RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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RESENDE. (André de) DE ANTIQVITATIBVS LVSITANIAE

Libri Quatuor DE ANTIQVITATIBVS LVSITANIAE à Lucio Andrea Resendio olim inchoati, & à Iacobo Menoetio Vasconcello recogniti, ataq absoluti. Acessit liber de antiquitate municipij Eborensis, ab eodem Vasconcello conscriptus, quo etiam autore, secundus tomus quinque alios libros continens, cito, deo opt. max. fauente, in lucem prodibit. Permittente regia maiestate, & supremo sacrosanctae inquisitionis senatu, cum priuilegio ad decennium. Excudebat Martinus Burgensis academiae typographus. Eborae anno 1593. 

In fólio pequeno (In 8º) de 29x21,2 cm. Com [xxxiv], [i], 259, [i], 45, [i], [ii], [xvii], [iii] págs. 

Encadernação do século XVIII, com nervos, ferros a ouro, com motivos florais e rótulo vermelho. Cortes das folhas carminados. Está acondicionado em caixa estojo revestida de tela e com rótulos.  

Exemplar com pequenos defeitos na encadernação como desgaste nas charneiras e perda de pele no pé, com assinatura de posse na folha de rosto, cuja tinta ferrogálica perfurou o papel, ex-libris armoriado colado no verso da folha de rosto e anotações coevas manuscritas nas margens das folhas preliminares e até página 8. Tem um pequeno pico de traça restaurado à cabeça das últimas folhas.  

Impressão muito nítida e cuidada, decorada com cabeções, iniciais ornamentadas e florões de remate, em xilogravura. A folha de rosto tem o texto separado por filetes horizontais e apresenta tarjas com motivos florais à cabeça e no pé da mesma folha. A paginação apresenta o fólio 45 numerado 46 por erro do tipografo.

Adornada com belas iniciais com elaborada decoração floral e antropomórfica, nas licenças da Inquisição e no Privilégio Real. A folha com as licenças do ordinário tem um cabeção com motivos antropomórficos e florais simbolizando a abundância, e duas belas iniciais decoradas com motivos vegetalistas, a poesia em louvor do editor é precedida de um belo cabeção com as armas reais, tem tarja que faz de remate e uma bela inicial. A dedicatória ao Rei tem bela incial decorada com motivos antropomórficos e florais, a biografia de Resende tem inicial decorada com pássaros e motivos florais, a carta do Cardeal Afonso tem inicial com motivos florais e o resto das folhas preliminares têm decoração menos exuberante com pequenas inicias, tarjas e florão de remate rectangular.

A obra tem cada um dos quatro livros com o início decorado com duas tarjas e inicial com motivos florais e no texto contém grande número de epígrafes latinas apresentadas com a mesma disposição gráfica que apresentavam nas pedras onde foram gravadas.

A biografia de D. M. de Vasconcelos, tem no início e no fim o cabeção que aparece pela primeira vez nas folhas preliminares a encabeçar as licenças do ordinário e que se repete no início do índice. O quinto livro é antecedido de cabeção com motivos geométricos e por uma tarja com motivos florais que se repete no fim como remate.           

As folhas preliminares contêm as licenças da Santa Inquisição, de 24 de Dezembro de 1591, (em português) assinadas por Cristovão Freire, António de Mendonça e Diogo de Sousa, o privilégio Real, datado de 6 de Fevereiro de 1592, (estes dois são os únicos textos em português desta obra) o índice do conteúdo da obra, as licenças do Ordinário, com parecer de Luís Sílvio de Brito e o imprimatur de D. Teotónio, Arcebispo de Évora, poesia do mesmo Luís Sílvio de Brito, em louvor de Diogo Mendes de Vasconcelos, dedicatória ao Rei Filipe I, de Portugal e II de Espanha, a biografia de André de Resende (que transcreve o epitáfio da mãe do escritor, carta do Cardeal D. Afonso a A. de Resende, carta de D. Henrique, Rei de Portugal a D. M. de Vasconcelos, poesias em louvor do autor e do editor e carta de A. de Resende ao jurista Bartolomé Frias de Albornoz. 

Depois dos 4 livros escritos por Resende que ocupam as 256 páginas, as 45 páginas seguintes contêm uma biografia de Diogo Mendes de Vasconcelos e o 5º Livro da obra por ele escrito, a página seguinte sem numeração contém as erratas, a numeração seguinte inclui um índice analítico e as 3 páginas finais estão em branco.      

