RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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CAMÕES, Luís de. OS LUSIADAS, POEMA EPICO DE… [1ª Edição, 1ª Tiragem da Monumental Edição do Morgado de Mateus, 1817].

NOVA EDIÇÃO CORRECTA, E DADA À LUZ, Por Dom Ioze Maria de SOUZA-BOTELHO, Morgado de Matteus, Socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa. PARIS, NA OFFICINA TYPOGRAPHICA DE FIRMIN DIDOT, IMPRESSOR DO REI, E DO INSTITUTO. M DCCC XVII. [1817].

In folio (34x26 cm). Colação: [i], [gr*], [1 br]. [6], CXXX**, 413***, [1 br.] pags.

Encadernação artística recente, ao gosto da época, em inteira de pele marroquin vermelho com finos ferros a ouro nas pastas e em super-libris, assinada pelo encadernador.

Ilustrado com 12 gravuras (incluindo o retrato do escritor) desenhadas e abertas pelos mais famosos gravadores do seu tempo.

Exemplar preservando a folha de anterrosto limpa (vide e cf. Inocêncio, xiv, 117); proveniente da série dos primeiros exemplares distribuídos pelo Morgado, e aos quais não foi substituído um fólio com gralhas tipográficas.

Belo exemplar, muito limpo e intonso (margens por aparar), da primeira variante AA (de 4 variantes) da primeira tiragem da primeira edição, i. e. sem as emendas e o suplemento impresso posteriormente, o qual foi apenso na sequência da tiragem, conforme refere Inocêncio vol. XIV, 111.

Obra impressa sobre papel velino, utilizando caracteres propositadamente desenhados, fundidos e reservados pelo editor apenas para esta monumental edição ilustrada.

Considerada uma obra prima da arte tipográfica, a qual permaceu como escola e referência até aos nossos dias; da produção tipográfica daquele que é considerado o melhor impressor da história Didot.

Apresenta um título de posse manuscrito, da época, à cabeça da folha de rosto: «Macário Castro. Lamego – Casa das Brôlhas». [A Casa das Brolhas, dista cerca de 30 quilometros da Casa de Mateus, pertenceu a vários notáveis ligados à mais antiga nobreza de Portugal, como Macário de Castro da Fonseca e Sousa, par do reino e parlamentar nos primeiros anos do regime constitucional de 1820. A casa das Brolhas, também conhecida por Solar dos Castros, foi edificada em 1777. O vínculo das Brolhas foi instituído em 1636 por Dona Guiomar de Castro, situando-se na Região Demarcada do Douro].

O Morgado de Mateus oficial de marinha, académico e ex-embaixador em França, soube que tinha havido duas edições dos Lusíadas, com variantes, publicadas em 1572. Tratava-se de uma tradição oral passada de bibliotecário em bibliotecário. Porém ninguém tinha verificado a tradição e procurado saber a exatidão nestas afirmações. O Morgado de Mateus foi confrontado com uma situação única na história da literatura portuguesa e da literatura europeia. à importância do estudo e da fixação do texto, juntou-se a melhor execução graáfica e artística das gravuras abertas pelos mais famosos desenhadores e gravadores da época. O Morgado de Mateus acompanhou pessoalmente e diariamente a impressão. Quando esta saíu a corte de França admirou e cobiçou a edição monumental, tendo os embaixadores estrangeiros em França realizado pedidos da obra que as bibliotecas pessoais de seus governantes não fossem esquecidas. A enumeração seria daquelas cortes que receberam um exemplar da edição monumental seria fastidioso e resume-se ao facto de que a Europa erudita admirou sem reservas o trabalho de Morgado de Mateus. Em Portugal a beleza do livro igualou as sérias críticas feita ao texto. Em suma foi uma edição para encantar e educar. Um facto paradoxal é de que a obra tinha sido preparada, illustrada e impressa num país (a França) que lutuva com a própria pátria do Morgado de Mateus (Portugal), e sob a autoridade de um homem que, pensavavasse que devia ter tido o bom senso de retornar à sua terra natal há já muito tempo. Relativamente à fixação da ortografia também aqui esta obra monumental estabeleceu um marco histórico porque até esta data a Academia das Ciências de Lisboa nunca tinha fixado a ortografia em qualquer dos seus trabalhos (vide Anne Gallut).

