RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS, QUADRO A ÓLEO PINTADO SOBRE MADEIRA.

     
 
 

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PÚBLIO. (Nasão Ovídio) e Matias Viegas da Silva. COMMENTO SOBRE OS CINCO LIVROS DE TRISTES

De P. OVIDIO NASAÕ, Com hua breve noticia das Fabulas, e outras coulas mais precisas para a intelligencia do mesmo Author, que vay no fim de cada huma das Elegias. Escrito Pelo Padre MATHIAS VIEGAS DA SYLVA, Presbytero Eborense. COIMBRA, Na Officina de JOZE ANTUNES DA SYLVA; Impressor da Universidade. M. DCCXXXV [1735]. Com todas as licenças necessarias.

In 8.º de 15x11 cm. Com [x], 519, [i em br] págs. Encadernação em pergaminho com as pastas flexíveis, com o título manuscrito na lombada: Comento de Ovidio. Corte das folhas carminado.

Impressão muito nítida em caracteres redondos e itálico. Folha de rosto com marca do editor, ornamentado com cabeções tipográficos simples, nas folhas preliminares, e florões de remate. As notas de rodapé estão separadas por tarjas simples.

A paginação, por erro do tipógrafo, apresenta em todos os exemplares conhecidos a numeração das folhas 112 em vez de 212, 117 em vez de 217, 130 em vez de 230, 134 em vez de 235, 266 em vez de 295, 305 em vez de 304, 278 em vez de 378, 426 em vez de 426, 496 em vez de 469. A paginação 289 esta repetida.

Exemplar com anotações manuscritas a tinta coeva na pasta posterior e folhas de guarda, pequenos restauros na folha de guarda anterior, assinatura de posse de Sousa Ribeiro e 2.ª ed. manuscrita na folha de rosto. Pequeno rasgo na folha das páginas 165 e 166 e leves danos de traça nas últimas duas folhas.

As Tristes (Tristia) de Ovídio são cinco livros de elegias, que o autor escreveu durante o seu exílio em Tomis, onde lamenta a distância de Roma e a solidão e cujo tema central são o sofrimento e a saudade:
Livro I: Relata a dolorosa viagem de barco até Tomis.
Livro II: Uma longa carta implorando o perdão de Augusto.
Livro III: Descrição da vida brutal entre os bárbaros.
Livro IV: Reflexão sobre a velhice e a poesia.
Livro V: Desespero com a falta de resposta de Roma.

O exílio de Ovídio em 8 d.C. ocorreu sob a pena de relegatio decretada diretamente pelo imperador Augusto. O contexto político combina a consolidação do poder autocrático de Augusto com uma severa crise moral e dinástica na família imperial. Augusto implementou as Leges Iuliae (Leis Júlias), destinadas a restaurar a moralidade tradicional romana, punindo severamente o adultério e incentivando o casamento estável.

O próprio poeta sintetiza o motivo de sua queda na célebre expressão: carmen et error (um poema e um erro). Anos antes, Ovídio publicara a Ars Amatoria (A Arte de Amar), que funcionava quase como um manual de sedução e frivolidade, que contrariava com a propaganda oficial de austeridade do regime imperial. Como a Ars Amatoria já circulava há tempos, o gatilho político imediato do exílio foi o misterioso error. Ovídio afirma ter visto algo que não deveria. Os historiadores dividem-se entre duas teses:
Os escândalos de Júlia: O ano do desterro do poeta coincide com o exílio de Júlia, a Jovem (neta de Augusto), punida por adultério. Ovídio pode ter sido cúmplice ou testemunha silenciosa dos encontros extraconjugais que envergonharam o imperador.
A Sucessão Imperial: Outra hipótese aponta para o envolvimento de Ovídio em círculos políticos que apoiavam Agripa Póstumo na linha de sucessão, opondo-se à fação de Tibério (apoiado por Lívia).

Públio Ovídio Nasão (43 a.C.–17 d.C.) foi um dos maiores poetas da Roma Antiga. Nascido em Sulmona numa família da classe equestre, abdicou da carreira pública e jurídica para se consagrar à poesia. Conquistou a elite romana com versos amorosos ousados, como a Ars Amatoria, e imortalizou os mitos greco-romanos na sua obra-prima, as Metamorfoses. No auge da fama, no ano 8 d.C., foi abruptamente banido pelo imperador Augusto para Tomis, (atual Constança, na Roménia), nas margens do Mar Negro, devido a um misterioso escândalo político e moral (carmen et error). A escolha do local foi puramente política: isolar a voz cultural mais influente da capital nas franjas violentas e não latinas do Império Romano. Passou os seus últimos anos no exílio, onde compôs as melancólicas obras Tristes e Pônticas, falecendo isolado e sem nunca obter o ambicionado perdão imperial.

Padre Matias Viegas da Silva (Évora, 1695 - 17--?), filho de Manuel da Silva Sintrão e Catarina Viegas. Estudou Letras Humanas, e as Ciências Severas na Universidade de Evóra, e depois foi ordenado Presbítero. Inocêncio refere que «ainda vivia em 1752».

Autor das seguintes obras, que segundo Barbosa Machado foram traduzidas e publicados para facilitar os principiantes da língua latina: Ordo verborum cum commentariis in Fasciculum ex selectioribus auctorum viridariis, ad commodiorum scholasticorum usum industria concinnatum, 1731, 1732 e 1737, em três volumes; Commento sobre os cinco livros de Tristes de Publio Ovidio Nasão, com uma breve noticia das fabulas e cousas mais precisas para a intelligencia do mesmo auctor, 1733; Instituições de Justiniano, traduzidas em portuguez, com breves notas, 1740.

Referências:
Inocêncio VI, 62; XVII, 17; II, 187
Barbosa Machado III, 455


Temáticas

Referência: 2607RS108
Local: SACO RS875-20


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