RUGENDAS, Maurice. HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

 
 

 
   

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MANUSCRITO - TESTAMENTO DO MESTRE SALA DOS REIS CATÓLICOS. LISBOA, 1505. + Traslado de 1741.

Fundacion Original del Mayorazgo que en letra antiua instituio Lope de Valdivielso, y traslado de ella en la decha. Legaso 1º. Numero 1º

In fólio de 31,5x21,5 cm.

Com 40 fólios, contendo a seguinte colação: 1 folha de guarda em branco com um ex-libris oleográfico; 1 folha de rosto manuscrita (verso em branco); 16 fólios manuscritos com o documento original do início do século dezasseis; 1 fólio notarial (ou de tabelião) totalmente manuscrito frente e verso pela mão de Ochoa de Isasaga e com duas assinaturas do mesmo «Ysasaga»; 1 fólio de guarda em branco que divide o documento anterior e a sua transcrição diplomática; 1 fólio com uma apresentação (de prefácio ou antelóquio) à trancrição diplomática; 18 fólios contendo a transcrição diplomática do século dezoito a uma só mão muito clara, firme e legível; e 1 fólio em branco, de guarda, no final.

Encadernação em pergaminho rígido com o título manuscrito sobre a pasta anterior, conforme transcrição anterior (apresentada no título desta ficha bibliográfica).

Ilustrado com um brasão de armas do Morgado de Torrepadierne desenhado e iluminado no pé do primero fólio do documento inicial (e mais antigo). O brasão apresenta os seguintes móveis heráldicos: uma torre a ouro ocupa todo o campo de honra com fundo em azure, rodeada por uma faixa de honra com oito cruzes foliadas em gules, que retrata heraldicamente um vinculo em terras administradas por uma ordem religiosa.

Ex-libris do século XX das bibliotecas particulares de António Adérito da Silva Carmona; e do Dr. Joaquim Pessoa.

Este documento apresenta alguns danos e rasgos, no entanto recuperáveis, e sem perda de texto.

Nota bibliográfica recente manuscrita no interior da pasta anterior: «Manuscrito de 32 páginas, em papel, datado do ano de 1505. É o original de um morgado instituído nesta data. Com um pequeno escudo de armas do instituidor na primeira página e assinado na página 31. Segue-se outro documento de 38 páginas, datado em 164, que é o treslado do primeiro documento, com as assinaturas, sinais notariais, etc…»

Página de rosto do documento antigo, e original:

«Legaxo: 1º Nº 1 Fundacion Original del maioradgo, que fundo el Señor Lope de Valdiuielso Maestre Sala de el Rey, y de la Reyna Regidor de Ciudad de Burgos de Torre Padierna: Otorgose en Lisbona año de 1505. ante Ochoa de Isasaga essno. [escrivano] y Secretario de la Reyna de Portugal: [... ]»

Página de prefácio ou antelóquio (que precede o traslado) efectuada no lugar de Marzuelo aos 5 dias do mês de Março de 1741:

« Lex 1. Numº 1º | + Jesus Maria Joseph. | Este es un treslado signado, que concuerda com su original del mayorazgo que fundó Lope de Valdiuielso, otorgado en el año de 1505, en la ciudad de Lisbona, por testimonio de Ochoa de Ysasaga, escrivano pp y notário, de la Reyna de Portugal: hallase dicho Original, firmado de dicho Fundador, y en la primera plana de el. A lo ultimo de ella se hallan esculpidas el escudo de sus armas; Y en dicho instrumento se hallan declaradas por mayor los bienes que adjudica a dicho mayorazgo, y le da por cabeza del el Lugar de torre padierna,y torreon y casa fuerte edificada en el, y declarase su voluntad, hazer algunas addiciones de bienes a dicho mayorazgo: y asi las hizo, como consta de outro instrumento que por testimonio de dicho escrivano fue outorgado en el año de 1507: En el qual havendo en el traslado a la letra el que Otorgo el año de 1505 que es este ya declarado haze en el la dicha addicion a dicho mayorazgo de algunos juros &c. Y tambien relaciona en el la fundacion ciertas memª en dos Conventos como son el de S. Benito de la Ciudad de Valladolid; y en el de San Pablo de Burgos. Y ademas una Capellania en la Yglesia de dicho lugar de torre padierna = Contiene dicho Original el llamamento que haze a los possehedores de dicho su mayorazgo; Y en su primer lugar a su hijo llamado Diego de Valdivielso y demas sus descendientes y progenitores &c. Y que su apelido há de ser el de Valdiviesos -»

Este documento foi exarado pelo embaixador castelhano em representação dos Reis Católicos na corte de do rei D. Manuel I; o qual era igualmente conselheiro e tesoureiro da Rainha de Portugal (filha dos ditos Reis Católicos Isabel e Fernando).

