RUGENDAS. (Maurice) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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CORRESPONDÊNCIA DE ANTÓNIO OLIVEIRA SALAZAR COM FRANCISCO LEITE PINTO.

De 23,2x17,5 cm. Com 19 documentos, acompanhados dos respectivos envelopes e cartões de visita. Acondicionados em caixa de percalina com o título gravado a ouro na pasta anterior.  

Conjunto de documentos manuscritos inéditos da autoria de António de Oliveira Salazar, que incluem 4 fotografias e a cópia de uma carta de Leite Pinto. Inclui também a cópia de uma carta de Azeredo Perdigão, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, dirigida a Oliveira Salazar e que este remeteu a Leite Pinto. 

De grande importância para o estudo da personalidade de Salazar e da maneira como trabalhava com os ministros e outros colaboradores e como preparava a tomada de decisões.

A documentação é especialmente importante para a história da ciência e do desenvolvimento da investigação científica em Portugal. Nela Salazar trata do financiamento da Junta de Energia Nuclear e das questões administrativas relativas à entrada na Fundação Calouste Gulbenkian, de Leite Pinto, como administrador, com especial incidência no desenvolvimento do Instituto Gulbenkian de Ciência.          

Contém um primeiro núcleo de documentos relativos à fase final do exercício do cargo de Ministro da Educação Nacional, por Leite Pinto, 5 documentos, (Nº 1 a 5) um deles composto, de 13 de Abril de 1959 a 3 de Janeiro de 1969. 

Um segunda secção integra 9 documentos, um deles composto, (Nº 6 a 14) do período em que Leite Pinto, exerceu as funções de Presidente da Junta de Energia Nuclear, de 1961 a 1967 e na parte final a preparação da sua admissão como administrador da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Por fim existe o registo fotográfico a cores da visita de Salazar à casa da família Bustorf Silva, em 10 de Março de 1968, onde Leite Pinto e a mulher estiveram presentes e o livre trânsito para acompanhar a urna que transportava o corpo de Salazar, em 30 de Setembro de 1970, no comboio especial com destino a Santa Comba Dão.  

ORDEM CRONOLÓGICA

01 – Carta de Salazar ao Sr Ministro da Educação. 13-04-1959. Manuscrita em 4 folhas de papel timbrado da Presidência do Conselho. (09).

02.01 - Cópia de carta do Ministro da Educação a Salazar. 14-04-1959. Manuscrito com 4 páginas em dois bifólios de papel pautado. (04). Leite Pinto envia a Salazar uma mensagem de mil e cem professores do ensino primário, por eles e como representantes de outros dois mil e considera que a solução dos problemas do Educação Nacional em Portugal depende apenas da concessão de créditos e que o programa delineado pode ser realidade com um aumento de verbas orçamentais que julga compatível com o equilíbrio orçamental. Trata de outros assuntos como a homenagem da Universidade de Coimbra a Salazar, a nomeação do director do Teatro D. Maria.  

02.02 - Carta de Salazar ao Senhor Ministro da educação. 17-04-1959. Manuscrita em 3 cartões da Presidência do Conselho 11x14 cm. (04).

02.03 - Envelope Presidência do Conselho. (11,5x14,3) Pessoal. Ex.mo Senhor Ministro da Educação Nacional. (04).

03 - Carta de Salazar [ao Sr Ministro da Educação]. 08-05-1959. Manuscrita em 5 folhas de papel liso. (10).

04 - Carta de Salazar. Educação Nacional. Teatro. 23-09-1959.? 4 páginas numeradas em papel liso. (16).

05 - Carta de Salazar ao Dr. Leite Pinto. 03-01-1960. Manuscrita em cartão da Presidência do Conselho. Com envelope timbrado do Gabinete do Presidente da Presidência do Conselho dirigido ao: Exmo. Senhor Doutor Leite Pinto Reitor da Universidade Técnica. A. J. C. (13). 

06 - Envelope Presidência do Conselho. (11,5x14,3) Ex.mo Senhor Prof. Leite Pinto. A. J. C. Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 01-11-1961. Manuscrita em 2 cartões da Presidência do Conselho 11x14 cm. (03).

