RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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Constituyções da jurisdiçam ecclesiastica da Villa de Tomar, e dos mays lugares que / pleno iure / pertençem aa ordem d[e] nosso Senhor Jesu Chisto. (+) . : .

[CONSTITUIÇÕES DA ORDEM DE CRISTO. c. 1555. Titulo dentro da uma portada utilizada por Germão Galharde no rosto de outras obras, vide infra].

[Colofon] : «« Foram lidas e publicadas ests nossas Constituições, com acordo do Vigayro, e Beneficiados de sancta Maria do Olival, igreja Matriz, e cabeça desta Jurisdiçam, e bem assim dos mais Beneficiados e Clerizia, em o Sinodo que celebramos na dicta igreja de sancta Maria do Olival. A[os] xviii: dias de Junho. De mil e quinhentos e cinqoe[n]ta e quatro annos. | E pera que na impressam destas nossas Constituyções, se nam possa acrecentar, nem diminuyr cousa algua. Mandamos que somente se de Fee e credito ao volume dellas, que por nos for assinado. »»

[Germão Galharde, Lisboa?, 1555?]

In fólio. De 28,8 x 20 cm. Com [6], 32, [1] fólios.

Encadernação do século XX inteira de pele; com ferros a seco rolados nas pastas com motivos florais geométricos; e rótulo vermelho na lombada.

Ilustrado no texto com: 69 belas letras capitulares decorativas (de cerca de 3x3 cm); a folha de rosto com o titulo enquadrado por uma portada ornada de aves e folhagens, que na parte superior, ao meio, tem o monograma IHS, e na parte inferior o escudo das Armas Reais de Portugal. As tarjas xilográficas que constituem a cercadura da portada que enquadra o título da obra, assim como os caracteres com que se imprimiu a obra são iguais à das seguintes obras do impressor Germão Galharde:

- Tratado da Esfera, Lisboa, 1537. -Cónegos Azuis , Lisboa 1540. - Crónica do Condestabre, Lisboa 1554. - Constituições do Bispado do Algarve, Lisboa 1555.

Obra da maior raridade apenas se conhece um exemplar que se encontra na BNP. Não consta da Biblioteca de D. Manuel II.

Trata-se das primeiras e únicas Constituições de Tomar, ou segundo o título em ortografia actualizada: Constituições da Jurisdição Eclesiástica da Vila de Tomar e dos mais lugares que de pleno jure pertencem à Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O presente exemplar não apresenta qualquer tipo de ex-libris, nem título de posse, nem averbamento (o qual era suposto existir pelos dizeres impressos no colofon, mas que também não é mencionado no / nos exemplares estudados pelas principais bibliografias). Este exemplar somente pode ser individualizado através de uma nota manuscrita sobre o encabeçamento da folha de rosto, com a data a sua publicação: « 18 Junho 1554 » : conforme à data no texto no colofon; e numeral 6, a tinta, no canto superior direito.

Germão Galharde (activo em Portugal de 1519 a 1555) foi o principal impressor da primeira metade do século XVI, (ou seja do reinado do monarca D. João III,  para quem imprimiu as obras com mais importancia oficial de estado) tanto pelo número de obras impressas (59 obras registadas no catálogo de D. Manuel II, e mais de 100 segundo os registos de Oxford), como também pela qualidade e beleza dos seus tipos, das suas capitulares decorativas, e das suas tarjas. Em 1520 já tinha impresso A Regra e Definições da Ordem de Christo (vide D. Manuel, in Ruas, 318 e 319), e as Constituições  de Tomar foram uma das últimas obras a sair dos seus prelos, senão provavelmente a utltima obra impressa, pois os seus últimos trabalhos têm a data de 1554.

German Gaillard, German Galharde ou Germão Galharte era de origem francesa e estabeleceu-se em Lisboa a partir de 1519, adoptando o nome German Galharde ou Germão Galharte. O impressor adquiriu aos herdeiros de Valentim Fernandes o material tipográfico com que imprimiu em 1519, uma das suas primeiras edições, o Missale secundum consuetudinem. Imprimiu em Lisboa e em Coimbra. Em 1530 e 1531 foi impressor do Mosteiro de Santa Cruz. Em 1535 foi encarregado de fundar a oficina tipográfica do Mosteiro de Santa Cruz. Em Coimbra permaneceu dois anos em Santa Cruz, tempo suficiente para os frades adquirirem o domínio das artes tipográficas. Em 1530 Gaillard foi distinguido por João III com os privilégios e liberdades dos «oficiais mecânicos» da Casa Real. Os livros da oficina de Galharde foram predominantemente impressos em caracteres góticos. 

