RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
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BARBAZZA. (Francesco) EFFIGIES V. P. BARTHOLOMAEI DE QUENTAL. [GRAVURA DO SÉC. XVIII]

NOBIL. INSULANI, CONGREGATIONIS ORAT S. PHILIPPI NERII IN LUSITANIA FUNDAT OBIIT XX. DEC. MDCXCVIII. AET. LXXII. Franc. Barbazza inc. S. n. S. l. MDCCLVI. [1756]

De 41,5x27 cm. 1 fólio com retrato gravado em chapa de cobre. Dimensões da mancha gráfica: 27x19cm.

Retrato a meio-corpo de Frei Bartolomeu do Quental, a três quartos para a direita, olhando para a frente, em oval dentro de moldura arquitectónica, encimada por cartela com o título e ladeada por dois anjos, estando o da esquerda, sentado na base da moldura, a mostrar uma folha de papel com o célebre passo do Profeta Isaías (49.1) Audite insulae sobre o chamamento de Deus, que é alusivo à precoce vocação religiosa do Venerável Bartolomeu do Quental e ao seu talento de pregador.

O anjo do lado direito, de pé no primeiro plano, aponta para uma inscrição epigráfica Beneficentissimo Parenti... agradecendo a intercessão milagrosa do Padre Bartolomeu do Quental, que salvou da morte, durante o terramoto de 1 de Novembro de 1755, os padres da Congregação do Oratório, por ele fundada.

Esta bela e rara gravura é um dos exemplos do culto do Padre Bartolomeu do Quental e da crença nos poderes de taumaturgo que lhe foram atribuídos após a sua morte, com fama de santidade devido ao testemunho dos vários milagres que se realizaram logo após o seu falecimento. Pela sua vida, de elevado misticismo e enérgica acção pastoral foi declarado venerável pelo Papa Clemente XI em 1713. A gravura foi executada em Roma por diligência do Padre Diogo Curada, da Congregação do Oratório, segundo informa Inocêncio.

Frei Bartolomeu do Quental (Fenais da Luz, Açores, 23 de Agosto de 1626 - Lisboa, 20 de Dezembro de 1698). Estudou filosofia e teologia na Universidade de Évora, entre 1643 e 1647, tendo-se licenciado em Filosofia em Maio de 1647 e obtido o grau de Doutor no mês de Junho. Matriculou-se no curso de Teologia, ainda em Évora, mas passou para Coimbra em 1650, sendo já diácono dois anos mais tarde e pregando aos universitários. Em Dezembro de 1652, foi ordenado presbítero. Começou a pregar na região de Lisboa com tal intensidade e qualidade que, a 22 de Outubro de 1654, foi nomeado capelão-confessor da capela real e pregador extra-numerário pelo rei D. João IV, tendo mantido estas funções nos reinados seguintes. Juntamente com as tarefas que, desde essa data, desempenhou na corte, Bartolomeu do Quental continuou a pregação itinerante.

Para melhorar o nível do clero pensou em fundar uma congregação tendo como finalidade mudar o panorama da vida sacerdotal. Entre os anos de 1657-1658 tentou reunir os capelães e clérigos da Capela Real, com o objectivo de congregar sacerdotes devotos e zelosos da salvação das almas para com o seu exemplo atrair a gente do povo para a frequência dos exercícios espirituais. Em 1659, instituiu uma congregação de sacerdotes, dedicada a Nossa Senhora das Saudades, com estatutos próprios que organizavam a vida individual e colectiva. Em 1667, Bartolomeu do Quental preparou a fundação do Oratório como «associação de padres seculares, sem quaisquer votos». Foi aprovada por provisão da Arquidiocese de Lisboa de 8 de Janeiro de 1668 e, a 16 de Julho desse ano em Lisboa, nas Fangas da Farinha, na Rua Nova do Almada, nasceu a Congregação do Oratório de São Filipe de Néri, cujos estatutos seriam aprovados pelos papas Clemente X e Inocêncio XI. Em 1674, os Oratorianos mudaram-se para a Igreja do Espírito Santo na mesma rua. A partir de Lisboa, o Oratório espalhou-se pelo país, com grande incidência nas províncias nortenhas e implantou-se no Brasil (Pernambuco) e na Índia (Goa). Quando morreu, sem nunca deixar Lisboa, vítima de uma pleurisia, tinha fama de santo e vários milagres lhe foram atribuídos após o falecimento. Exerceu todas as suas funções com elevada erudição intelectual e estatura moral. Eloquente pregador e escritor sacro, dedicou-se à reforma católica da vida interior, através da pedagogia das metáforas, da promoção da oração mental e da densidade do ser, da denúncia dos enganos do mundo, de uma renovada consciência do pecado, do fortalecimento da memória da morte, da recuperação do temor a Deus, da vivência da Lei de Deus e da exortação a uma vida justa, sobretudo da parte dos que detêm autoridade.