07 - Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 27-01-1962. Manuscrita em 3 folhas de papel timbrado da Presidência do Conselho. Com envelope timbrado da Presidência do Conselho. (12).

08 - Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 15-04-1963. Manuscrita em 2 cartões da Presidência do Conselho 11x14 cm. (01).

09 – Cartões (2) de Salazar. 21-11-1963. Sobre crédito de 4700 contos. (16). 

10 – Carta de Salazar 23-04-1964. (14).

11 - Envelope Presidência do Conselho. (11,5x14,3) Ex.mo Senhor Eng. Leite Pinto. A. J. C. Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 08-11-1965. Manuscrita em 1 cartão da Presidência do Conselho 11x14 cm. (05).

12 - Envelope Presidência do Conselho. (11,5x14,3) Ex.mo Senhor Prof. Leite Pinto. P. E. F. Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 21-04-1966. Manuscrita em 1 cartão de visita de Salazar 6x10 cm. (07). 

13 - Envelope Presidência do Conselho. (11,5x14,3) Ex.mo Senhor Eng. Leite Pinto. Av. António Augusto de Aguiar 1º D. Carta de Salazar ao Eng. Leite Pinto. 18-08-1966. Manuscrita em 2 cartões da Presidência do Conselho 11x14 cm. + 1 folha em branco. (09). 

14.1 – Cartão de Salazar sobre a Gulbenkian. 01-02-1967. (Com vestígios de agrafe enferrujado). (16). Remete cópia de carta, de Azeredo Perdigão, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian dirigida a Salazar.  

14.2 - Carta, de Azeredo Perdigão, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian dirigida a Salazar. 31-01-1967.  

15 - 4 Fotografias a cores da visita de Salazar à casa do Dr. Bustorff Silva, Quinta do Hilário, em Palmela. (duas com a data de 10-03-1968 e Hilário). Esta visita é referida por Franco Nogueira, Salazar, VI, 329. As fotografias não foram reproduzidas em nenhuma publicação.

16 – Cartão de livre acesso, nº 99, para embarcar na 3ª carruagem do comboio especial que conduz a urna de Salazar. 30-07-1970.

Francisco de Paula Leite Pinto (Lisboa 1902 - Estoril 2000) Matemático, engenheiro, professor catedrático, escritor e político. Exerceu as funções de Deputado à Assembleia Nacional de 1938 a 1941, procurador da Câmara Corporativa, subsecção de ensino, de 1938 a 1955, Ministro da Educação Nacional de 1955 a 1961, Presidente da Junta de Energia Nuclear de 1961 a 1967, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, e simultaneamente Presidente do IGC, Instituto Gulbenkian de Ciência de 1967 a 1969. Presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica de 1967 a 1971 e novamente procurador da Câmara Corporativa de 1968 a 1973. 

Completou os estudos secundários no Liceu Camões. Em 1919, ingressou no curso de matemática da Faculdade de Ciências de Lisboa, mas acabou por concluir os estudos superiores com uma licenciatura em engenharia geográfica, em 1924. Iniciou a sua carreira profissional como docente nos Liceus Pedro Nunes e Fialho de Almeida. Em 1929, parte para França com uma bolsa da Junta de Educação Nacional (JEN) matriculando-se na Universidade de Paris para obtenção de um Diploma de Estudos Superiores de Astronomia (1930). Novamente bolseiro da JEN, frequenta, também em Paris pela mesma época, a École Nationale des Ponts et Chaussées, conceituada instituição que lhe outorga o diploma de engenharia civil. Francisco de Paula Leite Pinto prepara entretanto o seu doutoramento em astrofísica. Regressa a Portugal em 1933, retomando a atividade docente no Liceu Gil Vicente. Em 1934, é eleito secretário geral da JEN, cargo que desempenhará até 1936, ano em que assumirá responsabilidades como dirigente da «7ª Secção» («Alta Cultura») na recém-criada Junta Nacional de Educação, embrião do que será o Instituto de Alta Cultura.