Segundo uma aproximção actual a edição custou na época um ano de produção das propriedades da Casa de Mateus, ou poder-se-ia comprar com o seu custo um palacete no centro de Paris.

Enumeramos seguidamente as ilustrações (12 gravuras abertas em chapa de cobre):

* Gravura com retrato do poeta (Gerard del., Visconti del, Lignon sculp) em frontispício.

** Gravura + página de legenda Gruta de Camões em Macau: (Gerard, del. Desenne del. Forssel sculp.) entre a página XLVIII e a página L.

*** Gravuras intercaladas no texto; no início de cada um dos 10 cantos do poema:

Gravura + página de legenda Conselho dos Deuses (Gerard, del. Desenne del, Massard sculp.) antecedendo a primeira página do poema.

Gravura + página de legenda Visita do Rei de Melinde a Gama (Gerard, del, Fragonnar del, Oortman sulp) entre as páginas 36 e 37.

Gravura + página de legenda Assassínio de Inês de Castro (Gerard, del. Desenne del, Henri Laurent sculp.) entre as páginas 74 e 75.

Gravura + página de legenda Sonho del Rei D. Manuel (Gerard, del, Fragonard, del, Lignon sculp.) entre as páginas 122 e 123.

Gravura + página de legenda Aparição do Gigante Adamastor (Gerard, del, Fragonard, del, Bovient sculp.) entre as páginas 158 e 159.

Gravura + página de legenda Vénus aplaca os Ventos e a tormenta (Gerard, del, Fragonard, del, Pigeot sculp.) entre as páginas 192 e 193.

Gravura + página de legenda Desembarque de Gama em Calecut (Gerard, del, Fragonard, del, Toschi sculp.) entre as páginas 226 e 227.

Gravura + página de legenda Segunda Audiência do Samorim a Gama (Gerard, del, Fragonard, del, Forster sculp.) entre as páginas 256 e 257.

Gravura + página de legenda Ilha de Vénus (Gerard, del. Desenne del, Richomme sculp.) entre as páginas 290 e 291.

Gravura + página de legenda Audiência de El Rei Dom Manuel a Gama (Gerard, del, Fragonnar del, Oortman sulp.) entre as páginas 322 e 323.

REFEÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JOSÉ DO CANTO, 1895, pag. 17, nº 58: « In-folio peq. de pp. 6 in. e cxxx-413 num. Não se pode assas encarecer a beleza e perfeição da parte artística deste monumento elevado à glória de Camões, com que o nobre editor desafrontou a pátria, acusada de ingrata. O digno Morgado de Mateus, na reprodução do texto de Camões, seguiu a primeira edição dos Lusíadas, corrigindo apenas os evidentes erros tipográficos, e modificando a pontuação, ou a ortografia na parte demasiado antiquada. Não contentou a todos, e infelizmente foi abocanhado por compatriotas seus, em termos descomedidos. A discussão literária é necessária e não pode deixar de ser útil, mas são sempre descabidas as animosidades pessoais. Nenhuma das penas que o censuraram devia esquecer o acto patriótico e serviço nacional que ele praticara, devendo respeitá-lo, ainda quando discrepassem de opinião. Para não amontoar citações, leia-se o que dizem os editores das obras de Camões, de Hamburgo, no prólogo do tomo I, e Francisco Solano Constâncio, nos Annaes das Artes, das Sciencias e das Lettras. Depois de publicada a esplêndida edição, fez imprimir o Morgado de Mateus uma nota comparativa da maior parte das diferenças que se encontram nas duas edições com a data de 1572, que anda geralmente separada da obra principal, e é a seguinte: - Supplemento da Nota primeira da Advertencia. Datada de Paris. Junho de 1818. In folio de pp. 10, começando a numeração de 415 a 424 ».

