RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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BORGES DE BARROS, João. RELAÇAÕ PANEGYRICA DAS HONRAS FUNERAES,

QUE ÀS MEMORIAS DO MUITO ALTO, E MUITO PODEROSO SENHOR REY FIDELISSIMO D. JOAÕ V. CONSAGROU A CIDADE DA BAHIA Corte da America Portugueza: ESCRITA, E DEDICADA AO EXCELLENTISSIMO, E REVERENDISSIMO SENHOR D. JOSEPH BOTELHO DE MATTOS, ARCEBISPO DA BAHIA, PRIMAZ DOS ESTADOS do Brasil., do Conselho de Sua Magestade, PELO DOUTOR JOAÕ BORGES DE BARROS, MESTRE-ESCOLA DA SANTA SÉ DA BAHIA, PROTONOTARIO Apostolico de Sua Santidade, e Desembargador Numerario da Relacaõ Ecclesiastica: COM HUMA COLLECÇAÕ DE CINCO ORAÇÕES FUNEBRES, e varias Poesias, Latinas, e Vulgares. LISBOA, Na Regia Officina SYLVIANA, e da Academia Real. M. DCC. LIII. [1753]. Com todas as licenças necessárias.

In 4º gr. De 29,5x20 cm. com [32], 326 págs.

Encadernação da época em pergaminho flexível com título caligrafico na lombada. Cortes das folhas carminados.

Ilustrado com magnificas vinhetas e capitulares decorativas desenhadas, abertas em chapa de metal e assinadas por Debrie, em 1751, nomeadamente: vinheta na folha de rosto com as armas de Portugal; vinheta à cabeça da dedicatória mostrando o tumulo de D. João V com as suas armas e couraças por terra e encimado pelas armas papais; vinheta na primeira página de texto com o busto de D. João V no esplendor das armas e dos atributos como Patrono das Belas-Artes; capitulares historiadas e com motivos simbólicos (tal como a letra D contendo a sigla "Obsequium Mutuum"); vinheta de remate final em cólofon com motivos alegóricos (contendo também simbologia com moto inscrito num altar ladeado pelas figuras da Justiça, da Força e da Lealdade).

Esplendorosa impressão ao modo de D. João V, contendo uma enorme variedade de caracteres tipográficos em caixas baixas, médias e altas. A profusão de caracteres em caixas altas deve-se ao facto desta obra conter inúmeras páginas com rostos próprios para os sermões, orações fúnebres, pregações, elogios, epitáfios e poemas.

Obra muito rara, a PORBASE tem apenas 2 registos. Magnifico exemplar com grandes margens e em excelente estado de conservação de um livro que é uma completíssima representação da mundividência barroca, num dos seus temas mais característicos, a transitoriedade da vida, recorrendo à brilhante poesia deste período da literatura, junto com as obras de arte efémera, as decorações faustosas a música e as solenidades religiosas.

Na época designada por Contra-reforma, em que predominava uma sensibilidade barroca, muito desenvolvida nos países do sul da Europa, todos os acontecimentos e efemérides da Igreja e da Família Real eram celebrados com grande magnificência, luxo e aparato. No caso do falecimento de um monarca como D. João V, que marcou o seu reinado pela forma como cuidou de fortalecer o poder da coroa Portuguesa através da munificência com que apoiou a religião e as artes, aproveitando precisamente as grandes riquezas provenientes do Brasil, era natural que fosse nesta colónia de Portugal que se tenham feito algumas das celebrações mais sumptuosas.

Delas é este magnífico livro uma narração cuidada e minuciosa, descrevendo o riquíssimo mausoléu construído na Catedral da Baía, e as outras decorações, (obras de arte efémera características do mundo barroco) feitas nas restantes Igrejas e descritas na Relação que ocupa as primeiras 34 páginas, assim como a música, as procissões, os serviços religiosos, as salvas de artilharia e o dobrar dos sinos. Além disso inclui numerosas poesias de mais de 34 poetas e os seis sermões pregados nas diversas igrejas da cidade, tudo expressões de uma visão do mundo de forte sensibilidade barroca, que nunca deixará de marcar o mundo Ibero-americano.

