RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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MEDINA E VASCONCELOS, Francisco de Paula. ZARGUEIDA, DESCOBRIMENTO DA ILHA DA MADEIRA

POEMA HEROICO, DEDICADO AO ILLUSTRISSIMO, E EXCELENTISSIMO SENHOR CONDE DE VILLA VERDE, Grão Cruz da Ordem de S. Tiago, Cavalleiro da Ordem do Tozão de Ouro, do Conselho de Estado do PRINCIPE REGENTE N. S. Ministro assistente do Despacho do Gabinete de S. A. R., seu Gentil Homem de Camara, Presidente da Real Junta do Commercio, &c., &c., &c. POR SEU AUTHOR … (Florão) LISBOA. M. DCCCVI. [1806] (--) NA OF. DE SIMÃO THADDEO FERREIRA. (---) Com licença da Meza do Desembrago do Paço.

In 8º De 15x10 cm. Com [ii] br., xii, [iv], 254, [ii] br. págs.

Encadernação da época inteira de pele com ferros a ouro e rótulo vermelho na lombada, cansada.

Exemplar com pequenos defeitos (queimaduras) marginais nas páginas 9 a 18, sem afectar a mancha gráfica.

As páginas preliminares contêm dedicatória em tercetos ao Conde de Vila Verde, prólogo do autor e dois sonetos que enquadram o poema no ambiente literário da época: o autor, num soneto, pede a Bocage a apreciação da obra e a correcção dos seus erros, obtendo como resposta um soneto de Bocage louvando a suas qualidades e comparando-o a Camões e a Homero.

Primeira e única edição deste famoso texto poético (considerado, por alguns críticos, a mais importante obra literária madeirense) composto por dez cantos, de versos decassílabos, em rima oitava , antecedidos de argumentos em verso.

O autor (Funchal, 20 de Novembro de 1768 – Praia, Cabo Verde, 1824) informa no prólogo que escreveu esta obra a pedido de D. João Manuel da Câmara, Governador e Capitão General da Ilha da Madeira, descendente do descobridor. Informa também que, como homenagem, inclui no seu poema versos de Camões, Gabriel Pereira de Castro, Dinis da Cruz e Silva e Bocage.

A obra descreve a descoberta da Madeira por D. João Gonçalves Zarco e contém um episódio descrevendo os célebres amores lendários de Ana de Harfet e Roberto Machim, narrados por muitos outros escritores como D. Francisco Manuel de Melo.

A sua publicação foi propagandeada na época por um dos mais antigos cartazes publicitários que se conserva na BNP.

Inocêncio III, 25: “Francisco de Paula Madina e Vasconcellos, natural da ilha da Madeira, e nascido ao que parece entre os annos de 1766 e 1770. Aos vinte de edade veiu para Portugal, com o intento de seguir não sei qual das faculdades em Coimbra: matriculou-se com effeito na Universidade, porém ao fim de dous annos foi preso, por accusações que lhe fizeram de crimes (diz elle) nem pensados! Depois de anno e meio o soltaram, impondo lhe a comminação de saír de Coimbra, e não mais voltar á Universidade. Regressou então para a sua patria, onde já estava em 1793; porém passados annos veiu novamente a Portugal, d'onde voltou outra vez, fazendo ainda depois novas viagens. Tinha sido provido em um officio de Tabellião publico de notas na cidade do Funchal, e ahi vivia casado, e com filhos, quando em 1823 foi preso e processado pela alçada enviada á ilha da Madeira, para conhecer das pessoas, que se haviam distinguido como partidarias do governo constitucional. Alguns soffreram diversas penas, e a Medina coube a de degredo para Cabo-Verde por oito annos (segundo me recordo de ter lido na sentença impressa). Partiu para o seu destino, mas chegando á ilha de S. Tiago, n'ella faleceu pouco depois em 1824. A sr.ª D. Antonia Pussich, que ali residia então com o seu pae, Governador e Capitão general d'aquellas ilhas, dedicou á memoria do infeliz desterrado o seguinte epitaphio, do qual provavelmente se não fez uso, mas que eu vi em um caderno de poesias autographas d'esta senhora, que um meu amigo possue: «Medina, cuja voz alta e sonora / D'heróes cantou os feitos sublimados, / Cumprindo as leis dos carrancudos fados / N'esta campa infeliz se esconde agora.» Este poeta gosou em vida de bastante celebridade; hoje está o seu nome quasi de todo esquecido, talvez com pouca razão; porque nas muitas composições que nos deixou impressas ha ainda que aproveitar, na opinião de bons entendedores. Como poeta lyrico pertenceu á eschola franceza; os seus versos são em geral sonoros e bem fabricados, e de certo lhe não faltava naturalidade. Pretendeu embocar a tuba epica; mas vê-se que esta empresa era muito superior ao seu talento, e por isso nos dous ensaios que n'aquelle genero compoz, não conseguiu elevar-se jámais além da mediocridade. Ha comtudo, em um e outro, episodios que não deslustram a sua musa, e que se podem ler com gosto. Uma cousa tenho por vezes notado, e é que em todas poesias d'este funchalense se não faça a menor allusão ao seu patricio e contemporaneo Nobrega; e que nos d'este egualmente se não encontre uma só palavra relativa a Medina. Este mutuo silencio prova, a meu vêr, que entre os dous existia tal qual rivalidade, ou antiphatia pessoal, cuja explicação seria curiosa; porém não estou habilitado a dal-a por agora”.

Referência: 1605PG038
Local: M-10-E-16


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