RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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BRANCO RODRIGUES. (José Cândido) METHODO ESTENOGRAPHICO PARA USO DOS CEGOS. [+ JORNAL DOS CEGOS, LIVROS IMPRESSOS EM BRAILLE]

Abreviaturas do Systema Braille por Branco Rodrigues. Imprensa Nacional. Lisboa. 1899.

De 30x22 cm. Com [i] 24 fólios sem numeração. Brochado. Impressão com caractéres braille com relevo.

Exemplar preserva as capas de  brochura servindo a frente da capa anterior como folha de rosto utilizando caracteres estereotipados possibilitando a leitura da mesma a não invisuais, cota de biblioteca na capa anterior, sinais de manuseamento, manchas de humidade na lombada, e ocasionais picos de humidade.

Primeira folha foi impressa em francês, só pela frente, com o propósito do novo sistema de impressão em estereotipia inventada pelo diretor do atelier de fundição de tipos da imprensa nacional, Branco Rodrigues, exposta na secção de ensino do pavilhão de Portugal. Apresentando o autor no fim do livro uma série de catálogo sinóptico das abreviaturas das letras, dos verbos e das locuções portuguesas. Apresentação da mesma na exposição universal, descrição do conteúdo da obra e da exposição universal que decorreu em Paris em 1900.

A publicação Método Estenográfico para Uso dos Cegos, foi apresentada pela Imprensa Nacional de Lisboa na Exposição Universal de Paris, em 1900, como demonstração de um inovador processo de estereotipia desenvolvido pelo diretor da oficina de fundição de tipos daquele estabelecimento estatal. 

Impressão da obra recorre a um sistema inovador que elimina a necessidade de tipos móveis. O processo consiste em verter metal fundido sobre os caracteres em relevo previamente traçados pelos cegos em papel de maior espessura, obtendo-se assim matrizes de impressão. Para permitir uma melhor compreensão deste método, foram igualmente expostas as matrizes utilizadas na impressão do opúsculo.

Segundo a apresentação da obra, este sistema oferece importantes vantagens técnicas e económicas: reduz os custos associados à fundição de tipos, dispensa os trabalhos de correção tipográfica e diminui a ocorrência de erros de impressão. Além disso, constitui uma alternativa à estereotipia em chapas de cobre ou de zinco, cuja execução era mais complexa por exigir o recurso ao martelo.

No que respeita ao seu conteúdo, o Método Estenográfico para Uso dos Cegos apresenta um sistema de escrita inspirado na abreviação ortográfica francesa, adaptado à língua portuguesa. O objetivo é permitir que as pessoas cegas escrevam com maior rapidez e consigam registar uma quantidade superior de informação no mesmo número de páginas.

Reúne as regras, explicações e exemplos necessários à aprendizagem deste método, contemplando a representação das normas ortográficas da língua portuguesa, incluindo a indicação do plural, do feminino, das letras dobradas, das letras acentuadas e de outros elementos da escrita. Como complemento, o autor inclui no final da publicação uma série de quadros sinópticos com as abreviaturas correspondentes às letras, palavras e locuções da língua portuguesa, constituindo um instrumento de consulta e de apoio à utilização prática do método.

Tem junto: 

JORNAL DOS CEGOS, NUMERO COMMEMORATIVO DO IV CENTENÁRIO DO DESCOBRIMENTO DA INDIA, MAIO DE 1898. Redactor Branco Rodrigues. Imprensa Nacional. Lisboa. 1898. 
De 28x19,5 cm. Com 41 folhas sem numeração. Brochado, com os cadernos presos por um cordão.

Impressão em caracteres braille sobre papel de gramagem elevada, espesso e de fibras resistentes. As capas de brochura servindo a frente da capa anterior como folha de rosto utilizando caracteres estereotipados, possibilitando a leitura da mesma a não invisuais.

Os números 30 e 31 saem numa só edição e dedicam-se à narrativa sobre os descobrimentos portugueses, que comemoravam então o seu quarto centenário, fazendo-o em várias línguas além do português: francês, italiano, inglês e alemão. Esta edição foi distribuída por diversas instituições de cegos espalhadas pelo mundo, conforme o n.º 35 da revista relata. Em braille integral foi impresso apenas um número especial, o Número Comemorativo do IV Centenário do Descobrimento da Índia, publicado em maio de 1898, em português, francês, italiano, inglês e alemão.

Este número especial em braille inclui o artigo sobre os Descobrimentos Portugueses, escrito expressamente para este jornal pelo erudito professor de História do Curso Superior de Letras, o Sr. Z. Consiglieri Pedroso, e as respetivas traduções em francês, italiano, inglês e alemão. A revisão foi confiada ao Sr. A. R. Gonçalves Viana, escrito em alfabeto Braille pela benemérita tiflóloga, Ex.ma Sr.ª D. Maria da Madre de Deus Pereira Coutinho, e estereotipado por um processo aplicado pelo Sr. Duarte Fernando Pinto Malaquias, diretor das Oficinas de Fundição da Imprensa Nacional.

Publica a Marcha Triunfal do Centenário, para piano, do compositor português Óscar da Silva, e escrita na notação musical por M. Jamet, professor formado pelo Instituto dos Cegos de Paris. É ainda acompanhado da explicação do sistema braille (alfabeto, numeração e notação musical), de forma que qualquer pessoa que desconheça o sistema de escrita pode facilmente tomar conhecimento do referido sistema e ler o que está escrito.

