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RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA. |
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Clique nas imagens para aumentar. SILVA. (José Pedro) COLLECÇÃO DOS VERSOS,e Descripções DOS QUADROS ALEGORICOS, QUE EM TODAS AS SOLEMNIDADES PUBLICAS DESTA CAPITAL MANDOU IMPRIMIR E GRATUITAMENTE DISTRIBUIR JOSE' PEDRO DA SILVA POR OCCASIÃO DAS ILLUMINAÇÕES DA SUA CASA NA PRAÇA DO ROCIO. REIMPRESSA A' SUA CUSTA EM BENEFICIO DA CASA PIA. LISBOA, NA IMPRESSÃO REGIA. 1812. In 12.º de 16x11 cm. Com vi-201 pags. Brochado deve ser encadernado. Exemplar com falta de capa anterior; apresentando-se por aparar e com folha de rosto manuseada. Obra bocagiana fundamental. Inocêncio V, 91: 'JOSÉ PEDRO DA SILVA, Chefe dos contínuos da Câmara dos Pares, nomeado em 1827, e Continuo da Secretaria d'Estado dos Negocios da Marinha em 1834. Nasceu em Paço d'Arcos em 1772. Falleceu em Lisboa a 15 de maio de 1862. Foi por muitos anos dono do antigo e celebre botequim situado na praça do Rocio (hoje de D. Pedro), conhecido mais geralmente por loja das Parras, que no primeiro quartel deste século [XIX] servia de ponto de reunião á maior parte dos poetas e literatos do tempo. Publicou a seguinte: 4518) Collecção dos versos e descripção dos quadros allegoricos, que em todas as solemnidades publicas desta capital mandou imprimir, e gratuitamente distribuir por occasião das illuminações da sua casa na praça do Rocio. Reimpressa á sua custa em beneficio da Casa pia. Lisboa, na Imp. Regia 1812. 8.º de VI 201 pag. Contém poesias dos melhores engenhos daquela época, tais como José Maria da Costa e Silva, Nuno Alvares Pereira Pato Moniz, Tomás Antonio dos Santos e Silva, Miguel António de Barros, João Bernardo da Rocha, etc., dos quais muitas só neste livro se encontram. Acerca [de JOSÉ PEDRO DA SILVA] cujo nome anda ligado às tradições da Arcádia, e a quase todas as biografias do insigne poeta Bocage, publicaram-se extensos necrológios. José Pedro começou a ser conhecido quando administrava o botequim do Nicola, no lado ocidental da Praça do Rocio, cujas portas têm hoje os nr. 24 e 25; aí se reuniam muitos literatos e vultos políticos, os quais depois passaram a frequentar o estabelecimento que abriu por sua conta no prédio próximo, nr. 27 a 29. O gabinete reservado - a que chamavam «Agulheiro dos Sabios» - era o lugar das sessões nocturnas de Manuel Maria Barbosa du Bocage, D. Gastão Fausto da Câmara Coutinho, Tomás Antonio dos Santos e Silva, Francisco Joaquim Bingre, Nuno Alvares Pereira Pato Moniz, Francisco Manuel Gomes da Silveira Malhão, Miguel Antonio de Barros, João Bernardo da Rocha Loureiro e outros homens de letras. Aquele gabinetezinho, como diz condeituosamente o Sr. Barão de Roussado, «era um laboratório literário». Planeavam-se ali obras; improvisavam se versos; discutia-se a política do dia; e exercia-se a mais severa crítica sobre todos e tudo. Era ao mesmo tempo o artigo de fundo, o folhetim e o noticiário da época. Os afeiçoados à política e às letras, e os curiosos de novidades iam ali perguntar o que diziam os poetas. José Pedro era um jornal vivo, colaborado pelos principais talentos de Lisboa, tinha assunto para todos os paladares; recitava sonetos e décimas de Bocage, repetia as sátiras de José Agostinho, e desenvolvia as reflexões políticas de Bernardo da Rocha. Por este modo o proprietário da loja onde se reunia o claro auditório, conforme a própria frase de Elmano [Bocage] na Pena de talião, adquiriu boas relações de amizade entre algumas pessoas notáveis da época; mas o seu nome popularizou-se por ocasião da retirada dos franceses de Lisboa, em 1808, que José Pedro festejou com deslumbrantes iluminações no botequim e no terceiro andar do mesmo prédio, onde habitava (n.