Diretor dos Serviços de Propaganda da Mocidade Portuguesa, Francisco de Paula Leite Pinto foi deputado à Assembleia Nacional e procurador da Câmara Corporativa, subsecção de ensino, durante o Estado Novo (desde 1938 e até 1955, e novamente de 1968 a 1973), tendo apresentado com Francisco Nobre Guedes um curioso projeto de lei sobre aviação sem motores, em 1939 (que retomava o seu interesse por esses engenhos afirmado no opúsculo «Sideróstatos, Helióstatos e Celóstatos», publicado em 1934 como anexo a um relatório enviado à JEN). Foi ministro da Educação Nacional, entre 1955 e 1961, tendo igualmente dirigido o Instituto de Alta Cultura, organismo a que era então confiada a então ainda circunscrita política nacional de ciência.

Nessa qualidade, entre 1954 e 1955, preside à Comissão de Estudos de Energia Nuclear do mesmo Instituto de Alta Cultura que contribuira para formar, tomando posse em 1961, como presidente da Junta de Energia Nuclear, tendo sido, por inerência, representante de Portugal na Agência Internacional de Energia Atómica.

Em 1967 toma posse como presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica que contribui para fundar e organizar, tendo como pano de fundo a reformulação da atividade educativa e científica nacional proposta no quadro do IIIº Plano de Fomento (1967-1973). Propõe uma modernização e descentralização relativas das atividades de investigação científica e tecnológica, ideias que se encontram expressas no amplo preâmbulo ao Decreto-lei que funda a JNICT. Essas ideias aliás traduzem uma conjuntura nova de um certo degelo nacional e internacional, ao nível da ciência ainda estimulado com a entrada em cena de uma poderosa instituição privada, a Fundação Calouste Gulbenkian, de que Leite Pinto fará parte como administrador e simultaneamente como presidente do IGC, Instituto Gulbenkian de Ciência também inaugurado em 1967.

Francisco Leite Pinto foi professor catedrático do ISCEF, entre 1940 e 1947 e a este Instituto regressaria após a sua presidência da JNICT terminada em Novembro de 1971. Deixou o país, em 1974, estabelecendo-se em Paris e pouco depois no Rio de Janeiro, regressando a Portugal já nos anos 80. 

Deixa uma obra diversificada na qual avultam trabalhos de carater político-institucional – «As Comunicações na Política de Fomento (1952); «A Educação no Espaço Português» (1963), «Da Instrução Pública à Educação Nacional» (1966) etc. -, didático – «Lições de Aritmética Racional» (1945), «Lições de Estatística» (1955)… -, e outros, por fim, de carater propriamente científico ou de erudição histórica como «Determinação da Latitude» (1926), «A Cromosfera do Sol» (1929), «L’astronomie nautique du Portugal à l’époque des grandes découvertes» (conferência proferida na Sorbonne em Paris, 1933), «Investigação Científica e Tecnológica» (discurso por ocasião da sua tomada de posse como presidente da JNICT em 1967), «O Ensino Humanista dos Jesuítas» (1969), entre outras.

Manuel Braga da Cruz e A. Costa Pinto (Dir.) Dicionário Biográfico Parlamentar. 1935-1974. Vol. 2º p. 366-369. 

Fernando Rosas. Dicionário de História do Estado Novo. Vol. 2º p. 730.  

Recepção Académica ao Prof. Francisco Leite Pinto. Academia Portuguesa de História. Lisboa. 1992.  

Filomena Mónica. Dicionário de História de Portugal. Figueirinhas. 2005. Vol. 9º p. 

Franco Nogueira. Salazar. Livraria Civilização Editora. Vol. 4º p. 382-383, 403, 434, Vol. 5º p. 138, 143, 191, 255. 

Jaime Nogueira Pinto. Salazar Visto pelos seus próximos. Bertrand. Lisboa. 1993. Depoimento de Francisco Leite Pinto, nas p. 151-163.

 

 

 

Referência: 1912PG003
Local: SACO A


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