Jornal dos Cegos: Revista de Typhlologia, revista de educação e ensino intelectual e profissional dos cegos, foi editada em Lisboa, de Novembro de 1895 a 1920, num total de vinte e três volumes. Foi uma das primeiras publicações portuguesas destinadas especificamente a leitores cegos, contribuindo para a divulgação de informação, literatura e educação através do braille. Na época, a impressão em braille era um processo complexo.

José Cândido Branco Rodrigues (Lisboa, 1891 - S. João do Estoril, 1926) foi, em Portugal, pioneiro no estabelecimento das condições que tornaram possíveis a escolarização, a preparação profissional e intelectual dos deficientes visuais e a sua progressiva inclusão social. Realizou os seus primeiros estudos em Lisboa e prosseguiu a formação na Universidade de Coimbra, onde frequentou o curso de Filosofia. Contudo, não chegou a concluir a licenciatura, optando por dedicar-se desde muito cedo à causa da educação das pessoas cegas e ao desenvolvimento de métodos de ensino que promovessem a sua autonomia e integração social.

Criou o «Jornal dos Cegos» (1895-1920), ajudou a fundar a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (1888) onde introduziu o ensino do Braille, contribuiu para a aprovação da legislação que oficializou o ensino dos cegos (1894) e fundou várias instituições pioneiras para o ensino destes: em Lisboa, o Instituto de Cegos Branco Rodrigues (1900); no Porto, o Instituto S. Miguel (em 1903); em Castelo de Vide, as Oficinas Branco Rodrigues. A ele devem-se também as primeiras impressões em Braille feitas em Portugal. Em 1976 a Comissão Pró-cinquentenário da Morte de Branco Rodrigues instituiu o Prémio Branco Rodrigues, administrado pela Biblioteca Nacional, com o intuito de estimular entre as pessoas com deficiência visual o interesse pela atividade literária e científica, distinguindo o autor do melhor trabalho publicado em cada triénio.

Recordando todo o legado histórico de Branco Rodrigues a ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e a Associação Bengala Mágica, organizou no dia 18 de outubro de 2024, o evento presencial: Evocação a Branco Rodrigues, em sua homenagem. 

 30 × 22 cm. [i] 24 unnumbered folios. Stapled. Printed in raised Braille characters.

This copy of Método Estenográfico para Uso dos Cegos retains its original paperback covers with stereotyped characters readable by sighted individuals, showing a library shelfmark label, signs of handling, and minor moisture damage. Published by the Imprensa Nacional de Lisboa, this work was showcased at the 1900 Paris Universal Exposition to demonstrate an innovative printing process that eliminated movable type by pouring molten metal directly over embossed characters traced on thick paper. This cost-effective and accurate technique served as an alternative to traditional copper or zinc plates, while the book itself introduces a shorthand system adapted from French to Portuguese, allowing blind individuals to write faster and condense information through comprehensive rules, grammar guidelines, and practical synoptic abbreviation charts.

Together with:
JORNAL DOS CEGOS, NUMERO COMMEMORATIVO DO IV CENTENÁRIO DO DESCOBRIMENTO DA INDIA, MAIO DE 1898. Redactor Branco Rodrigues. Imprensa Nacional. Lisboa. 1898. 28 × 19.5 cm. 41 unnumbered leaves. Stapled, with the sections bound by a cord.

This special double-issue (Numbers 30 and 31, May 1898) of Jornal dos Cegos commemorates the 4th Centenary of the Portuguese Discovery of India, printed on thick, durable paper with a cover readable by both blind and sighted individuals. To facilitate international distribution, it features a historical article by Professor Z. Consiglieri Pedroso translated into French, Italian, English, and German, along with piano sheet music by Óscar da Silva. Produced at the Imprensa Nacional by a specialized team—including Maria da Madre de Deus Pereira Coutinho, A. R. Gonçalves Viana, Duarte Fernando Pinto Malaquias, and M. Jamet—this multilingual volume also includes an explanatory guide to the Braille system’s alphabet, numbering, and musical notation.

Published in Lisbon from 1895 to 1920 across twenty-three volumes, Jornal dos Cegos: Revista de Typhlologia was one of Portugal"s first publications specifically dedicated to the education, literature, and vocational training of blind readers, overcoming the complex Braille printing processes of the era.

José Cândido Branco Rodrigues (1891–1926) was a Portuguese pioneer in the education, vocational training, and social inclusion of visually impaired individuals. He left his Philosophy studies at the University of Coimbra early to dedicate his life to this cause, introducing Braille teaching at the Associação Promotora do Ensino dos Cegos (co-founded in 1888) and influencing the 1894 legislation that officialized education for the blind. Throughout his life, he was responsible for the first Braille printings in Portugal, founded the Jornal dos Cegos (1895–1920), and established specialized educational institutes in Lisbon, Porto, and Castelo de Vide. His enduring legacy includes the triennial Branco Rodrigues Prize—created in 1976 and administered by the National Library to promote literary and scientific work among the visually impaired—as well as a special commemorative event co-organized by ACAPO and Associação Bengala Mágica on October 18, 2024.

Referências:
-Inocêncio XX, 46
-BNP Esp. N89
-ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, Evocação a Branco Rodrigues, 2024. 

 


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Referência: 2607RS001
Local: SACO RS884-01


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