º 30, lado direito). Viam-se naquele recinto vistosos arcos, lanternas de variadíssimas cores, versos dos primeiros poetas, aludindo à liberdade da pátria, quadros alegóricos delineados pelo pintor Henrique José da Silva, retratos dos heróis da época, tais como o príncipe regente de Portugal, Jorge III da Grã-Bretanha, Príncipe de Gales, Wellington, Beresford, etc. Calcula-se que a despesa excedeu a 600$000 réis! Por este facto e outros semelhantes, ficou desde então conhecido pelo nome de José Pedro das Luminárias, e, justificando o novo apelido ou alcunha, não havia dia festivo para o reino e aniversário natalício de príncipe nacional ou estrangeiro ligado com a casa de Bragança, sem que nas três janelas da sua residência brilhassem ao anoitecer nove lanternas! Dos prelos da impressão régia (hoje Imprensa Nacional) saíram editados por José Pedro, durante os anos de 1811 a 1814, dezoito folhetos de versos, a maioria dos quais foram incluídos na Colleção que já se mencionou no tomo V, pag. 91, sob n.º 4518 [a presente obra desta ficha]. O «Agulheiro dos Sábios» converteu-se depois numa espécie de clube revolucionário, onde se cooperou activamente para os movimentos políticos de Agosto e Setembro de 1820, porque o frequentavam indivíduos de grande influência, que se correspondiam com Manuel Fernandes Thomás e outros membros do Sinédrio do Porto, informando-os acerca de todos os actos dos governadores do reino e outros altos funcionários. O entusiasmo de José Pedro pelo regime liberal, e sem dúvida a má vontade que lhe tinha o padre José Agostinho de Macedo, fizeram-no alvo de perseguições. Logo depois da queda da constituição, a intendência geral da polícia obrigou-o a assinar termo de mudança de conduta política; envolvido nos acontecimentos da Abrilada em 1824, por ser contrário aos projectos do infante, esteve preso em companhia de José Joaquim Gerardo de Sampaio, depois visconde e conde de Laborim; em 1 de agosto de 1827 foi de novo encerrado na prisão como suspeito de cumplicidade nos tumultos da Archotada, conseguindo a muito custo livrar-se solto; e durante o governo de D. Miguel teve de homisiar-se em casa do seu íntimo amigo o abastado capitalista Manuel José Machado, e na do contra parente Manuel Luiz Rodrigues Viana, gravador da Impressão Régia. Os transtornos ocasionados pelo homísio não lhe afrouxaram porém o fervor partidário. Em Outubro de 1846, tendo mais de setenta e quatro anos de idade, assentou praça no Batalhão de Voluntários da Carta, e sempre comparecia às formaturas gerais, de boldrié e baioneta, e às vezes apoiando-se a uma bengala! Este homem, que tanto se distinguiu pelo sincero patriotismo e firmeza de carácter, tornou-se ainda mais notável como dedicadíssimo amigo [de Bocage], e por isso mereceu honrosa menção de eruditos escritores, quando aludiram ao talentoso poeta de que ele se constituíra protector. Luiz Augusto Rebelo da Silva, quando alude á morte do notável poeta, diz no Panorama, tomo X, pag. 93: «Um homem que, apenas a liberdade constitucional despontou em Portugal, e antes mesmo, a serviu e amou sem alarde, mas com devoção, tirou da mediocridade das suas posses e da boa vontade de outros amigos a despesa com que se fez o enterro de Elmano, e julgou cumprir um dever de cidadão e de amigo, prestando as honras fúnebres ao poeta que tinha ocupado tão distinto lugar nas letras de sua época, e ao qual a historia das boas artes portuguesas reserva mais de uma pagina de elogio. O Sr. José Pedro da Silva foi a providência de Bocage durante a enfermidade, não desamparando os seus restos senão quando o último punhado de terra os escondeu para sempre. Alguns admiradores do grande génio poético de Bocage resolveram proceder a averiguações para recolher lhe os ossos em lugar condigno. Um único homem podia auxiliá-los eficazmente em tão louvável empenho: era o José Pedro das Luminárias, que cerca de cinquenta e sete anos antes acompanhara o cadáver no pequeno trajecto da modesta casa da travessa de André Valente (n.º 11 antigo e 25 moderno) ao cemitério da freguesia de Nossa Senhora das Mercês. Inocêncio Francisco da Silva encarregou-se de convidar o nonagenário, que da melhor vontade anuiu, chegando a fixar-se dia para a busca das cinzas; o bom velho não pôde porém render aquela última homenagem á memória do amigo predilecto, porque sobreveio a doença que o prostrou para sempre'. Referência: 1104JC062
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