RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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BRAZ VIEGAS, Padre. COMMENTARII EXEGETICI IN APOCALYPSIM IOANNIS APOSTOLI.

AVTORE Blasio Viegas Lusitano Eborensi Societatis IESV, Doctore Theologo, & publico sacrarum literarum in Eborensi eiusdem Societatis Academia professore. EBORAE, Apud Emmanuelem de Lyra. 1601.

In fólio (de 29,5x20,5 cm) com [72], 856 pags.

Encadernação da época em pergaminho flexível com o titulo caligrafico na lombada. As folhas das guardas renovadas. Corte das folhas carminado da época.

Impressão a duas colunas adornada na folha de rosto com uma vinheta xilografica contendo um emblema de grandes dimensões da Companhia de Jesus e centenas de capitulares xilograficas ilustradas ao longo do texto, todas as páginas do mesmo são enquadradas por esquadria constituída por filete duplo.

Exemplar com leves manchas de humidade sem afectar a leitura do texto. Apresenta dois ex-libris manuscritos sobre a página de rosto (muito leves e sem afectar a apresentação gráfica da página): o 1º ex-libris parcialmente ilegível e razurado 'Pertence a la libreria de los de los Augustinhos Descalços de Vall[...?]'; o 2º ex-libris 'Fr. Manuel de [...?] es de los Aug.º Descalcos de Madrid,1610'.

1ª edição de uma obra muito rara que foi impressa por Manuel Lyra na cidade de Évora, muito provavelmente na própria Universidade de Évora, que foi fundada pelos jesuitas no século XVI. Lyra foi o mesmo que imprimiu a famosa edição dos Lusiadas, conhecida como edição dos Piscos.

Obra com dedicatória do autor ao cardeal Odoardo Farnesio [neto do rei D. Manuel I de Portugal?], contém também o elogio funebre do autor por Fernando Rebelo S. J., Chanceler da Universidade de Évora, no qual se refere que o autor faleceu durante a impresão da obra e ainda um poema em louvor do autor de Manuel Pimenta S. J. famoso Poeta. As licenças da Inquisição foram assinadas por Fr. Manuel Coelho, a licença do Arcebispo de Evora D. Teotonio [de Bragança], A licença do desembargo do Paço dado por Damião de Aguiar entre outros e a licença do Provincial da Companhia de Jesus Cristovão de Gouveia. 

Trata-se de uma dissertação ou comentário exegético sobre a interpretação da Biblia e em particular da sua parte mais mística e simbólica: o apocalipse. A mesma é uma extensissima obra com interpretações do Apocalipse de São João Evangelista, e o estudo das palavras e das frases hebraicas, apresentando capítulos sobre o Anti-Christo. A obra tambem faz referência à história da Europa da sua época.

O Padre Braz Viegas foi um jesuita portugués nascido em Évora em 1554; e a sua obra ainda hoje é reconhecida como uma leitura válida. Segundo Palau esta obra teve mais 10 edições até 1617.

Palau, Tomo XXVI, pag. 464 (ent. 364245) «Evora 1601. Fol. 36 h 856 pags. Idem Venettis, 1602; idem, ColoniaeAgripinae, 1603, idem idem, Lugduni, 1606; idem (Emendati), Lugduni, 1606; idem Parisiis, 1606; idem Venetiss, 1608; idem Turnoni, 1614; idem Parisiis 1615; idem Colonia Aggrippinae, 1617; idem, idem, Apud Arnoldum Mylium, 1617.» 

Inocêncio (Vol I, 398) não refere a obra por esta ser em latim, mas refere o autor com elevada consideração: «P. BRAZ VIEGAS, Jesuita, Doutor em Theologia pela Universidade de Evora, e natural da mesma cidade. - N. em 1553, e ahi morreu a 22 de Agosto de 1599, contando apenas 46 annos d’edade, e 30 de Companhia. - E. além de varias obras theologicas em latim, cujos titulos podem verse na Bibl. Lus., a seguinte: 347) (C) Meditações sobre os mysterios da paixão, [etc]. O P. João Baptista de Castro no Mappa de Portugal tomo IV pag. 32 da edição em 8.º tractando d’este jesuita lhe chama «Grave e doutissimo escriptor, de engenho excellente, de juizo agudo, e de doutrina exquisita.» As Meditações foram sempre estimadas por sua linguagem correcta, doutrina solida e affectos pios; e por serem muito raros e procurados os exemplares, o impressor e editor Rolland animouse a emprehender a segunda mencionada edição, que anda nos seus Catalogos cotada em 720 réis. Constame porém que poucos exemplares se venderam. Eu comprei um da primeira que possuo, por 360 réis, attendendo á circumstancia de acharse demasiadamente aparado».

Barbosa Machado 1, 548-550: « Padre Braz Viegas natural de Évora onde instruído com virtuosos documentos por seus pais, Pedro Palha e Violante Viegas, deixou a sua companhia para se alistar na de Jesus no Colégio da sua Pátria a 15 de Fevereiro de 1569, quando contava 16 anos de idade. Aprendidas as letras Humanas e Divinas com inveja de seus condiscipulos as ditou com admiração de todos os Mestres, principalmente quando explicou com sólida subtileza - em as Universidades de Coimbra, e Évora, onde recebeu o grau de Doutor em Teologia a 24 de Julho de 1594 - os profundissimos arcanos da Sagrada Escritura que se lhe fizeram mais patentes pela inteligência  que tinha da língua Hebraica, não sendo menos eminente em ciência da lingua Grega, e da Latina. Foi Orador elegante, Poeta insigne, Prégador excelente, e Escritor famoso. Todos estes cientificos dotes se ilustravam com a inocência da vida, afabilidade do génio, observância do Instituto, sendo venerado por todos como perfeito exemplar assim de letras como de virtudes. Morreu no Colégio de Évora a 22 de Agosto de 1599, com 46 anos de idade e 30 de Religião. O seu nome exaltam Nicolau António [...], Ribadeneira [...], Frei Francisco à D. Aug. Maced [...]. João Soares de Brito [...], Prossevino[...], Marracio [...], Fonseca [em Évora Gloriosa],  [e outros]. Commentarii Exegetici in Apocalypsim, 1601, a esta obra, de que fazia suma estimação o Doutor Exímio, o Padre Francisco Soares [Francisco Suarez] Granatense; fez-lhe o [...] Elogio o Ilustrissimo Arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança na faculdade que deu para imprimir-se a obra [...]. Foi traduzido este Comentário [Commentarii Exegetici in Apocalypsim] na língua Etiópica pelo Patriarca [etíope] Afonso Mendes, no ano de 1614, tal como ele escreve em Expedit. Aetiop, Lib. I. Cap. 12, servindo-lhe de grande socorro para convencer os erros dos Abexins [Etíopes]».

Sommervogel 8.

Catálogo da. Exposição bibliográfica do IV centenário Universidade de Évora 1369.

Monte, Gil do. História da Tipografia em Évora séc. XVI a XVIII, 1968.

109 BM STC Span. and Port. 1601-1700 B 225.

Arouca V, 167.

 

Referência: 1711JC045
Local: M-6-C-1


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