RUGENDAS. (Maurice) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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SMITH, John Gordon. SANTAREM; or, SKETCHES OF SOCIETY AND MANNERS IN THE INTERIOR OF PORTUGAL.

LONDON: FISHER, SON & CO., NEWGATE STREET. 1832.

In 8º (de 17,5x10,5 cm) com iv, 329, (2) pags.

Encadernação da época em percalina de seda verde com um rótulo negro na lombada.

Belo exemplar, apresentando as folhas de papel de linho muito alvas e sonantes.

Obra muito rara, mencionada pela Câmara Municipal da cidade de Santarém, como sendo uma referência na sua história (vide site): «Durante o Século XIX, Santarém voltou a estar ligada a alguns dos principais acontecimentos da História do nosso País. Para além de servir de palco das Guerras Penínsulares (quartel-general das III Invasões Francesas lideradas pelo General Massena), e sitiada pelo Duque de Wellington em 1810-11, (acontecimentos dos quais nos ficou uma narrativa de viagens do médico escocês e oficial do exército inglês, John Gordon Smith, extraordinário relato contemporâneo designado "Santarém or sketches of manners and costums in the interior of Portugal"), a urbe foi uma das cidades de primeira linha das lutas liberais [...]»

Gordon Smith refere logo na primeira página de texto a oportunidade e interesse em escrever sobre Portugal nesta época conturbada, porque havia um interesse do público inglês em saber mais sobre um país que se encontrava envolvido numa guerra civil, e e em particular sobre a região de Santarém que foi palco dos confrontos: «A Volume illustrative of the manners and opinions of the interior of Portugal cannot, at the present critial moment in the affairs of that country, be an unacceptable offering to the public. [...] and they exhibit in a desultory manner the state of Portuguese society disorganized by warfare».

Esta obra impressa em 1832 reporta-se totalmente aos acontecimentos ocorridos vinte anos antes, em 1812, durante as Invasões Napoleónicas, ou Guerra Peninsular.