INOCÊNCIO XIV, 111: « Folio pequeno, de 8 (inumeradas) - CXXX - 413 pag. e mais 10 pag,. de suplemento da nota primeira da advertência numerado de 415 a 424, tendo na ultima o numero errado 10 em vez de 424, e no fim a data de «Paris, Junho de 1818». Este suplemento, porém, não aparece em grande número de exemplares, e a razão é que foi escrito e mandado imprimir depois do Morgado de Matteus ter concluído a impressão da sua monumental edição e oferecido alguns exemplares a pessoas que, porventura, receberam depois o suplemento e não o puseram em seu lugar.

A impressão luxuosa e extraordinariamente nítida, com caracteres inteiramente novos, e um padrão da perfeição tipográfica usada na opulenta casa Didot, de que ela já dera a prova em honra do nosso egregio poeta na edição anterior, de menor formato.

Este livro compreende: Dedicatoria a El Rei (3 pag. inumeradas) em cursivo; advertência (pag. I a XLVIII); vida de Camões (pag. XLIX a CXXX); o poema (pag. 1 a 375); notas da advertencia (pag. 377 a 397); notas da vida de Camões (pag. 398 a 413); e supplemento (pag. 415 a 424). [...]

É preciso também atender a uma circunstancia, enquanto não poder provar-se o contrário. Os que conhecem algum tanto das coisas da tipografia, sabem que, numa impressão perfeitamente nítida, quanto melhor for a chapa no cofre de um prélo manual, tanto maior é a nitidez da impressão, porque os preliminares (mise-en-train) do trabalho do impressor podem ser mais correctos e a pressão do aperto mais adequada ao resultado que se deseja obter. Ora, Didot, a quem devemos impor a responsabilidade da impressão, não consentiria decerto que saísse de seus prélos uma edição, como a que apresentou na obra monumental do Morgado de Matteus, senão obedecendo a todos os requisitos exigidos pela arte de que ele era mestre.

Ainda há que notar outra circunstância: é que examinando a folha, que o Morgado mandou reimprimir para tirar os erros que ele notou de pag. 333 a 336, e que em grande número de exemplares não puderam ser substituídos, vê-se bem que a tiragem foi em fólio menor, como indiquei. A folha tem aí a competente rubrica.

Os erros, que emendou, são:

Pag. 333, canto X, estancia XXX, pdoer - poder.

Pag. 333, canto X, estancia XXX; aprende - apprende.

Pag. 336, canto X, estancia XLI, de sal - do sal.

Pag. 336, canto X, estancia XLI, aprendem - apprendem.

Antes de passar adiante, notarei aos camonianistas que aparecem quatro espécies de exemplares:

 - Errados, isto é, com o erro pdoer da pag. 333, e sem a correspondente emenda; e com a falta do «supplemento»

- Emendados só na palavra pdoer, para poder, o que parece que foi feito no correr da impressão; e com o «supplemento»;

- Emendados nas quatro palavras, como indiquei acima, e sem o «supplemento»;

- Perfeitos e completos, emendados, ou antes com a folha 84 reimpressa, e o «supplemento».

Esta edição tem dois retratos, o primeiro em busto em frente do rosto, que pode considerar-se como outro rosto ornamental; e o segundo, em corpo inteiro, figurando Camões na gruta de Macau, posto antes da vida do poeta ou entre as pag. XLVIII e XLIX; e mais dez estampas, uma em frente de cada canto, sendo a composição alusiva a passagens dos mesmos cantos.

A direcção artística foi dada ao pintor F. Gérard, então mui afamado em Paris; e a execução da gravura das chapas confiada, escrupulosamente, aos que formavam naquela época o grupo mais distinto dos gravadores em cobre, taes como F. Lignon, Forsell, Massard, Oortman, Henri Laurent, Bovinet, Pigeot, Toschi, Forster, Richomme. Os gravadores Lignon e Oortman tiveram, à sua conta, duas chapas; os demais artistas, uma cada um. Toschi, como artista de primeira ordem, teve por fim, segundo constou, o encargo de examinar e retocar as chapas dos seus colegas, e dar consequentemente a autorização pare correr a tiragem. O pintor Gérard, além da direcção, desenhou o busto de Camões para a primeira estampa, cuja ornamentação e do desenhador L. Visconti. Os autores das outras composições, todas de feliz concepção, muito adequadas à magnitude dos assuntos, e de grandes belezas no conjunto, foram Desenne, para o segundo retrato e para os cantos I, III e IX, e Fragonard pare os cantos II, IV, V, VI, VII, VIII e X. O estampador de todas as chapas foi Durand, conforme vem expresso na parte inferior da primeira estampa (o primeiro retrato).

