartas inéditas. Lisboa, 1983.  

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Recife, Pernambuco 1889 - Rio de Janeiro, 1958) Poeta brasileiro. Foi diplomata, deputado federal e constituinte. Como diplomata esteve muito ligado a Portugal, tendo sido ministro plenipotenciário nos Centenários de 1940; delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Interacadémica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945 e, por fim, embaixador do Brasil em Lisboa, em 1953 e 1954. 

Photografia Universal - Casa de fotografia de Magalhães de Cª situada na R. da Cedofeita, 95, no Porto, com grande reputação de qualidade artística, activa em fins do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.   

Referências: 
Mário Cláudio - António Nobre 1867-1900. Fotobiografia. Lisboa: Publicações D. Quixote, 2001, p. 11 
José Carlos Seabra Pereira - António Nobre. In: Biblos, Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, III, col. 1136-1142.  
Urbano Tavares Rodrigues - António Pereira Nobre. In: Dicionário de Literatura, Direcção de Jacinto do Prado Coelho. 3.ª ed. Porto: Figueirinhas, 1973 
Inocêncio XX, 257 e XXII, 224.


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Referência: 2605PG004
Local: SACO SB278-06


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