As referências ao Embaixador Ochoa de Ysasaga, ou Isasaga, são históricamente muito importantes. O embaixador de origem biscainho (também dito: basco ou euskadi) é referido como conselheiro da Rainha por alguns autores, e surge neste documento na função de escrivão e notário das causas e pessoas da sua nação, tal como é função de todos os embaixadores e consules. A história de Portugal e do reinado de D. Manuel menciona-o inumeras vezes como uma fonte primária da própria história, particularmente nos relatos da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia e na Descoberta do Brasil, que Ysasaga anuncia aos Reis Católicos em cartas e memórias que envia regularmente. Ysasaga também actuava como posta restante da correspondência entre os Reis Católicos e a sua filha D. Maria que se casou com o D. Manuel e veio para a Corte de Portugal quando tinha apenas 18 anos (vide Oliveira e Costa, Dom Manuel I 1469-1521 Um Principe do Renascimento, 2005, pags. 115-121). As cartas deste embaixador são uma fonte documental do dia-a-dia da corte portuguesa neste periodo. Outro autor - J. Aubin, na obra «Le Maroc», pp. 149-187 - cita a mediação de Ochoa Isasaga na negociação entre D. Fernando de Castela e D. Manuel de Portugal sobre as capitulações entre as duas cortes a respeito dos limites de Fez e das áreas de influência dos dois países em Marrocos, durante os anos de 1508 e 1509. Na obra de Elda Gonzaléz Martinez - Guia de Fuentes Manuscritas para la Historia de Brasil Conservadas en Espana, 2002, pag. 146 - Isasaga é citado várias vezes como fonte ; sobre uma consulta da Rainha de Espanha sobre as fortalezas dos portugueses no Brasil e sobre a compra de livros e de navios.

As referências bibliográficas do objecto deste documento - o Mayorazgo de Torrepadierna - podem ser consultadas na obra de Germán Lafont Mateo com o título: Pampliega, Torrepadierne y Santiuste. Mil años de Historia. Siglos VII al XVII, o qual contém uma importante parte documental.

O resumo da história da instituição deste vinculo, ou morgado, beseia-se no facto de que, depois do mesmo ter sido instituido a favor do Mosteiro de Villa Mayor de los Montes e da constucção da fortaleza de Torrepadierne - impulsionado pelo irmão do fundador que era bispo - logo o fundador saiu de Espanha para Portugal ao serviço da sua Rainha. Então os seus decendentes, e em particular o seu filho Diego, apoderaram-se ou alteraram as instituições estabelecidas por Dom Lope de Valdiuielso, o qual entretanto (re)fundou outros morgados. Contudo, mais tarde, Dom Lope volta novamente a incorporar os outros vinculos dentro do vinculo principal estabelecido por este documento de 1505.

A importância deste documento é a sua própria relevância temporal, ou procura da perpetuidade destes vinculos promovidos pela Igreja e mantidos sobre a tutela conjunta desta e da aristocracia. Neste caso temos a produção, repetição, autenticação e reconhecimento do mesmo documento (em 1505 e em 1741) com 236 anos de intervalo temporal. Em termos históricos temos um documento que vale pela afirmação de uma estrutura socio-económica. Por outro lado, o valor no que concerne à ciência e à técnica diplomática é muito interessante porque nos dá o exemplo académico de uma transcrição paleográfica - já de dificil leitura no final do século XVIII - e que nos mostra e ensina a leitura de documentos espanhóis no inicio e no final do grande periodo da influência espanhola na história da Europa.

 

Referência: 1709NM009
Local: M-11-A-20


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