Obra de excepcional importância para o estudo da história e da literatura de Portugal e do Brasil, mostrando a colónia portuguesa num adiantado estado de desenvolvimento social, artístico e literário, que possibilitaria a sua independência em 1823. Borges de Barros nasceu no Engenho de S. Pedro de Traripe, Termo de Santo Amaro, Vila da Purificação, Arcebispado da Bahia a 16 de Abril de 1706, filho do Coronel Domingos Borges de Barros e de D. Maria de Araújo Azevedo. Estudou no Colégio dos Jesuítas da Bahia e o curso de Artes e de Cânones na Universidade de Coimbra em 1731. Era membro de uma influente e poderosa família de dono de Engenhos de cana-de-açúcar, tendo desempenhado importantes cargos na diocese Baiana e sido membro da Academia Brasílica dos Renascidos. O seu irmão era provedor da Misericórdia e um outro era Coronel e participou como poeta nesta coletânea.

Trata-se da impressão em Lisboa de uma obra produzida na Baia, que nesta época era a capital do Brasil. O manuscrito foi enviado uma primeira vez para Lisboa, tendo-se perdido no naufrágio da nau que o transportava. Posteriormente refeito o manuscrito foi enviado novamente e impresso com poesias que já referem o naufrágio e sem outras das quais não foi possível reaver os manuscritos. As aprovações são da autoria de D. Tomás Caetano de Bem e Fr. António de Santo Elias (pelo Santo Oficio) Filipe José da Gama (pelo Desembargo do Paço) e por Diogo Barbosa Machado (pelo Ordinário), do qual transcrevemos a respectiva apreciação:

«O Magestoso aparato Funeral, que a Capital da América Portuguesa igualmente obsequiosa, que magnífica, levantou às luctuosas memórias do Fidelissimo Monarca D. João V, somente podia ser descrito pela eloquência do Reverendo Doutor João Borges de Barros, em cuja narração usando de artifício novo transformou um geral sentimento em particular aplauso do seu talento. As Poesias Latinas, Portuguesas e Castelhanas, como as Orações Evangélicas, dedicadas ao mesmo fúnebre assunto, são merecedoras de igual louvor, pois ainda que disputem a preferência, ficará indecisa a vitória. Este é o meu parecer. Vossa Execelencia mandará o que for servido»

Barbosa Machado IV, 175. Inocêncio III, 331.

Borba de Moraes. Bibliogr. Bras. 1, 175: […] «A Relação Panegyrica contém uma coletânea de peças literárias […] Dos autores reunidos, quase todos são brasileiros e muitos pertenciam à Academia Brasilica dos Renascidos. A Relação Panegyrica é uma espécie de antologia da poesia bahiana do século XVIII. Muitas peças aparecem aqui pela primeira vez, tendo sido posteriormente publicadas em outras antologias, tais como no Florilégio de Varnhagen. A obra contém um canto fúnebre, um epigrama latino e sonetos de Manuel de Santa Maria Itaparica. Trata-se de uma obra raríssima, suntuosamente impressa e contendo duas vinhetas de Debrie. Rodrigues não a lista em sua Bibliotheca.