[...] Toschi foi um dos mais notáveis gravadores do seu tempo. Examinando as estampas mais vagarosamente, e com o desejo de encontrar as siglas, ou monogramas, do afamado artista que retocou as chapas, vi com efeito, «T. (no braço direito do busto de Camões, primeira estampa); Toschi fini (na segunda estampa, Camões na gruta de Macau); P. T. (na do canto III), T. (na do canto VI); P. T. R. (na do canto VIII).

Que trabalho extraordinário o d'esta edição! As estampas são, portanto, uma obra de arte considerada por profissionais e amadores, alguns dos quais possuem colecções, pela maior parte compradas em Paris, onde por vezes tem aparecido no mercado, aí levadas decerto depois do óbito dos artistas, que trabalharam na obra, e que conservaram as provas ou exemplares perfeitos, que puderam adquirir ao tempo da estampagem. Em Lisboa, sei que existem quatro dessas colecções, [...]

Possuem exemplares [da obra], em Lisboa: a Biblioteca Real da Ajuda (dois), a Biblioteca particular de el-Rei D. Fernando, a Biblioteca Nacional (três exemplares, sendo dois completos e um sem o suplemento); a Biblioteca da Imprensa Nacional, por concessão do governo, a Biblioteca da Academia Real das Ciências; e os srs. Fernando Palha, António Augusto de Carvalho Monteiro, Henrique da Gama Barros (tem o exemplar que pertencera a seu sogro, o viticultor José Maria da Fonseca), João António Marques, Vicente Monteiro (que era o da colecção Minhava e foi arrematado por 60$300 réis), João Henrique Ulrich, Luciano Cordeiro, Visconde de Juromenha, Macedo Braga e José Gregório da Silva Barbosa; no Porto, a Biblioteca Municipal (dois); e os srs. Drs. José Carlos Lopes e Visconde da Ermida; em Coimbra, a Biblioteca da Universidade (dois), e o sr. Antonio José Alves Borges; em Évora, a Biblioteca Pública; em Vila Real, o sr. Conde de Vila Real (tres), na Lousã, o sr. Fernandes Thomás, em Ponta Delgada, o sr. José do Canto, no Rio de Janeiro, a Bibhotheca Nacional (três, sendo dois sem os retratos), e o Gabinete Português de Leitura. [...]

A tiragem da edição monumental foi de 210 exemplares, e importou em 52:000 francos aproximadamente, ou mais de 9:000$000 réis. O Morgado ofereceu, em sua vida, 182 exemplares. Dos restantes 28, o seu imediato sucessor e herdeiro deu também alguns.

A notícia de que o Morgado de Matteus, residente em Paris, estava fazendo uma edição luxuosa dos Lusíadas, causara em Lisboa a mais agradável sensação, porque se julgava antecipadamente um sucesso literário da maior importância. Assim, quando a Academia Real das Ciências recebeu o exemplar que lhe destinou o nobre editor, tratou logo de eleger uma comissão de três conspícuos membros efectivos, António Caetano do Amaral, da classe de literatura, Mateus Valente do Couto, da classe de ciências exactas, e Sebastião Francisco de Mendo Trigoso, da classe de ciências naturais, todos então diretores das respectivas classes, e o último vice secretario da academia, para dar parecer acerca desta edição. A comissão não quis demorar o seu trabalho, e em breve tempo foi apresentado à academia, lido e mandado imprimir.

