RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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JORNAL DOS CEGOS, NUMERO COMMEMORATIVO DO IV CENTENÁRIO DO DESCOBRIMENTO DA INDIA, MAIO DE 1898. [LIVRO IMPRESSO EM BRAILLE]

Redactor Branco Rodrigues. Imprensa Nacional. Lisboa. 1898.

De 28x19,5 cm. Com 41 folhas sem numeração. Brochado, com os cadernos presos por um cordão.

Impressão em caracteres braille sobre papel de gramagem elevada, espesso e de fibras resistentes. As capas de brochura servindo a frente da capa anterior como folha de rosto utilizando caracteres estereotipados, possibilitando a leitura da mesma a não invisuais. 

Exemplar com ligeiros danos na lombada e uma etiqueta com cota de biblioteca na capa anterior. 

Muito raro, a Biblioteca Nacional de Portugal possui um exemplar. Muito valorizado por, na época, apresentar um processo complexo e dispendioso de impressão em braille, o que torna este exemplar particularmente raro, e por esta edição ser considerada a primeira obra impressa em Portugal em braille utilizando caracteres móveis, na Imprensa Nacional. 

Os números 30 e 31 saem numa só edição e dedicam-se à narrativa sobre os descobrimentos portugueses, que comemoravam então o seu quarto centenário, fazendo-o em várias línguas além do português: francês, italiano, inglês e alemão. Esta edição foi distribuída por diversas instituições de cegos espalhadas pelo mundo, conforme o n.º 35 da revista relata. Em braille integral foi impresso apenas um número especial, o Número Comemorativo do IV Centenário do Descobrimento da Índia, publicado em maio de 1898, em português, francês, italiano, inglês e alemão. 

Este número especial em braille insere o artigo sobre os Descobrimentos Portugueses, escrito expressamente para este jornal pelo erudito professor de História do Curso Superior de Letras, o Sr. Z. Consiglieri Pedroso, e as respetivas traduções em francês, italiano, inglês e alemão. A revisão foi confiada ao Sr. A. R. Gonçalves Viana, escrito em alfabeto Braille pela benemérita tiflóloga, Ex.ma Sr.ª D. Maria da Madre de Deus Pereira Coutinho, e estereotipado por um processo aplicado pelo Sr. Duarte Fernando Pinto Malaquias, diretor das Oficinas de Fundição da Imprensa Nacional.

Publica a Marcha Triunfal do Centenário, para piano, do compositor português Óscar da Silva, e escrita na notação musical por M. Jamet, professor formado pelo Instituto dos Cegos de Paris. É ainda acompanhado da explicação do sistema braille (alfabeto, numeração e notação musical), de forma que qualquer pessoa que desconheça o sistema de escrita pode facilmente tomar conhecimento do referido sistema e ler o que está escrito. 

Jornal dos Cegos: Revista de Typhlologia, revista de educação e ensino intelectual e profissional dos cegos, foi editada em Lisboa, de Novembro de 1895 a 1920, num total de vinte e três volumes. Foi uma das primeiras publicações portuguesas destinadas especificamente a leitores cegos, contribuindo para a divulgação de informação, literatura e educação através do braille. Na época, a impressão em braille era um processo complexo. 

José Cândido Branco Rodrigues (Lisboa, 1891 - S. João do Estoril, 1926) foi, em Portugal, pioneiro no estabelecimento das condições que tornaram possíveis a escolarização, a preparação profissional e intelectual dos deficientes visuais e a sua progressiva inclusão social. Realizou os seus primeiros estudos em Lisboa e prosseguiu a formação na Universidade de Coimbra, onde frequentou o curso de Filosofia. Contudo, não chegou a concluir a licenciatura, optando por dedicar-se desde muito cedo à causa da educação das pessoas cegas e ao desenvolvimento de métodos de ensino que promovessem a sua autonomia e integração social.

Criou o «Jornal dos Cegos» (1895-1920), ajudou a fundar a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (1888) onde introduziu o ensino do Braille, contribuiu para a aprovação da legislação que oficializou o ensino dos cegos (1894) e fundou várias instituições pioneiras para o ensino destes: em Lisboa, o Instituto de Cegos Branco Rodrigues (1900); no Porto, o Instituto S. Miguel (em 1903); em Castelo de Vide, as Oficinas Branco Rodrigues. A ele devem-se também as primeiras impressões em Braille feitas em Portugal. Em 1976 a Comissão Pró-cinquentenário da Morte de Branco Rodrigues instituiu o Prémio Branco Rodrigues, administrado pela Biblioteca Nacional, com o intuito de estimular entre as pessoas com deficiência visual o interesse pela atividade literária e científica, distinguindo o autor do melhor trabalho publicado em cada triénio.

 28 × 19.5 cm. 41 unnumbered pages. Stapled, with the sections held together by a cord.

This historically significant text describes a rare Portuguese Braille publication and honors its creator, José Cândido Branco Rodrigues (1891–1926), a pioneer in the education and social inclusion of visually impaired individuals in Portugal. Rodrigues founded several specialized institutes, introduced Braille teaching, and created the Jornal dos Cegos: Revista de Typhlologia (1895–1920), one of the country"s first publications dedicated to blind readers. A particularly prized item from this legacy is a rare double-issue (Numbers 30 and 31) from May 1898, commemorating the 4th Centenary of the Portuguese Discovery of India. Printed at the Imprensa Nacional on heavy, durable paper, it is considered the first work printed in Portugal using movable Braille type. The edition features a title page readable by both blind and sighted individuals, an explanatory guide to the Braille system, a multilingual historical article translated into four languages for international distribution, and piano sheet music transcribed into musical notation. Because Braille printing was highly complex and expensive at the time, copies are exceptionally rare; the National Library of Portugal holds one copy, which shows minor spine damage and a library label. To honor Rodrigues, the National Library has administered a triennial prize since 1976 to promote literary and scientific work among the visually impaired.

Ref.: 
-Anastácio, Alda: Hemeroteca Municipal de Lisboa, Jornal dos Cegos (1895–1920), Ficha Histórica, Lisboa, 2017.


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Referência: 2607RS107
Local: SACO RS884-02


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