RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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MENDES PINTO. (Fernão) HISTORIA ORIENTAL DE LAS PEREGRINACIONES [1645]

DE FERNAN MENDEZ PINTO PORTUGVES, ADONDE SE ESCRIVEN MVCHAS, Y muy estrañas cosas que vio, y oyó en los Reynos de la China, Tartaria, Sornao, que vulgarmente se llam a Siam, Calamiñam, Peguu, Martauan, y otros muchos de aquellas partes Orientales, de que en estas nuestras de Occidente ay muy poca, o ninguna noticia. CASOS FAMOSOS, ACONTECIMIENTOS ADMIRABLES leyes, gouierno, trages, Religion, y costumbres de aquellos Gentiles de Asia. TRADVZIDO DE PORTVGVES EN CASTELLANO POR EL Licenciado Francisco Herrera Maldonado, Canonigo de la santa Iglesia Real de Arbas. AL EXCELLENTISSIMO SEÑOR RAMIRO FELIPEZ DE GVZMAN, SEÑOR DE LA CASA DE GVZMAN, Duque de Mondregon, y de Tracto, Marques de Monesterio [...] del Consejo de su Magestad, &c. CON LICENCIA, EN VALENCIA, En casa de los herederos de Chrysostomo Garriz, por Bernardo Nogues, junto al molino de Rouella, Año 1645. A costa de Iuan Sonzoni, Benito Durànd, mercaderes de libros.

In 8º grande de 30,5x19,5 cm. Com [xxiv], 482, [viii] págs. Encadernação da época em pergaminho flexível com restauros posteriores. Com sobrecapa de protecção inteira de pele.

Ilustrado no centro da folha de rosto com gravura xilográfica do Brazão do Duque de Medina de las Torres.

Exemplar com vestígios de manuseamento, trabalho de traça marginal, manchas de humidade e com falta da última folha com o cólofon. A capa de protecção apresenta danos na lombada e pasta anterior separada da mesma.

Raríssima 4ª edição da tradução espanhola da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Esta contagem é recente e depende da existência de um único exemplar de uma edição de Madrid publicada no mesmo ano de 1645.

Esta tradução tem excepcional importância para o estudo da obra por dois motivos: o tradutor teve acesso a manuscritos da obra que são desconhecidos nos nossos dias e, por outro lado, publicada apenas 6 anos depois da 1ª edição portuguesa de 1614, foi o ponto de partida para a enorme divulgação da Peregrinação em toda a Europa, uma vez que a partir do texto de Maldonado foram realizadas as traduções para outras línguas.

A Peregrinação é uma obra de carácter novelesco, ímpar na literatura mundial pelo seu estilo, uma obra de arte de grande classe, uma das maiores criações romanescas produzidas na Península Ibérica por um autor de elevada sensibilidade artística e com notável capacidade para criar personagens, espectáculos e pequenas novelas inseridas na narrativa principal.

É a primeira obra a nível mundial que transmite a tomada de consciência da unidade do mundo, através da sua diversidade, consequência do encontro de civilizações resultante dos descobrimentos portugueses. Baseada na vasta e rica experiência obtida pelo autor na sua aventurosa vida, durante os anos de juventude e nas viagens pelo Oriente, a sua apresentação do mundo exótico oriental e da reacção dos portugueses de quinhentos ao ambiente asiático, apesar de não ser factualmente exacta, tem muito de verdade.

Foram estas características que a tornaram um best seller mundial no século XVII e XVIII, (6 edições castelhanas, 4 inglesas, 6 francesas, 6 holandesas, 2 alemãs) pois era a primeira informação de conjunto sobre o Extremo Oriente, com o atractivo especial de apresentar essa informação sob uma forma romanesca, que conseguia atingir públicos mais vastos do que os tratados históricos e descrições oficiais.

A obra tem afinidades com o D. Quixote de Cervantes e com a novela picaresca espanhola, apesar de ao contrário desta, não ser só duramente sarcástica e negativa, mas conter, além disso, sentimentos positivos e a esperança num aperfeiçoamento dos seres humanos.

A obra de Mendes Pinto é uma percussora do Orientalismo e do Exotismo, muito em voga nos séculos XIX e XX, mas tem a superioridade de não ter só um aspecto turístico, distanciado, característico das referidas tendências, tem, pelo contrário, uma aproximação de grande inteligência, sensibilidade e receptividade a estas novas civilizações.

A Peregrinação inclui numerosas críticas indirectas à mentalidade e a comportamentos negativos dos portugueses tal como o espírito de casta levada a extremos, veja-se a história dos portugueses a cumprir trabalhos forçados na construção da muralha da China que se batem e se esfaqueiam para averiguar quem é mais fidalgo se os Madureiras se os Fonsecas, a ganância e a violência sem objectivo, personificada na personagem do aventureiro António de Faria, capaz dos actos da maior coragem e valor assim como das piores baixezas e crimes.