Como deve haver superior interesse em ajuntar uma parte valiosa deste parecer, ou relatório, sempre que se escreva da edição do Morgado de Matteus, deixarei aqui os seguintes parágrafos: «Não é necessário um profundo exame desta obra para se conhecer que toda a perfeição e luxo, modernamente introduzido na tipografia; tudo quanto as artes do desenho e da gravura podem produzir com mais graça e elegância; tudo em fim quanto se deve esperar da exatidão e perspicácia de um editor sábio e zeloso pela glória nacional: tudo se pôs em uso para levantar um monumento digno de Camões, digno da pátria que este ilustre poeta tanto engrandeceu, e digno daquele que tomou a seu cargo esta nobre empresa. [...] O papel é o velino mais belo e mais igual, os tipos fundidos de propósito são os mais nítidos e perfeitos que se podem ver, e mostram que neste ponto, e o género de impressão tem a arte chegado ao maior auge a que podia aspirar: a tinta é de uma óptima cor: a tiragem tanto das folhas, como das estampas é a mais limpa possível: numa palavra esta edição iguala nestes diferentes artigos às que se tem feito de maior luxo, e ainda mesmo excede a maior parte delas. [...]. »

 ANNE GALLUT, Le Morgado de Mateus, Éditeur des Lusíadas, Klincksieck & Bertrand, 1970; pags. 93, 102, 122, 123, 133, 139 «Quant aux exemplaires tant recherchés de l"édition princeps, il est impossible de situer avec exactitude – a un au deux mois près – le moment où le Morgado apprit qu"il n"y avait pas eu une édition des Lusíadas mais deux, parues en 1572 à Lisbonne chez António Gonçalves. Sans doute s"en aperçut-il dans la seconde partie de l´hiver 1815-1816. […] Le noeud de la question se tenait là: en savait par une tradition orale transmise de bibliothecaire en bibliothécaire qu"il y avai eu deux éditions en 1572. On explicait le fait de une manière fantaisiste. Personne n"avait verifié cette tradition et pourtant on jugeait que tel exemplaire appartenait a la primière edition, tel autre a la seconde et cella sans les avoir comparés, san avoir jamais cherché à savoir pourquoi l"un était plus ancien que l"autre. Il y avait près de deux siècle et demi que ces tirages circulaient – un nombre limité, il est vrai – plus de cent trente ans que Faria e Sousa les avait remarqué – sans les caractèriser d"une façon absolue – et trente-sept ans que le Padre Thomás José de Aquino avait répété les dires de Manuel Faria e Sousa. Mais personne n"avait encore cherché a savoir se qu"il y avait d"exact ou de fantaisistes dans ces assertions. Les camonistes, les bibliothècaires, les lettrés, tous acceptaient ces traditions san exprimer le désir d"en connaître les fondements. Le Morgado était en face d"une situation unique dans l"histoire de la litterature portugaise, et peut-être de la litterature européenne. […] La Couer (de France) ayant admiré l"édition monumentale, il n"en fallut davantage pour que les ministre plénipotentiaires eussent à coeur de présenter à leur tour de flatteuses requêtes. Ils souhaitent que les bibliothèques personnelles de leurs souverains ne soient pas oubliées. […] Une énnumération plus complète des remerciements de ceux qui reçurent un exemplaire de l"édition monumental serait fastidieuse et n"apporterait rien de plus au fait que l"Europe érudite feuilleta et admira sans réserve l"oeuvre du Morgado de Mateus. […] La beauté du livre égalait le sérieux de la critique des textes princeps. Cet ouvrage avait su charmer et instruire. Il avait plu aux bibliophiles et aux érudits. […] A cela s"ajoutait le fait que le livre avait été préparé, illusté et imprimé dans un pays (la France) qui avait combattu le leur (le Portugal), et sous l"autorité d"un homme qui, pensaient-ils (les portugais), aurait dû regagner sa patrie depuis longtemps. […] On ne pouvait non plus parler d"ortographie moderne de la langue portugaise: l"Academie (de Lisbonne) ne l"avait jamais fixée dans aucun de ses travaux.»


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Referência: 1504JC008

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