Gordon Smith parte para Lisboa, em 1812, como médico-militar, tal como nos informa na página 7: «In the autumn of 1812, I found myself, [...] under orders to proceed to Lisbon, as a medical officer of the staff». Massena, Junot, e Reinier tinham sido derrotados na Batalha do Bussaco  dois anos antes, em Setembro de 1810. Neste Outono de 1812 Napoleão retiva as tropas de Moscovo. No segundo capitulo o autor exlacrece-nos acerca das «misérias» que os jovens oficiais de staff  (que não eram militares do quadro permanente) e daquilo que tinham de enfrentar no seio do Exército Peninsular. O Dr. Gordon Smith acompanha as melhores tropas britânicas, chegando a Lisboa com a brigada de cavalaria do Royal Household: os Dragões da Guarda Real Inglesa. Depois de 62 páginas de prolegómenos histórico-militares, começa a descrição da chegada a Portugal e do alojamento das tropas inglesas perto da Igreja da Estrela, no Convento Novo de Jesus, na Rua de Buenos Aires (vide pag. 67); e em geral na actual zona da Estrela, em Lisboa, local onde permaneceram até hoje os quartéis e hospitais militares e o cemitério inglês. Gordon Smith e outros oficiais querem visitar e conhecer Portugal por isso pedem ao seu official superior para serem desarranchados (billeted) e ficam alojados em Campo de Ourique, em frente do British Hospital, junto à Estrela, em Lisboa (episódio referido na página 70 e seguintes: «Posted thus in the vicinity of the Campo d'Ourique»). O autor encontra Portugal como um país devastado por guerras e revoluções, e onde os portugueses evitam o contacto de franceses e de ingleses. Gordon obtém autorização para comunicar com outros estrangeiros, nomeadamente com franceses residentes em Portugal desde longa data, o que lhe permite obter informações e ideias claras sobre a vida quotidiana em Portugal, a qual o autor passa a descrever com grande naturalidade e intimidade. Por exemplo os passeios em familia acompanhados com grande quantidade de criados de todas as origens e cores (sic): «In the cool summer evenings, beaux and belles. papas and mamas, pequinhos e pequinhitos, and criadas, black, yellow, and sodden, of all colours [...]». Cansado da vida em Lisboa e da disciplina do Hospital Militar da Estrela o autor pede uma guia de marcha para o hospital militar de Santarém para onde parte pelo caminho de Sacavém (ver página 80 e seguintes). O autor (pag. 85 e seguintes) passou por uma senhoras em Sacavém, das quais descreve longamente a beleza repulsiva. O autor nota como se exportam laranjas verdes para Inglaterra duas vezes ao ano e que em Portugal têm pouco valor comercial. O autor e o seu companheiro de viagem vão até Vila Franca de Xira e passam pelas Linhas de Torres que mencionam (pag. 99): «Lines fortified fo the defense of the capital and occupied by the army of Wellington no long before». Aqui foram enganados por uma direcção errada e reclamam com indignação «full of wrath and indignation at the scurvy trick which the officials had played upon us» (ver pag. 108). A Guerra Penisular tinham tornado Vila Franca e a Azambuja numa zona destruída e sem lei que o autor descreve como perigosa; pois os ingleses destruido muito vezes desnecessariamente as habitações : «unnecessarely demolished the unoffending inhabitations of a people terror-stricken» (ver pag. 114). O que o autor não compreende é que a população vive ainda no choque da guerra e que, por sistema da época, continua a dar informações erradas a qualquer oficial estrangeiro. Mas Gordon Smith não desiste e continua por terra um percurso que poderia ter feito subindo o Rio Tejo, tendo inclusivamente enviado as suas bagagens por via fluvial: «We ourselves walking by choice for the purpose of seeing the country and studying the manners» (ver pag. 102). A viagem continua pelo mal afamado Pinhal da Azambuja que efectivamente ganhou a reputação neste momento da história e o autor explica-o devidamente: «Its being the headquaters of a formidable gang of robbers, consisteing of deserters from the army, desperate fellows, who have been known to stop even English officers [..]». Aqui o autor tem o cuidado de seguir na coluna de um regimento inglês - o hoje famosissimo 95th Rifles, muitas vezes representado em séries televisivas da Guerra Peninsular - o qual seguia para Santarém. Na página 127 descreve a aproximação a Torres Vedras e às suas linhas de torres: «had fortified these summits with batteries and redoubts» O autor, depois de muitas considerações filosóficas e climatéricas, chega a Santarém após 4 dias de viagem; o que acontece literalmente na página 132 desta obra. Começa a descrição de Santarém e do rio Tejo com as suas cheias; e logo Gordon Smith menciona Almeirim e as propriedades do Marquês de Alorna o qual é declarado como mais uma vítima da Campanha da Rússia, e que na época em que Gordon Smith se encontra em Santarém. Na página 128 e seguinte refere a forma como as tropas francesas retiraram de Santarém usando uma estratérgia a coberto da noite e do nevoeiro. No capitulo 10 e até à página 141 o autor descreve Santarém e como esta cidade se tornou o depósito das trpoas inglesas convalescentes, durante o último periodo da Guerra Penisular, tendo sido trazidos os doentes de Lisboa, de forma a evitar a fuga dos efectivos de Lisboa para Inglaterra e aproveitando os grandes conventos de Santarém como hospitais militares.  Em vários capítulos a autor decreve com ironia e sarcasmo tanto os seu colegas ingleses como os portugueses. Neste últimos descobre em algumas familias suas amigas (vide págs. 175 a 178) as suas origens e ritos cripto-judaícos, encontrando-se nessas familias alguns padres católicos. Gordon Smith reconhece que os portugueses são diferentes no trato (pags. 186 e seguintes: «Portuguese are not a convivial people») e alguns episódios levam a que os monges do Convento da Graça deixem de falar aos ingleses. Até à página 264 descreve a vida dos soldados e oficiais ingleses em Portugal e a sua reivindicação por uma comida com beef e carne e não apenas bacalhau, solha e sardinhas que considera «cheap and unpleasent rubbish» (vide pág. 259). A afirmações de Gordon Smith são equivocadas pela distância cultural linguistica da sua observação; como por exemplo uma afirmação do autor baseada numa interpretação errada de uma frase portuguesa que ele mesmo cita em português na página 283. No capitulo 21 (página 284 em diante) o autor descreve a visita de Wellington a Santarém, quando este voltou de Cádiz, e da qual Gordon Smith foi testemunha ocular: «I saw Lord Wellington for the first time, much indeed to my delight» A obra termina com uma controversa nomeação de um novo Comissário Geral para o Hospital de Santarém, e não refere o retorno do autor a Inglaterra.

Esta obra apresenta a falta de uma maior descrição das estradas, e dos percursos ao longo do rio Tejo; a falta a descrição dos castelos e das povoações; a falta da descrição ou referencia ao Bussaco; a falta da descrição das igrejas e das grandes abadias que se situam perto de Santarém e que vão ser procuradas no periodo romântico, tal como vai acontecer nas narrativas dos maiores escritores portugueses deste tempo: nomeadamente Almeida Garrett, em Viagens na Minha Terra, publicado em 1843; e Alexandre Herculano, em o Monge de Cister, publicado em 1848. No entanto o autor reconhece que falta ao homem inglês a capacidade de conhecer e falar sobre a arte em geral. A obra em geral tem a importância de nos confirmar o grande afastamento social e cultural entre portugueses e ingleses, reconhecendo o autor uma maior proximidade cultural entre portugueses e franceses.

Além de Santarém outras cidades e locais são mencionados: Abrantes, Azambuja, Belém, Lisboa, Sacavém (escrito Saca Vem); o rio Tejo (escrito Taio). Várias personalidades são mencionadas: Lord Wellington, o General Beresford, Charlie ou Charles Thomson o companheiro de viagem do autor, Somerset, a familia Levi, o inglês Conolly, Thomas Picton, Isac Newton (muito mencionado num capítulo, vide pags. 160 a 163, pelo qual se debate a aceitação da sua teoria sendo denominado Isaac de Vila Nova). Os temas religiosos são largamente debatidos como o principal confronto de culturas. O vinho e a sua produção são apenas vagamente mencionados.

Inocêncio, Brunet e Palau não referem este autor e esta obra.

 

 

Referência: 1905JC002
Local: M-5-D-53

INEXISTENTE


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