Índice [da obra]: João Borges de Barros (elegia em latim e 7 sonetos). Fr. Henrique de Souza de Jesus Maria (3 sonetos). Sylvestre de Oliveira Serpa (poemas, cenotáfio, 2 sonetos, canção e 3 glosas). José de Oliveira Serpa (6 sonetos, glosa, poema). Emmanoel Ferreira Neves (6 epigramas latinos, elegia em latim). Domingos de Sylva Teles (3 sonetos, romance heroico, elegia e glosa). Francisco das Chagas Silveira (soneto). Antonio de Oliveira (3 sonetos ). Licenciado José de Torres Silva ( 3 sonetos). Dr. Francisco Alvares de Pina Bandeira Mendonça (4 sonetos). Manuel Barbuda de Figueiredo (soneto). Manoel Francisco Ferreira Neves (romance heróico e exdrúxulo ). Emmanoel Pereira Lago (epigrama, 2 epigramas latinos, epitáfio). José Pires de Carvalho Albuquerque (inscrição sepulcral, epigrama, epitáfio). Jerônimo Sodré Pereira (soneto). José Miralles (2 sonetos). Coronel Sebastião Borges de Barros (2 sonetos). João Ferreira Bitencourt e Sá (2 sonetos). Capitão Bernardino Marques Arnizau (3 sonetos). Licenciado Manoel Ferreira Neves (5 sonetos, 1 soneto esdrúxulo). Padre Lourenço da Rocha Moutinho e Oliveira (soneto). Licenciado Manoel Pereira do Lago (soneto). Luís José de Chaves (2 sonetos). Padre Antônio Ferreira Mendes (3 sonetos). João Rodrigues de Almeida (3 sonetos). Tenente Coronel Antônio Alvares de Araújo Soares (2 sonetos). Padre Antonio Gomes Xavier (3 sonetos). Manoel de Barbuda e Figueiredo Mascarenhas (2 sonetos). Francisco das Chagas Sylveira (soneto). Francisco Antunes do Lago (soneto). Manoel de Santa Maria Itaparica (3 sonetos, canto fúnebre, epigrama latino). Licenciado Bento Luiz Pereira de Lanções (soneto, anagrama latino). Dr. Amaro Pereira Paiva (poemas). Dr. Amaro Pereira paiva (poemas). Fr. João do Rosário (elegia em latim). Várias peças anônimas em latim. Além dessas poesias, que levam os nomes dos seus autores, o volume contém ainda peças anônimas em latim, incluindo uma série de composições assinadas ―Collegi Bahiensis Societ. Jesu‖ ( p. 143 a 175).

Sua raridade tem levado os historiadores da literatura, que escreveram sobre a poesia brasileira no século XVIII, a mencionarem apenas os poetas cujas obras foram reimpressas por Varnhagen, deixando de lado os outros, cujas poesias sejam talvez mais valiosas, ou em todo caso mais características do estilo da época».

 In 4º. 29,5x20 cm. [32], 326 pags.

Binding: Contemporary flexible parchment with manuscript title on spine. Red edges.

Illustrated with magnificent vignettes and decorative capitals, opened in metal plate and signed by Debrie, in 1751, namely: vignette in the cover sheet with the arms of Portugal; Vignette at the head of the dedication showing the tomb of D. João V with his arms and armor over the ground and topped by papal weapons; Vignette on the first page of text with the bust of D. João V in the splendor of arms and attributes as Patron of Fine Arts; Capitals with symbolic motifs (such as the letter D containing the acronym "Obsequium Mutuum"); Final vignette in colophon with allegorical motifs (also containing symbolism with moto inscribed in an altar flanked by the figures of the Justice, Force and Loyalty).

Splendid printing style, containing a huge variety of typographic characters in low, medium and high boxes. The profusion of characters in high boxes is due to the fact that this work contains countless pages with proper title pages for sermons, funeral prayers, preaching, praise, epitaphs and poems.

This work includes a magnificent, careful and detailed narrative, describing the rich mausoleum built in the Cathedral of the Bahia, and the other decorations (ephemeral works of art of the Baroque world) made in other Churches and described in the Relation that occupies the first 34 pages, as well as music, processions, religious services, artillery salutes and bell tolls, as well as numerous poems by more than 34 poets and the six sermons preached in the various churches of the city, to celebrate the funeral of King John V, all expressions of a vision of the world of strong baroque sensitivity, which will always mark the Iberian-American world.

Referência: 1608JC002
Local: M-11-B-7


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