RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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COMPENDIO HISTORICO DO ESTADO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA NO TEMPO DA INVASÃO DOS DENOMINADOS JESUITAS

DOS ESTRAGOS Feitos nas Sciencias e nos Professores, e Directores que a regiam pelas maquinações, e publicações dos novos Estatutos por elles fabricados. LISBOA NA REGIA OFFICINA TYPOGRAPHICA. Anno MDCCLXXI [1771] Por Ordem de sua Magestade.

In 4.º de 28x21,5 cm. Com [ii], xv, [iii], 348, 124, [ii], [ii br.] págs. Encadernação da época inteira de pele, com nervos e ferros a ouro em casas fechadas na lombada. Cortes das folhas carminados.

Rosto ornamentado com as armas reais portuguesas ao centro. Belo cabeção xilogravado no início da primeira parte e capitular decorada com motivos vegetalistas e arquitectónicos. Impressão em caracteres redondos e itálicos sobre papel de boa qualidade.

Exemplar com vestígios de rótulo na lombada e danos nas guardas posteriores, sem falta de conteúdo. Assinatura de posse a tinta na guarda anterior: «LUIZ P.F.C.» e inscrição do nome «José Alves Cabeça de Vide» no corte inferior das folhas, prática corrente no século XVIII.

Obra rara e muito importante, constituindo a edição príncipe em formato de quarto do manifesto ideológico e jurídico que fundamentou a reforma pombalina da Universidade de Coimbra em 1772. Elaborada pela Junta de Providência Literária, criada por Carta Régia de 23 de Dezembro de 1770, a obra foi publicada por ordem de D. José I e apresentada ao monarca em 28 de Agosto de 1771, dia de Santo Agostinho. Segundo Inocêncio, a obra saiu especialmente da pena de dois membros da Junta: Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho e o seu irmão João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho. Em 1772 foi publicada uma segunda edição em formato de oitavo (XXII-503 págs.), mais compacta e destinada a circulação mais alargada.

As páginas preliminares, numeradas em romano, compreendem a Carta Régia de criação da Junta, uma dedicatória ao Rei D. José redigida pelo Marquês de Pombal, a Consulta da Junta de Providência Literária elaborada por João Baptista de Araújo e assinada pelo Cardeal da Cunha, Marquês de Pombal, Bispo de Beja, José de Seabra da Silva, José Ricalde Pereira de Castro, Francisco António Marques Giraldes de Andrade, Francisco de Lemos de Faria, Manoel Pereira da Silva e João Pereira Ramos de Azeredo, e a Resolução de Sua Majestade datada de 2 de Setembro de 1771. Segue-se o índice de capítulos em páginas não numeradas.

O texto principal divide-se em duas partes. A primeira, composta por quatro «Prelúdios», traça a história cronológica da alegada decadência da Universidade desde a entrada dos jesuítas no Reino até à destruição dos antigos estatutos universitários. A segunda parte, iniciada na página 97, é de carácter mais técnico e analisa em três capítulos os estragos atribuídos à pedagogia jesuítica nas três ciências maiores: Teologia (capítulo I), Jurisprudência Canónica e Civil (capítulo II) e Medicina (capítulo III). As últimas páginas não numeradas contêm erratas e emendas.

Segue-se, com numeração própria de 124 páginas, o «Appendix ao Capitulo Segundo da Segunda Parte», servindo de suplemento ao estudo dos danos causados pelo ensino jesuítico na Jurisprudência, focando-se na introdução e propagação da moral aristotélica. A autoria deste suplemento é atribuída ao Padre António Pereira de Figueiredo, um dos principais ideólogos do regalismo pombalino.

A publicação deste Compêndio insere-se no contexto mais vasto da política antipedagógica e antijesuítica do governo de Pombal. Após a expulsão da Companhia de Jesus dos territórios portugueses em 1759, o Estado viu-se obrigado a reestruturar todo o sistema de ensino. A Junta de Providência Literária foi criada precisamente para fundamentar essa reforma, apresentando a história da Universidade como uma narrativa de decadência deliberadamente provocada pelos jesuítas, que teriam substituído o ensino humanista e experimental por uma filosofia escolástica estéril. Como Inocêncio já notava, citando a Revista Litteraria do Porto, a obra foi criticada por carregar sobre a Companhia toda a culpa da decadência dos estudos, sem ter em conta as consequências da batalha de Alcácer-Quibir e os sessenta anos de domínio castelhano. O Compêndio preparou directamente o terreno para os novos Estatutos da Universidade de 1772, que deram origem às Faculdades de Filosofia e Matemática e introduziram o estudo do Direito Natural e das ciências experimentais em Coimbra.

A Régia Oficina Tipográfica, fundada por Pombal em 1768 com o objectivo de elevar o nível técnico da tipografia portuguesa, foi a escolha natural para a impressão de uma obra de tal importância política. A qualidade da composição tipográfica e do papel atestam os padrões da oficina que viria a tornar-se o principal braço editorial do Estado josefino.

Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho (Linhares, Brasil, 1735 – Coimbra, 1822) foi bispo de Coimbra e reitor da Universidade em dois períodos distintos (1770-1779 e 1799-1821). Nomeado por influência do Marquês de Pombal, foi o principal executor da reforma universitária de 1772. Juntamente com o irmão João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho integrou a Junta de Providência Literária que redigiu o presente Compendio.

João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho (Rio de Janeiro, 1722 – Lisboa, 1799) foi desembargador da Casa da Suplicação e jurisconsulto. Exerceu funções de conselheiro junto do Marquês de Pombal e colaborou activamente na redação do Compendio Historico e dos novos Estatutos da Universidade de 1772.

António Pereira de Figueiredo (Mação, 1725 – Lisboa, 1797) foi oratoriano, latinista, teólogo e canonista, uma das figuras mais influentes do regalismo pombalino. Autor da «Tentativa Theologica» (1766) e de «De Suprema Regum» (1765), é igualmente conhecido pela primeira tradução completa da Bíblia (Vulgata) para português, publicada em 23 volumes entre 1778 e 1790. A autoria do Appendix ao presente Compendio é-lhe atribuída.

Ref.:

Catálogo BNP Cota: H.G. 462 A.
HathiTrust Digital Library, Record 009265693.
Internet Archive, compendiohistori00port.
Ferrer, Flávia Aderne. «O Compêndio Histórico do Estado da Universidade de Coimbra e a Reforma Pombalina de 1772». Universidade Federal do Ceará, 2000.
Stein, Tarcila Nienow. [Dissertação sobre o Compendio Historico]. Repositório Jesuíta, UNISINOS.
Inocêncio II, 418; IV, 20; X, 331.
Inocêncio I, 43; II, 94; IX, 80; XIX, 21 (edição de 1772, in 8.º).


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Referência: 2602SB002
Local: SACO SB275-1


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