Fernão Mendes Pinto (Montemor-o-Velho, c. 1510 – Pragal, Almada, 8 de Julho de 1583). De origens humildes, veio para Lisboa em 1521, para ganhar o sustento no séquito de casas fidalgas. Em 1537 embarcou para a Índia, permanecendo no Oriente durante cerca de 21 anos, principalmente no Sudeste asiático, na China e no Japão onde viveu grandes aventuras, como ele diz «trabalhos, cativeiros, fomes, perigos e vaidades», tentando fazer fortuna fora e à margem, dos círculos oficiais da estrutura administrativa do Império Português. Esta fase da sua vida só é praticamente documentada pelas numerosas referências nos documentos da Companhia de Jesus à qual Mendes Pinto pertenceu durante um breve período, levado pela admiração que sentia pela figura de S. Francisco Xavier. Regressado a Portugal em 1558, casou, teve duas filhas, comprou uma quinta no Pragal perto de Almada, exerceu importantes funções na Misericórdia desta vila, havendo referências indirectas a ter sido Juiz da Vila de Almada, recebeu as visitas de Filipe II e do Padre Pedro Maffei, jesuíta italiano, acompanhado pelos padres João Rebelo e Gaspar Gonçalves que queriam recolher informações sobre a China. A Peregrinação, terminada em 1580, por motivos desconhecidos só foi impressa em 1614, apesar de ter licenças da Inquisição desde 1603.

 In large 8º. 30.5x19.5 cm. [xxiv], 482, [viii] pp. Contemporary binding in flexible parchment with later restorations.

Illustrated in the centre of the title page with a woodcut engraving of the coat of arms of the Duke of Medina de las Torres.

Handled copy with slight bookworm traces, damp stains and missing the last leaf with colophon.

Rare 4th edition of the Spanish translation of Fernão Mendes Pinto´s Peregrinação. This count is recent and depends on the existence of a single copy of a Madrid edition published in the same year 1645.

This translation is of exceptional importance for the study of the work for two reasons: the translator had access to manuscripts of the work that are unknown today; on the other hand, published only 6 years after the 1st Portuguese edition of 1614, it was the starting point for the enormous dissemination of the Peregrinação throughout Europe, since it was from Maldonado´s text that translations into other languages were made.

Peregrinação is a work of novelistic character, unparalleled in world literature for its style, a work of art of great class, one of the greatest romanesque creations produced in the Iberian Peninsula by an author of high artistic sensibility and with a remarkable capacity to create characters, spectacles and small novellas inserted into the main narrative.

It is the first work worldwide to convey the awareness of the unity of the world through its diversity, a consequence of the encounter of civilizations resulting from the Portuguese discoveries. Based on the vast and rich experience gained by the author in his adventurous life during his youthful years and his travels in the Orient, his presentation of the exotic oriental world and of the reaction of the fifteenth century Portuguese to the Asian environment, although not factually accurate, has much truth in it.

These were the features that made it a world best seller in the 17th and 18th century, (6 Castilian, 4 English, 6 French, 6 Dutch, 2 German editions) because it was the first comprehensive information on the Far East, with the special attraction of presenting this information in a novel form, which could reach wider audiences than historical treatises and official descriptions.

The work has affinities with Cervantes´ Don Quixote and the Spanish picaresque novel, although unlike the latter it is not only harshly sarcastic and negative, but contains, in addition, positive feelings and hope for a betterment of human beings.

Mendes Pinto´s work is a forerunner of the Orientalism and Exoticism very much in vogue in the 19th and 20th centuries, but it has the superiority of not having only a touristic, distanced aspect, characteristic of the referred tendencies, it has, on the contrary, an approach of great intelligence, sensibility and receptivity to these new civilizations.

Peregrinação includes numerous indirect criticisms of the mentality and negative behaviours of the Portuguese, such as the caste spirit taken to extremes, like the story of the Portuguese forced labourers building the Chinese wall who beat and stab each other to find out who was more noble, the Madureiras or the Fonsecas, the greed and aimless violence personified in the character of the adventurer António de Faria, capable of the most courageous acts as well as the worst baseness and crimes.

Fernão Mendes Pinto (Montemor-o-Velho c. 1510 - Pragal, Almada 8th July 1583). Of humble origins, he came to Lisbon in 1521, to earn a living in the retinue of noble houses. In 1537 he sailed to India and stayed in the Orient for about 21 years, mainly in South-East Asia, China and Japan, where he had great adventures, as he says 'work, captivity, hunger, dangers and vanity', trying to make his fortune outside the official circles of the administrative structure of the Portuguese Empire. This phase of his life is mainly documented by the numerous references in the documents of the Society of Jesus to which Mendes Pinto belonged for a brief period, driven by the admiration he felt for the figure of St. Francis Xavier. He returned to Portugal in 1558, married, had two daughters, bought a farm in Pragal near Almada, performed important functions in the Misericórdia of this town, and there are indirect references to have been Judge of the Town of Almada, received the visits of Philip II and Father Pedro Maffei, Italian Jesuit, accompanied by Fathers João Rebelo and Gaspar Gonçalves who wanted to collect information about China. The Peregrinação, finished in 1580, was, for unknown reasons, only printed in 1614, despite having Inquisition licences since 1603.

Refs:

Francisco Roque de Oliveira. Leituras e transcrições do manuscrito inédito da Peregrinação. In: A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto: 400 anos da sua publicação. ICEA e Academia de Marinha: Lisboa, 2016.

C.R. Boxer, Fernão Mendes Pinto. In Dicionário da História de Portugal, 3º Vol. pág.

António José Saraiva, Prefácio à Peregrinação. Clássicos Sá da Costa. Lisboa.

Alexandre M. Flores, et alia. Fernão Mendes Pinto. Subsídios para a sua bio-bibliografia. Almada. 1983

Iberian Books IB53029 (B1262).

USTC 5006012.

Leite Faria, 1992, nº. 27-4, p. 66-68.

Palau (1990) V, 148.

Azedo e Samodães, I, 2074


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Referência: 2204PG008
Local: M-10-F-13


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