Referências bibliográficas:

D. Manuel II não refere esta obra. No entanto fornece importantes dados de identificação do impressor através dos fac-similes da página nº 2 e nº426, no IIº tomo da sua obra, com as folhas de rosto do Estatutos dos Cónegos Azuios, de 1540, e da Coronica do Condestabre, de 1554 (entrada nº 41 e 82 da Biblioteca de D. Manuel II). Nestas obras verificamos que os xilotipos das tarjas são os mesmo utlizados para a impressão destas Constituições de Tomar, com a particularidade das tarjas verticais terem sido trocadas. No entanto verifica-se que todas as tarjas têm as mesmas caracteristicas e os mesmos defeitos de impressão delas resultantes. A única portada reconhecida até hoje como semelhante e referida ao exemplar da BNP - a das Constituições do Bispado do Algarve - também apresenta a troca dos xilotipos laterais. Finalmente, podemos afirmar que esta portada - com uma disposição exactamente igual dos xilotipos - foi utilizada no Tratado da sphera com a Theorica do Sol i da Lua, impresso por Galharde, em 1537 (vide entrada nº 36, pag. 542, do Iº vol. da Biblioteca de D. Manuel II). Informamos que até hoje nenhum bibliografo compaginou toda esta informação anterior.

Anselmo pag. 188 (entrada 656) atribui a semelhança da folha de rosto a outra obra: « título em caracteres góticos enquadrados por uma portada igual à dos Estatutos dos Cónegos Azuis, 1540. Fol. - (6), xxxii, [i] fl. - 31l. car. gót. sem reclamos em quase toda as páginas. [..] Apesar de não ter nome de impressor, vê-se. pela portada, e pelos caracteres tipográficos, que é trabalho de Germão Galharde. Inoc. IX, C, 956. Gubian, 234. [exemplar da BNP segundo Pinto de Matos]. P. de Matos, 185. Fern. Palha, 343. Vasconcelos, 11. Azevedo Samodães, 868 ». 

Azevedo Samodães, pag. 246 a 248 (entrada 868) reproduz a portada e o colofon, e apresenta uma extensa descrição, tendo sido, de entre as Constituíções catalogadas, aquela que atingiu um valor de venda só ultrapassado pelas Constituícões de Angra, sendo um especimens bibliográficos de maior valor de saída neste catálogo e leilão realizado em 1921. Diz o catálogo de Azevedo Samodães:

«Do frontispicio, ou portada damos a reprodução foto-zincográfica [...] O original mede 257x167 cm. In fólio de 4 ff. prels. inums, xxxii nums, na frente e mais uma inum. final. E. [...] Na frente (o verso está em branco) da primeira folha preliminar [...] nas II a V; a Tavoada das Constituições seguintes, e na frente da VI ( o verso está em branco); o Prólogo. As Cosnstituições, compreendendo numerosos Títulos, que, na sua maioria, contêm Constituições, decorrem nos xxxii ff. numerados. Na folha final estas duas declarações, ou subscrições finais, que reproduzimos [...] «« Foram lidas e publicadas ests nossas Constituições, com acordo do Vigayro, e Beneficiados de sancta Maria do Olival, igraja Matriz, e cabeça desta Jurisdiçam, e bem assim dos mais Beneficiados e Clerizia, em o Sinodo que celebramos na dicta igreja de sancta Maria do Olival. A[os] xviii: dias de Junho. De mil e quinhentos e cinqoe[n]ta e quatro annos. | E pera que na impressam destas nossas Constituyções, se nam possa acrecentar, nem diminuyr cousa algua. Mandamos que somente se de Fee e credito ao volume dellas, que por nos for assinado. »» [...] O volume contem seis cadernos de seis folhas cada cada um e um (último) de tres. [...] Edição primitiva, e única, das primeiras Constituições de Tomar propriamente ditas, visto até então terem servido ali, como vem declarado no Prologo que as antecede, as do Bispado do funchal, que haviam sido adoptadas pelo bispo desta diocese D. Diogo Pinheiro, quando era conjuntamente prelado de Tomar. A impressão muito bela e primorosa, foi executada com grossos caractéres GÓTICOS (de dois tamanhos), e o texto acha-se esmaltado com formosas letras iniciais de curiosos desenhos de fantasia, abertas em madeira. Os exemplares são de extraordinaria raridade, e por isso verdadeiramente preciosos e de grande valor. Apenas dois se conhecem presentemente: um é o que se guarda na nossa Biblioteca Publica de Lisboa; o outro, este que vimos de descrever [diz o Cat. Azevedo-Samodães, pag. 248] e que, com verdadeiro prazer, confessamo-lo, vamos expor á natural avidez dos srs. Bibliófilos. Está em perfeito estado de conservação, circunstância esta que o torna ainda muitissimo mais apreciável e valioso. DE PRIMEIRA RARIDADE. » [Nb. no Catálogo de Azevedo Samodães não é referida qualquer marcas ou pormenor com o qual possamos individualizar o exemplar referido, podendo perfeitamente tratar-se deste mesmo exemplar descrito pela Livraria Castro e Silva]. 