Raríssima 1ª edição desta obra fundamental da cultura portuguesa ainda hoje obra de consulta imprescindível, apesar de toda a investigação posterior, que em Portugal, sobre as antiguidades romanas se publicou.

Posteriormente conheceu as seguintes edições: Roma, 1597, Colónia, 1600, Francoforte, 1603, Colónia, 1613, Coimbra, 1790, Lisboa, FCG, 1996 e Coimbra, Imprensa da Universidade, 2009 (só inclui os primeiros 4 livros). 

Como André de Resende não terminou a obra até falecer, em 1573, apesar de trabalhar nela desde 1545, Diogo Mendes de Vasconcelos, cuidou da edição da obra e escreveu o quinto livro para o qual o autor tinha deixado poucos apontamentos.       

A obra tem como finalidade valorizar o passado e o presente do reino de Portugal através da exposição, explicação e estudo das inscrições latinas que foi encontrando e que ainda hoje têm inegável valor documental. Resende, de uma forma inovadora, dava grande importância às inscrições latinas por considerar justamente que era nelas que se podia estudar a maneira de escrever dos romanos, pois os suportes mais perecíveis se tinham perdido quase todos.  

Constitui um notável documento fundador da recolha minuciosa dos passos históricos ainda hoje fundamentais para a compreensão da época que medeia desde o início da vinda dos Romanos para a Península no séc. III a. C. até à época de Augusto e intermitentemente até às invasões visigóticas do séc. IV da nossa era, o que continuou, quando necessário, até à Idade Média e Renascimento.

Ao mesmo tempo que glorifica o passado dos Lusíadas, os descendentes de Luso, filho de Baco, e fundador da Lusitânia, que começará a ser entendida e consagrada como equivalente do topónimo Portugal. Resende baseou-se numa velha tradição, da qual vai tirar o nome poético de Lusíadas, (que já tinha usado em 1534 e 1545) fundamentando-se para tal na etimologia do topónimo, no seu enquadramento metodológico na história romana, visigótica, árabe e medieval, usando para tal grande número de autoridades gregas, latinas, medievais e renascentistas, portuguesas e estrangeiras, e de um acervo, a todos os títulos admirável, de documentos da época, sejam eles epigráficos ou manuscritos.

André de Resende (Évora - 1573) Aos dez anos entrou para o convento de S. Domingos em Évora, aos treze, entrou na universidade de Alcalá, perto de Madrid, onde aprendeu com Nebrija, quatro anos depois, passando por Toledo e Talavera, foi para Salamanca, onde é aluno de Aires Barbosa, o nosso helenista da época. Até 1526, visitou Marselha e Aix-en-Provence, e seguiu para a Holanda, em Haia, para seguir para Paris, em 1527, onde, na Sorbonne, imperava o anti-erasmista António de Gouveia. Aí conhece como professor de Grego Nicolau Clenardo. Com vinte e nove anos (1529) já se encontra em Lovaina, onde fez muitos amigos de longa duração, como Goclénio e João Vaseu, Erasmo, que troca com ele correspondência. Um ano depois entra no círculo do embaixador D. Pedro de Mascarenhas, que por sua vez acompanha Carlos V, e na comitiva portuguesa visitou Colónia, Bruxelas, Ratisbona, Passau, Linz, Viena, Mântua, Bolonha, Génova, Barcelona, até voltar para Portugal, em 1533, com 33 anos. Em Évora começou a interessar-se pela realidade lusitana.

As suas obras muito ricas e numerosas reflectem uma vida movimentada e cosmopolita. Escritas na maior parte em latim, o que na época era uma garantia de leitura em toda a europa culta, como efectivamnente foi. Exerceu extraordinária influencia na cultura europeia e portuguesa. Foi ele que criou a lenda de Viriato como antecessor de Portugal, assim como a palavra Lusíadas, mais tarde usada por Camões.    

Iberian Books 64535 [15786].

Teles da Silva. Manuscritos e Livros Valiosos. Volume I. 1971. Nº 19.

Bibliografia Resendiana, págs 286 a 322 do IX volume do Archivo Histórico Portuguez.

Anselmo 431. 

D. Manuel II, 232. 

Azevedo-Samodães, 2761. 

Barbosa Machado, I . IV. 

 


Temáticas

Referência: 1910PG031

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