É autor de uma obra de alto nível religioso e literário que inclui: Meditações sobre a Infãncia, Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, 1666, 1679 e 1683; Meditações para os Domingos do ano, 1695 a 1699; e Sermões (uma pequena amostra dos muitos que pregou) publicados em dois volumes nos anos de 1692 e 1698. Entretanto a Congregação do Oratório começou a competir no campo do ensino com os Jesuítas e, em 1755, depois da expulsão da Companhia de Jesus, substituiu os Padres Jesuítas no ensino, mas rápidamente incorreu no desfavor do Marquês de Pombal que os proibiu de pregar, confessar e exercer o ensino desde 1760 até ao momento da queda do poder, em 1777, do Ministro do Rei D. José.

Francesco Barbazza foi um artista e gravador iltaliano de quem não se conhecem dados biográficos. Assinou muitas gravuras na segunda metade do século XVIII, entre elas vistas da Capela Sistina, da Basílica de São João de Latrão, a partir de pinturas de Francesco Panini, desenhos de arquitectura a partir de alçados do arquitecto Giuseppe Palazzi, e vistas de outros monumentos de Roma, como o Panteón, ou o Castelo de Santo Ângelo.

Bibliografia:

SOARES. (Ernesto) Dicionário de Iconografia, 2582 C) "Em uma oval, ladeada por dois anjos, um sustentando um papel onde se lê Audita insulae... e outro apontado para a base de uma coluna onde se vêem os dizeres: Beneficentissimo Parenti... Servatis D. D. A. C.CI.CIC,CCLVI, meio corpo a três quartos para a dreita, olhando para a frente. INS. Effingies V. P.... Nobil. Insulani, Congegationis Orat S. Philippi Nerii In Lusitania Fundat. Obit XX. DEC. CICICCIIC. Aet. LXXII. S. - E Franc. Barbuzza inc. - C. - B. N. L. 42 A-55. A. A. - D. 176x192."

SOARES. (Ernesto) História da Gravura Artística em Portugal. Vol. I, nº 216  

CATALANI. (Giuseppe) DE VITA VENERABILIS SERVI DEI BARTHOLOMAEI DE QUENTAL CONGREGATIONIS ORATORII IN REGNIS PORTUGALLIAE FUNDATORIS... AUCTORE JOSEPHO CATALANO. Typis Antonii de Rubeis. Romae. 1734.

CATALANI. (Giuseppe) VIDA DO VENERAVEL PADRE BARTHOLOMEU DO QUENTAL... ESCRITA NA LINGUA LATINA PELO PADRE JOZÉ CATALANO ; E EXPOSTA NO IDIOMA PORTUGUEZ POR FRANCISCO JOZÉ FREIRE. Lisboa Occidental. Na Off. de Antonio Isidoro da Fonseca. 1741.

Inocêncio I, 336 e 337.

Site Igrejaacores.pt

Referência: 2103PG040
Local: Gravureiro Gav. 1-2


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