Fernando Palha (pag. 84. entrada 343) cujo catálogo da biblioteca foi publicado em 1896, afrma:  « «S.l. n. d. in fólio got. de 6 ff. . ch. , 22 [erro tipográfico do catálogo Palha, aliás 32] ff. ch. et 1 ff. n. ch. pour la data et declaration de l"authenticité, tit. encadré de vign. gr. sur bois, rel. v. [...] ÉDITION ORIGINALE RARISSIME, dont on se connait que deux exemplaires: le notre qui a appartenu à M. Joaquim Pereira da Costa, et un autre existant dans la Bibl. Nationale de Lisbonne, decrit par Innocencio (Dic. Bibl. t. X p. 91) Bel exemplaire d"une conservation très soignée et exceptionelle, non paraphé. ». 

Pinto de Matos, pags. 185 e 404: «Destas Constituições possue a Biblioteca Nacional de Lisboa um exemplar, comprado por 51$000 reis, no leilão da Livraria Gubian, em 1867, As Constituiçoes de Tomar, atribuídas por Barbosa Machado a Antonio Moniz da Silva, são as dos Freires de Cristo, ordenadas por ele quando foi ao mesmo tempo prelado da jurisdição de Thomar e prior do convento dos ferires de Cristo. Vid. Moniz da Silva.» [...] «Nasceu em Lisboa e faleceu em Madrid, em Junho de 1551. Foi religioso da Ordem de São Jerónimo, reformador dos freires de Cristo e seu Prior perpetuo. »

Outras referências a mencionar: Gusmão 276, Vasconcelos, 11.

Relativamente ao local da aprovação destes Constituições, referido no colofon: [...] sancta Maria do Olival, igraja Matriz, e cabeça desta Jurisdiçam [...] importa referir e salientar a sua importância histórica. A sede da Ordem de Cristo, tal como se refere nestas Constituições, era na Igreja de Santa Maria dos Olivais, ou Igreja de Santa Maria do Olival, na cidade de Tomar (a 117 quilómetros de Lisboa), no distrito de Santarém, em Portugal. Anteriormente existia aí um mosteiro da Ordem de São Bento, mandado edificar no século VII por São Frutuoso, Arcebispo de Braga. Enquanto sede da ordem militar foi fundada por volta de 1160 pelo Mestre Dom Gualdim Pais. Com a extinção da Ordem dos Templários, em 1314, no tempo do Rei D. Dinis, esta igreja tornou-se a sede da Ordem de Cristo. Do tempo em que era a sede da Ordem dos Templários ficou o panteão dos mestres da mesma Ordem. O comando dos Descobrimentos pelos navegadores – que eram escudeiros e cavaleiros – da mesma Ordem de Cristo, fez com que os Papas conferissem o estatuto de Igreja Primaz. Através de duas bulas, uma do Papa Nicolau V (1454) e outra do Papa Calisto III (1456) foi concedida, ou dada obrigação, à Ordem de Cristo de estabelecer o direito espiritual sobre todas as terras encontradas pelo Reino de Portugal, como territórios "nullius diocesis", tornando esta Sé, em Santa Maria do Olival, a matriz de todas as igrejas dos territórios encontrados na Ásia, na África e na América, e assim sendo-lhe conferida a honra de Sé Catedral de todas as igrejas do Império Português.

 

 

Referência: 1711JC023
Local: M-6-C-10


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